… Mas o melhor de tudo é crer em Cristo! Luís Vaz de Camões (c. 1524 — 1580)

terça-feira, 18 de abril de 2017

SALMO 33



C. H. Spurgeon

O Tesouro de David

SALMO 33


TÍTULO: Este canto de louvor não tem título ou indicação de autor; “ensina-nos” –diz Dickson– “a ver as Sagradas Escrituras como totalmente inspiradas por Deus, e a não lhes atribuir valor segundo os 105 escritores das mesmas.”



TODO O SALMO. O louvor do SENHOR é o motivo deste cântico sagrado. C. H. S.



TODO O SALMO. De que modo tão absurdo tratam os filósofos a origem do mundo! Que pouco têm raciocinado de modo sistemático sobre este tema tão essencial! O nosso profeta resolve a importante questão com um só princípio; e o que é mais notável: este princípio, que é expresso nobremente, leva consigo a evidência mais clara. O princípio é: “Pela palavra do SENHOR foram feitos os céus, e todo o exército deles pelo espírito da sua boca.” (Sl 33:6) Esta é a explicação mais racional que nunca se deu da criação do mundo. O mundo é a obra de uma vontade eficiente por si mesma, e somente este princípio pode explicar a sua criação. Esta é a doutrina da providência: “O SENHOR olha desde os céus e está vendo a todos os filhos dos homens; da sua morada, contempla todos os moradores da terra” (Sl 33:13-14) que é uma consequência necessária do Seu princípio “Ele é que forma o coração de todos eles”; e este princípio é uma consequência necessária do que o Salmista tinha indicado antes como a explicação da origem do mundo. Uma das objeções mais enganosas que nunca se há oposto à doutrina da providência é o contraste entre a grandeza de Deus e a pequenez do homem. Como pode uma criatura tão insignificante como o homem ser objeto do cuidado e de atenção de um ser tão magnífico como Deus? Não há objeção que possa ser mais enganosa ou, na aparência, mais invencível. A distância entre o inseto mais rudimentar e o monarca mais poderoso, que pisa e esmaga os rastejantes sem a menor consideração por eles, é uma imagem muito imperfeita da distância entre Deus e o homem. O que prova que estaria por debaixo da dignidade do monarca o observar os movimentos das formigas, ou dos vermes, e a interessar-se nas suas ações e castiga-las ou a premiá-las, parece demonstrar que Deus Se degradaria Se observasse, dirigisse, castigasse ou premiasse a Humanidade, que é imensamente inferior a Ele. Mas com um facto basta para responder a esta objeção capciosa: isto é, que Deus criou a Humanidade. Degrada-Se Deus mais a governar do que ao criar a Humanidade? James Saurin.



Versículo 1. Regozijai-vos no SENHOR, vós, justos, ou, Regozijem-se no SENHOR os que são justos, ou, Que toda a alegria dos justos se eleve em louvor ao SENHOR, ou noutra leitura dos originais, Exultai, ó justos, no SENHOR. O gozar-se nas comodidades temporárias é perigoso; gozar-se por si mesmo é néscio; gozar-se no pecado é fatal; mas gozar-se em Deus é celestial. Quem quer ter o Céu duas vezes, tem de começar já aqui a gozar-se como os de lá. C. H. S.



Versículo 1. Regozijai-vos no SENHOR, vós, justos, O verbo hebraico, segundo os etimologistas, originalmente significa “dançar de gozo”, e portanto é uma expressão muito forte, de viva exultação. J. A. Alexander



Versículo 1. Regozijai-vos não em vós mesmos, porque não é seguro, não no SENHOR. Agostinho.



Versículo 1. Aos retos convém o louvor. O louvor não convém aos cantores profissionais não perdoados; é como jóia de ouro em focinho de porca. Os corações torcidos amam a música torcida, mas os retos têm o seu deleite no SENHOR. O louvor é o vestido dos santos no céu; é apropriado que o provem aqui em baixo. C. H. S.



Versículo 1. Aos retos convém o louvor. O louvor não convém, a menos que se seja piedoso. O louvor na boca do pecador é como um oráculo na boca de um néscio: Que pouco apropriada é para ele o louvor de Deus se a sua vida desonra a Deus! Thomas Watson.



Versículo 1. Agrada a Deus aquele cujo agrado está em Deus. Agostinho.



Versículo 2. Louvai ao SENHOR com harpa, cantai a ele com saltério de dez cordas, ou, Louvem o SENHOR ao som da harpa; cantem-lhe salmos com harpa de dez cordas, ou, Louvai o SENHOR com a cítara; cantai-lhe salmos com a harpa de dez cordas, ou ainda noutra leitura dos originais, Toquem melodias de louvor com a harpa, com a lira. Aqui temos a primeira menção de instrumentos musicais nos Salmos. Deve ser observado que os primeiros Pais estavam quase de acordo contra o seu uso nas igrejas; como eles são proibidos na Igreja Oriental, até hoje, onde, no entanto, com o consentimento de todos, o canto é infinitamente superior a qualquer coisa que possa ser ouvido no Ocidente. J. M. Neale.



Versículo 3. Cantai-Lhe. Cantar é a música da natureza. As Escrituras dizem-nos que as montanhas cantam (Is 55:12); os vales cantam Sl 65:13; as árvores do bosque cantam (1Cr 16:33); mais que isso, o ar é a sala de música dos pássaros, onde eles cantam as suas notas musicais. Cantar é a música dos santos. 1. Eles têm executado este dever muitas vezes (Sl 147:1,2). 2. Nos seus maiores apuros (Is 26:19). 3. Nas suas maiores lutas (Is 42:10, 11). 4. Nas suas maiores libertações. 5. Nas suas maiores abundâncias (Isaías 65:14). John Wells, in “Morning Exercises.”



Versículo 3. Tocai bem (ou tocai com arte, ou executem bem). É lamentável escutar louvores a Deus feitas descuidadamente. Cada Cristão deve esforçar-se por cantar segundo as regras da arte, de modo que cante dentro do compasso e afinando com toda as congregação. As melodias mais doces e as vozes mais doces, com as palavras mais doces, são todas elas pouco para o SENHOR nosso Deus; não as ofereçamos de modo discorde e desagradável. C. H. S.



Versículo 3. Tocai bem e com júbilo, ou, toquem com arte e aclamem-No!, ou, tocai com arte por entre aclamações, ou, Executem bem e com alegria. A boa vontade e o coração têm de ser conspícuos no louvor divino. Há que cantar com ânimo, não elanguescendo e arrastando-se. Não é que o SENHOR não queira ouvir-nos, se não o fizermos de modo vivo e com voz alta, mas não é o modo natural para uma grande exultação. Os homens gritam à vista dos seus reis; não vamos nós oferecer hosanas com júbilo ao Filho do David? C. H. S.



Versículo 4. Porque a palavra do SENHOR é reta, e todas as Suas obras são fiéis, ou, As palavras do SENHOR são retas; as Suas obras mostram a Sua fidelidade, ou, As palavras do SENHOR são verdadeiras, as Suas obras nascem da fidelidade, ou ainda noutra leitura dos originais, Porque a palavra do SENHOR é a verdade. Tudo o que Ele faz é digno de confiança. Deus escreve com uma pluma que não faz borrões, fala com uma língua que nunca se trava, obra com uma mão que nunca falha. Bendito seja o Seu Nome!



Versículo 5. A terra está cheia da bondade do SENHOR, ou o Seu amor enche a terra inteira!, ou, A terra está cheia da Sua bondade, ou ainda noutra leitura dos originais, A Terra está cheia de provas do Seu amor. Vinde aqui, astrónomos, geólogos, naturalistas, botânicos, químicos, mineiros, sim, todos os que estudais as obras de Deus, porque o que tereis para nos contar confirma esta declaração. Desde o mosquito que volita no raio de Sol, ao leviatã no oceano, todas as criaturas devem a sua munificência ao Criador. Inclusivamente o deserto sem caminhos contém algumas misericórdias não descobertas, e as cavernas do oceano escondem tesouros de amor. A Terra poderia ter estado tanto cheia de terror quanto de graça, mas ela abunda em toda a espécie de bondades. Aquele que não o consegue ver e, contudo, vive nela como o peixe na água, merece morrer. Se a Terra está cheia de misericórdia, do que há-de estar cheio o Céu? C. H. S.



Versículo 6. Pela palavra do SENHOR foram feitos os céus, e todo o exército deles pelo espírito da sua boca, ou, O céu e todos os seus astros foram criados pela palavra do SENHOR, pelo sopro da Sua boca, ou, A palavra do SENHOR criou os céus, e o sopro da Sua boca, todos os astros, ou ainda noutra leitura dos originais, Foi pela palavra do SENHOR que os céus foram feitos; tudo o que está no universo foi criado por força daquilo que saiu da Sua boca. Os céus angelicais, os céus siderais, o firmamento e os céus terrestres, foram todos feitos para começarem a existir por uma palavra; o que se diz pela Palavra: “e, sem ele, nada do que foi feito se fez.” É interessante notar a menção do Espírito na cláusula e todo o exército deles pelo espírito da Sua boca. A palavra sopro é a mesma que se traduz noutros pontos por “Espírito.” Assim, as três Pessoas da Divindade unem-Se ao criarem todas as coisas. Que fácil para o SENHOR fazer os astros mais poderosos e os anjos mais gloriosos! Uma palavra, um sopro, pôde fazê-lo. Foi tão fácil para Deus criar o universo como para o homem respirar; não, mais fácil ainda, porque o homem respira não de modo independente, mas que pede emprestada a respiração das suas narinas ao seu Criador.



Versículo 7. Ele ajunta as águas do mar como num montão; põe os abismos em tesouros, ou, Ele juntou num só lugar as águas dos mares e armazenou nas profundezas os oceanos, ou, Ele juntou as águas do mar como numa represa e guardou as torrentes do Abismo nos seus depósitos, ou ainda noutra leitura dos originais, Ele pôs um limite aos oceanos, mantendo-os nos seus fundos reservatórios. É possível que o texto se refira às nuvens e aos depósitos do granizo e da neve e da chuva, estes tesouros da misericórdia e da riqueza para os campos da Terra. Estas massas aquosas acham-se armazenadas para um uso futuro benéfico. A ternura abundante vê-se na previsão do nosso celestial José, cujos celeiros já estão cheios para o tempo de necessidade na Terra. Estes armazéns podem ter sido, e foram outrora, munições de vingança; agora são parte do ministério da misericórdia. C. H. S.



Versículo 8. Tema ao SENHOR toda a terra. Que não temam a outro em vez dEle. Ruge uma fera? Teme a Deus. Espreita, na emboscada, uma serpente? Teme a Deus. Odeia-te o homem? Teme a Deus. Luta, contra ti, o diabo? Teme a Deus. Porque toda a criação está debaixo dAquele a quem se te manda que temas. Agostinho.



Versículo 9. Porque falou, e tudo se fez, ou, Porque Ele falou e assim aconteceu, ou ainda noutra leitura dos originais, Porque falou e tudo se criou. Feliz o homem que tem aprendido a apoiar-se na segura Palavra dAquele que fez os Céus! C. H. S.



Versículo 10. O SENHOR desfaz o conselho (os projetos, ou, os planos) das nações. Quanto mais os fariseus se opunham à verdade antigamente, e agora os seus sucessores, os prelados, mais ela prevalece. A Reforma da Alemanha prosperou muitíssimo pela oposição papista; sim, quando dois reis (entre muitos outros) escreveram contra Lutero, ou seja, Enrique VIII, de Inglaterra, e Ludovico, da Hungria, e tomaram parte na controvérsia, isto fez com que muitas pessoas tivessem mais curiosidade e investigassem o assunto a coisa, e o resultado foi um estímulo e uma inclinação geral para as opiniões de Lutero. Richard Younge's Christian Library, 1655.



Versículo 10. Quebranta os intentos dos povos, ou, Ele impede os planos dos povos, ou, frustrou os projetos dos povos, ou ainda noutra leitura dos originais, anula as suas intenções. As suas perseguições, calúnias e falsidades são como bolas de neve atiradas contra uma parede de granito: sem efeito, nem resultado algum; o SENHOR domina sobre o mal, e até do mal tira bens. A causa de Deus nunca está em perigo: as artimanhas infernais são superadas pela sabedoria Infinita, e a malícia satânica vê-se em xeque perante o poder que não tem limites. C. H. S.



Versículo 11. O conselho do SENHOR permanece para sempre, ou, Mas os projetos do SENHOR permanecem para sempre, ou, Só o plano do SENHOR permanece para sempre, ou ainda noutra leitura dos originais, Mas o Seu próprio plano permanece para sempre. As rodinhas de um relógio de bolso ou de parede movem-se em sentido contrário umas das outras, algumas numa direção, as outras noutra; contudo, servem, segundo o propósito do artesão, para mostrar o tempo ou para fazer que soe a hora. Assim, no mundo, a providência de Deus pode ver-se que circula por todas as suas promessas, nuns de uma forma, noutros de outra; os homens bons vão numa direção, os maus noutra; mas todos, em conclusão, executam a vontade e centram o seu propósito em Deus, o grande Criador de todas as coisas. Richard Sibbes.



Versículo 12. Bem-aventurada é a nação cujo Deus é o SENHOR, e o povo que Ele escolheu para Sua herança, ou, Feliz a nação, cujo Deus é o SENHOR; feliz é o povo que Ele escolheu para si, ou, Feliz a nação cujo Deus é o SENHOR, o povo que Ele escolheu para Sua herança, ou ainda noutra leitura dos originais, Feliz a nação cujo Deus é o SENHOR, o povo que Ele escolheu para Sua herança. Um homem pode ter o seu nome estampado nas crónicas e, sem embargo, perder-se; pode ter o seu nome cinzelado em mármore perdurável, mas mesmo assim ele perece; posto sobre um monumento igual ao Coliseu, e apesar disso ser coberto de ignomínia; inscrito nas portas de um hospital, mas ir para o inferno; gravado na fachada da sua própria casa, mas a casa estar em posse de outro; todos estes casos são escritos no pó ou sobre a água, em que os carateres desaparecem logo que foram traçados; isto não demonstra que o homem seja feliz, como o néscio não podia provar que Pôncio Pilatos era feliz porque tinha o seu nome escrito no Credo. Mas o verdadeiro consolo para um homem é quando, pela segurança recebida, ele pode chegar à conclusão na sua alma de que o seu nome está escrito nas folhas eternas do Céu, no livro da eleição de Deus, que nunca serão envolvidas nas folhas da escuridão, mas que continuarão legíveis por toda a eternidade. Thomas Adams.



Versículo 12. Algumas vezes tenho equiparado os grandes homens do mundo e os bons homens do mundo, com as consonantes e as vogais do alfabeto. As consonantes são de maior tamanho; ocupam a maior parte da lista e fazem vulto; mas, acreditai-me, as vogais, ainda que sejam em menor número e são as mais pequenas, são as mais úteis, as que produzem maior som; não há pronúncia sem as vogais. Ah! Queridos, ainda que os grandes homens do mundo ocupam o (primeiro) lugar e se exibam por cima dos outros, não são senão as consonantes, um grupo de consonantes mudas e surdas na sua maior parte; os bons homens são as vogais, usadas e muito úteis em cada ocasião; um bom homem ajuda com as suas orações; um bom homem aconselha com as suas advertências; um bom homem interpõe-se com a sua autoridade; esta é a perda que lamentamos, que perdemos um bom homem; a morte apagou uma vogal. Temo que haverá mais silêncio aí aonde agora falta; silêncio na cama, silêncio na casa, silêncio na loja, silêncio na igreja e silêncio na paróquia, porque em todas as partes era uma vogal, um bom homem em todos os sentidos. John Kitchin, M. A., in a Funeral Sermon (No sermão de um enterro) 1660.



Versículo 15. Contempla todos os moradores da terra. Dois homens dão esmola a um pobre, um busca a sua recompensa no Céu, o outro o louvor dos homens. Tu, nos dois, vês uma coisa; Deus entende duas coisas. Porque Ele entende também o que está no íntimo, sabe o que está no íntimo; Ele vê os seus fins, as suas intenções. “Ele entende todas as suas obras.” Agostinho.



Versículo 16. Não há rei que se salve com a grandeza de um exército. O poder dos mortais é falso, e os que confiam nele estão errados. As fileiras apertadas de homens armados não foram capazes de sustentar um império, ou inclusivamente a vida do monarca quando foi emitido um decreto do tribunal do Céu proclamando a derrota do mesmo. C. H. S.



Versículo 16. Não há rei que se salve com a grandeza de um exército. Na Batalha de Gaugamela os exércitos da Pérsia eram em número de meio a um milhão de homens, mas foram totalmente derrotados pelo exército de Alexandro, que não contava com mais de cinquenta mil; e o antes poderoso Dario foi vencido. Napoleão entrou na Rússia com meio milhão de homens, mas um inverno terrível desfez o seu exército e ele terminou prisioneiro na rocha solitária de Santa Elena. Este versículo tem vindo a ser comprovado ao longo da linha da história. Os batalhões mais fortes derretem-se como flocos de neve quando Deus está contra eles. C. H. S.



Versículo 18. Eis que os olhos do SENHOR estão sobre os que O temem, ou, O SENHOR é quem vigia sobre os Seus fiéis, ou, Os olhos do SENHOR velam pelos Seus fiéis, ou ainda noutra leitura dos originais, Mas os olhos do SENHOR estão sobre os que O temem e amam. Olha para o Sol quando ele projeta a sua luz e o seu calor sobre o mundo no seu curso geral, e verás que brilha sobre bons e maus com a mesma influência; mas deixa que os seus raios se concentrem num cristal de aumento: então comprovarás que acende o objeto que toca, mas que os que o rodeiam não sofrem este efeito. Da mesma maneira, na criação, Deus olha para todas as Suas obras com um amor geral –erant omnia valde bona–, agrada-se de todas. Oh!, mas quando Ele Se compraz em projetar os raios do Seu amor e faz com que estes brilhem sobre os Seus escolhidos em Cristo, então os afetos deles são inflamados, enquanto que os outros só recebem uma influência leve, a graça comum que brilha um pouco sobre cada um. Richard Holdsworth, 1651.



Versículo 19. Para livrar as Suas almas da morte, ou, Ele livra-os da morte, ou, para os livrar da morte, ou ainda noutra leitura dos originais, para os libertar da morte. A mão do SENHOR vai com o Seu olho; a Sua soberania preserva aqueles a quem Ele observa na Sua graça. Os resgates e as restaurações são como um mosaico que sustenta a vida dos Seus santos; a morte não pode tocá-los até que o Rei assina a sua licença e os deixa partir, e então o seu toque já não é mortal, mas imortal; não nos dá a morte, mas sim que mata a nossa mortalidade. C. H. S.



Versículo 20. A nossa alma. Não as nossas almas, mas a nossa alma, como se todos eles tivessem uma. E, qual é a expressão de Deus segundo o profeta?: “E lhes darei um mesmo coração e um mesmo caminho.” E, assim, os dois discípulos no caminho de Emaús exclamaram, na surpresa do seu descobrimento: “Porventura não ardia em nós o nosso coração?” Por isso, quando ao princípio se pregava o evangelho se dizia: “E era um o coração e a alma da multidão dos que criam.” Temos visto várias gotas de água sobre uma mesa que, ao serem postas em contacto, juntam-se numa. Se os Cristãos se conhecessem melhor entre si, facilmente se uniriam. William Jay



Versículo 20. A nossa alma espera no SENHOR: Ele é o nosso auxílio (ou, amparo) e o nosso escudo, ou, Nós pomos a nossa esperança no SENHOR; é Ele quem nos ajuda e protege!, ou ainda noutra leitura dos originais, A nossa alma espera pela ajuda do SENHOR. Ele é o nosso auxílio e nos protege como um escudo.



Há uma história excelente de um jovem que se achava navegando, no meio de uma furiosa tempestade; e quando todos os passageiros estavam desesperados pelo terror, ele era o único que estava tranquilo. Quando lhe perguntaram a razão da sua tranquilidade, respondeu: “O piloto do navio é meu pai, e sei que meu pai fará bem as coisas.” O Deus sábio e grande, que é nosso Pai, desde toda a eternidade decretou qual será o resultado de todas as guerras e o final de todos os tumultos; Ele é nosso piloto, Ele está ao leme; e embora o navio, a Igreja ou o Estado se achem a ponto de naufragar, podemos estar tranquilos, que o nosso Piloto terá cuidado de nós. Não se faz nada neste parlamento inferior que é a Terra sem que antes não seja decretado no superior, que está nos Céus. As rodas pequenas estão ordenadas e são regidas pelas maiores. “Não se vendem cinco passarinhos por dois ceitis?”, disse Cristo. Um pardal não vale metade de um ceitil. E não há nenhum homem que não tenha o valor de metade de um ceitil. E a nenhum homem se lhe fará nem a metade de um ceitil de dano mais do que Deus tenha decretado desde toda a eternidade. Edmund Calamy



Ceitil - moeda portuguesa que valia um sexto do real; (fig.) Insignificância.

Tradução de Carlos António da Rocha

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