… Mas o melhor de tudo é crer em Cristo! Luís Vaz de Camões (c. 1524 — 1580)

terça-feira, 24 de janeiro de 2017

24 de janeiro de 1534 • Guillaume Briçonnet, Bispo de Meaux

24 de janeiro de 1534 Guillaume Briçonnet, 
Bispo de Meaux

Guillaume Briçonnet, nasce em 1470, em Paris. Era o segundo filho do cardeal Guillaume Briçonnet, bispo de Saint-Malo, e depois, arcebispo de Reims, e de Raoulette de Beaune. Faz os estudos teológicos na Universidade de Navarra. Em 1489 é nomeado Bispo de Lodève e abade de St. Germain-dê-Près em 1507. Em 1496 é nomeado capelão de Ana de Bretanha, e em 1498 participa com seu pai, na coroação de Louis XII, em Reims.

Em 1509 assiste ao Concílio de Pisa, e na sua ausência espalha-se um espírito de libertinagem entre os monges do convento de St. Germain-dê-Près. O novo rei de França, Francisco I propõe-o para o bispado de Meaux, e, envia-o nalgumas missões a Roma, durante os anos de 1516-17. Nelas, Guillaume Briçonnet, representa o rei nas conversações com o Papa Leão X sobre os acordos que levaram à implementação da Concordata de Bolonha.

Guillaume Briçonnet quer melhorar a moral e os costumes da sua diocese, para isso convoca vários sínodos e faz convites a pregadores evangélicos, como Lefèvre, Roussel e Farel, que anunciam o Evangelho em trinta e dois lugares diferentes da sua diocese e nela introduzem traduções francesas dos evangelhos e das epístolas. Assim, Jacques Lefèvre d’Etaple publica O Saltério quíntuplo (1509) e o Comentário às Epístolas de Paulo (1512, reimpresso em 1516), que põe ênfase em Cristo e no sentido “literal” do texto, têm, depois, uma grande influência sobre a interpretação bíblica de Lutero, naquela época em desenvolvimento. No seu “Comentário às epístolas de S. Paulo” afirma Jacques Lefèvre d’Etaple anos antes de Lutero o princípio da justificação pela fé. Lefèvre contribuiu ainda para a Reforma em França através da sua tradução para o francês (publicada anonimamente) do Lecionário da Igreja acompanhado de glosas evangélicas. As suas Exhortations en français sur les évangiles et les épîtres des dimanches, (Meaux, 1525) tinham como objectivo facilitar a pregação dos ministros e a leitura dos evangelhos e as epístolas em francês. Uma tradução da Bíblia feita por Pedro Olivetan (primo de Calvino) aparece em 1535, com um prefácio latino de Calvino. Esta tradução da Bíblia vai promover a disponibilidade da Escritura no vernáculo, de modo a que todos possam conhecer diretamente a Bíblia, na sua língua materna.

A História do Protestantismo em França está ligada nos seus começos ao chamado Grupo de Meaux, um Grupo de índole humanista formado nessa cidade episcopal graças ao apoio efetivo do bispo de Meaux, Guillaume Briçonnet. Meaux, naquele tempo, uma pequena cidade de tecelões a cerca de 30 milhas a leste de Paris é um contexto mais recetivo do que Paris para o alvoroço inicial das Reformas em França.

Entre outros, além dos acima citados Roussel, Farel e Jacques Lefèvre d’Etaple, também pertencem ao chamado Grupo de Meaux, Louis Berquin, Guilherme Farel, Roussel e Marguerite d’Angoulême e Clemente Marot (1496-1544), autor dos célebres Trinta Salmos, uma tradução francesa de 32 salmos, para ser usada na liturgia e para ser cantada pelo povo, obra esta que lhe custa o exílio. Estes reformadores promoviam um estilo erasmiano de Reforma, cujo foco central eram os estudos bíblicos e a renovação espiritual e moral. Eram pessoas com inquietações espirituais, que no século XVI e na diocese de Meaux (França) procuram uma espiritualidade mais genuína de acordo com o Novo Testamento. A sua real preocupação dirigia-se para uma renovação e revitalização da autoridade episcopal, não para a Reforma da Igreja. Fazer mais do que isso era abrir caminho para o mesmo destino de Louis Berquin, o tradutor humanista de Lutero e mais tarde evangélico convicto, que foi queimado na fogueira em Paris, no ano de 1529, após ser condenado pelo Parlamento. A bem da verdade, já três outros pregadores evangélicos tinham sido levados à fogueira por heresia em 1525; mas eles não eram tão próximos e ligados ao Grupo de Meaux.

Quando Farel ataca a Igreja de Roma, o bispo de Meaux, Guillaume Briçonnet, priva-o do seu ofício e convoca dois sínodos, o primeiro, condenado os ensinos de Martinho Lutero e proibindo a compra ou leitura da suas obras “a fim de que uma planta tão venenosa como essa não venha a estender as suas raízes à seara que nos foi confiada”, e o segundo, proibindo todas as interpretações heterodoxas do evangelho. Briçonnet encontrava-se no meio de duas fações: uma que se opunha à Igreja de Roma, negando a autoridade do Papa, a adoração da Virgem e dos santos, e outra que se inclinava para as antigas tradições. No seu esforço para evitar ambos os extremos, publica algumas proclamações entre dezembro de 1524 e janeiro de 1525 ameaçando de excomunhão àqueles que tinham queimado a bula de Clemente VII e destruído as imagens da Virgem. Apesar disto, foi acusado pelos cordeliers (cordeliers foi o nome que tomaram os franciscanos estabelecidos na França) no Parlamento de Paris de ter simpatia pelos luteranos (março de 1525 e outubro de 1526). O Parlamento de Paris ordena uma comissão que acaba por decidir que as traduções para a língua francesa de Lefèvre sejam queimadas e proíbe a pregação evangélica. Os pregadores fogem para Estrasburgo. Desta acusação Briçonnet sai absolvido. Mas, aproveitando-se da circunstância de que o rei Francisco I estava detido em Madrid, após a Batalha de Pavia (1525), o Parlamento de Paris rapidamente toma a iniciativa de acusar o grupo de Meaux de heresia. A pregação tinha sido quase que exclusivamente um privilégio das ordens mendicantes, especialmente dos franciscanos, que se ressentem da atitude do bispo de Meaux, Guilherme Briçonnet para com o seu privilégio e, da consequente diminuição dos seus proventos. Os cordeliers renovam as suas acusações e dois dos novos pregadores, Jacobus Pauvan e Matthæus Saunier, são acusados de heresia pela Sorbona e queimados no patíbulo. Briçonnet escreve uma carta de submissão ao parlamento e o rei Francisco I anula as acusações de heresia contra ele.

Finalmente, Guillaume Briçonnet morre no dia de hoje, 24 de janeiro de 1534, no Castelo d’Esmans, perto de Montereau-Fault-Yonne, tendo sido um clérigo francês, que desempenha um papel importante na França, no início da Reforma.

As obras Guillaume Briçonnet são: Synodalis oratio (Paris, 1520); Synodalis oratio (1552); e a correspondência com Margarida de Navarra, parte da qual com outros fragmentos está contida em Génin, Lettres do Marguerite d’Angoulême (1841) e Nouvelles lettres de la reine de Navarre (1842) e Herminjard, Correspondance des réformateurs (Genebra, 1878).

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Fontes Utilizadas:
Vários “Sítios” e enciclopédias na Internet e ainda algumas obras em papel.
Respigado daqui e dali.

Carlos António da Rocha

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