… Mas o melhor de tudo é crer em Cristo! Luís Vaz de Camões (c. 1524 — 1580)

quarta-feira, 11 de janeiro de 2017

11 de janeiro de 347 • Teodósio I, dito o Grande, imperador romano cristão



 11 de janeiro de 347 Teodósio I, dito o Grande, imperador romano cristão
 
 O imperador Teodósio e  Ambrósio, por  Anton van Dyck
Teodósio I, dito o Grande (nascido Flávio Teodósio, em latim Flavius Theodosius; Hispânia, 11 de janeiro de 347 - Milão, 17 de janeiro de 395), foi um imperador romano. Filho do conde Teodósio, foi o último líder de um Império Romano unido - após a divisão entre os seus herdeiros, o império nunca mais seria governado por apenas um homem.



Teodósio foi educado numa família cristã. Ele foi batizado em 380 d.C., durante uma doença severa, como era comum nos tempos dos primeiros cristãos. Em 27 de fevereiro desse mesmo ano, ele e Graciano fizeram publicar um édito chamado o “Édito de Tessalónica”, também conhecido como "Cunctos Populos" ou “De Fide Catolica” pelo qual estabeleceu que a "religião católica" tornar-se-ia a religião de estado exclusiva do Império Romano, abolindo todas as práticas politeístas dentro do Império e fechando templos pagãos, deliberando que todos os seus súditos deveriam seguir a fé dos bispos de Roma e do patriarca de Alexandria (Código de Teodósio, XVI,I,2). A lei reconhecia quer a primazia daquelas duas instâncias quer a problemática teológica de muitos dos patriarcas de Constantinopla, que porque estavam sob a observação dos imperadores eram por vezes depostos e substituídos por sucessores teologicamente mais maleáveis.



Historicamente, durante o período do reinado do imperador Teodósio alguns eventos humilhantes evidenciaram a ascensão cada vez maior da Igreja Católica. Após vencer a guerra contra Máximo e ordenar o Massacre de Tessalónica, Teodósio pretendia, como era seu costume sentar-se na igreja de Milão, mas foi proibido pelo bispo Ambrósio (Tréveris, c. 340 - Milão, 4 de abril de 397) de entrar sem que antes fizesse uma confissão pública.



Ambrósio excluiu o imperador da comunhão e durante oito meses a tensão manteve-se, até que Teodósio, durante o Natal, vestido com um saco de penitência, foi perdoado. Teodósio afirmaria mais tarde: "Sem dúvida, Ambrósio me fez compreender pela primeira vez o que deve ser um bispo." Desde então o poder eclesiástico de julgar os poderes públicos, não só em questões dogmáticas mas também pelos seus erros públicos, prevaleceu até à Idade Moderna.



Em 388, a população cristã incendiou a sinagoga de Calínico, pequena cidade na Mesopotâmia. As autoridades civis informaram Teodósio, que instruiu o bispo a reconstruir a sinagoga com os próprios recursos e a punir os incendiários. Ambrósio, bispo de Milão, ouvindo disso, fez uma apresentação por escrito a Teodósio alegando que queimar sinagogas era agradar a Deus, e de que o príncipe cristão não teria direito de intervir. A história é complexa e, para a abreviar, basta dizer que Teodósio estava sendo forçado a submeter-se a Ambrósio e a revogar as suas instruções para a restituição da sinagoga.



Esse episódio é significante, porque exemplifica a mudança do império pluralista para o Estado cristão. Teodósio começou a sua resposta ao incêndio da sinagoga em Calínico comportando-se como um imperador pagão o teria feito, ansioso de manter lei e ordem, respeitando os direitos aceites dos judeus. Ambrósio desafiou o auto-entendimento da sua qualidade de imperador, encarregando-o a comportar-se como imperador cristão, que não deveria mostrar boa vontade para com os judeus, ou até a simples equidade. Isso era, segundo Ambrósio, inconsistente com a Cristandade. O dever do imperador cristão, segundo Ambrósio, era garantir o triunfo da verdade (na sua visão, o cristianismo) sobre o erro (na sua visão, o judaísmo). Teodósio capitulou, e a Igreja tinha a última palavra. A separação entre o Cristianismo e o Judaísmo, efetivada teologicamente em 325 no Primeiro Concílio de Niceia, era agora lei sob os imperadores romanos, que tomaram os seus conselhos da Igreja. O incidente de Calínico é o símbolo da conquista do antissemitismo eclesial. A Igreja podia agora manejar, e manejou, para influenciar a legislação imperial num modo danoso para com os judeus.



Mas foi justamente em virtude do crescimento do poder do catolicismo que ocorreu a sobrevida ao Império Romano do Oriente, já que o do Ocidente passaria a ser dirigido a partir do ano de 476 por povos chamados então de bárbaros.



Teodósio morreu em Milão, em consequência de um edema vascular, em 17 de janeiro de 395, pronunciando as suas últimas palavras que teriam sido as do Salmo 116: “Diligo Dominum quia audivit vocem obsecrationis meae” -"Amo o Senhor porque ouviu a voz de minha súplica."



Os seus restos mortais foram transladados definitivamente para Constantinopla (atual Istambul, na Turquia) em 8 de novembro de 395.



A Igreja Ortodoxa reconhece-o como santo.


****

Fontes Utilizadas:
Vários “Sítios” e enciclopédias na Internet e ainda algumas obras em papel.
Respigado daqui e dali.

Carlos António da Rocha

Este texto é de livre utilização, desde que a sua ortografia seja respeitada na íntegra porque já está escrito com o Português do Novo Acordo Ortográfico e que não seja nunca publicado nem utilizado para fins comerciais; seja utilizado exclusivamente para uso e desfruto pessoal.

Sem comentários: