… Mas o melhor de tudo é crer em Cristo! Luís Vaz de Camões (c. 1524 — 1580)

sábado, 11 de fevereiro de 2017

11 de fevereiro de 1650 • Cogito, Renatus Cartesius, ergo sum



11 de fevereiro de 1650 Cogito, Renatus Cartesius, ergo sum



René Descartes, por Frans Hals, 1648


René Descartes, por vezes chamado de o fundador da filosofia moderna e o pai da matemática moderna, é considerado um dos pensadores mais influentes da história humana.



Nasceu em La Haye a 31 de março de 1596, a cerca de 300 quilómetros de Paris. Seu pai, Joachim Descartes, advogado e juiz, possuía terras e o título de escudeiro, além de ser conselheiro no Parlamento de Rennes, na Bretanha.



Com um ano de idade, Descartes perdeu a mãe, Jeanne Brochard, no seu terceiro parto, e foi criado pela avó. Seu pai casou-se novamente e chamava o filho de “pequeno filósofo”. Mais tarde, o seu pai aborreceu-se com ele quando não quis exercer a advocacia, de pois de ele concluiu curso de direito na Universidade de Poitiers em 1616.



Em 1618, Descartes foi para a Holanda e alistou-se no exército de Maurício de Nassau. A escola militar era, para ele, um complemento à sua educação. Nessa época fez amizade com o duque filósofo, doutor e físico Isaac Beeckman, e a ele lhe dedicou o “Compendium Musicae”, um pequeno tratado sobre a música.



Em 1619, viajou para a Dinamarca, Polónia e Alemanha, onde, segundo a tradição, no dia 10 de novembro, teve uma visão em sonho de um novo sistema matemático e científico. Três anos depois regressou a França e passou os anos seguintes em Paris e em outras partes da Europa.



Em 1628, Descartes, incentivado pelo cardeal De Bérulle, escreveu “Regras para a Direção do Espírito”. Buscando tranquilidade, partiu para os Países Baixos, onde viveu até 1649.



Em 1629 começou a trabalhar em “Tratado do Mundo”, uma obra de física. Mas em 1633, quando Galileu foi condenado pela Igreja Católica, Descartes não quis publicá-lo. Em 1ó35 nasceu a sua filha ilegítima, Francine, que morreria em 1640.



Em 1637, publicou anonimamente “Discurso sobre o Método para Bem Conduzir a Razão a Buscar a Verdade Através da Ciência”. Os três apêndices desta obra foram “A Dióptrica” (um trabalho sobre ótica), “Os Meteoros” (sobre meteorologia), e “A Geometria” (onde introduz o sistema de coordenadas que ficaria conhecido como “cartesianas”, em sua homenagem). O seu nome e suas teorias  tornaram-se conhecidos nos círculos ilustrados e sua afirmação “Penso, logo existo” (Cogito, ergo sum) tornou-se popular.



Em 1641, surgiu a sua obra mais conhecida: as “Meditações Sobre a Filosofia Primeira”, com os primeiros seis conjuntos de “Objeções e Respostas”. Os autores das objeções foram Johan de Kater; Mersene; Thomas Hobbes; Arnauld e Gassendi. A segunda edição das Meditações incluía uma sétima objeção, feita pelo jesuíta Pierre Bourdin.



Em 1643, a filosofia cartesiana foi condenada pela Universidade de Utrecht (Holanda) e, acusado de ateísmo, Descartes obteve a proteção do Príncipe de Orange. No ano seguinte, lançou “Princípios de Filosofia”, um livro em grande parte dedicado à física, o qual ele ofereceu à princesa Elizabete da Boémia, com quem mantinha correspondência e também curiosamente haveria de morrer no dia 11 de fevereiro mas do ano de 1680, trinta anos depois de Descartes.



Uma cópia manuscrita do “Tratado das Paixões” foi enviada para a rainha Cristina da Suécia, através do embaixador francês. Frente a insistentes convites, Descartes foi para Estocolmo em 1649, com o objetivo de instruir a rainha de 23 anos em matemática e filosofia. O horário da aula era às cinco horas da manhã. No clima rigoroso da Suécia, a sua saúde deteriorou-se. Assim, no primeiro dia de fevereiro de 1650, Descartes contraiu uma pneumonia e, dez dias depois, neste dia 11 de fevereiro de 1650, morre em Estocolmo, na Suécia.



Em 1667, depois da sua morte, a Igreja Católica Romana colocou as suas obras no Índice de Livros Proibidos.



Geralmente diz-se que a filosofia moderna nasceu com René Descartes. “Moderna”, aqui, aplica-se a boa parte do pensamento do século XVII para subentender um rompimento entre a filosofia medieval e pós-medieval. Fica claro que houve, com Descartes na França, e com Francis Bacon na Inglaterra, e até mesmo com outros que vieram após eles, uma murdanga de interesse dos temas teológicos para um estudo da natureza e do homem sem referência explícita a Deus. Descartes ocupava-se de problemas que, na sua opinião, seriam solucionados exclusivamente pela razão. Considerava-se um filósofo e um matemático, não um teólogo. O seu alvo fundamental era chegar à verdade filosófica mediante o usa da razão. Queria desenvolver um sistema de proposições vérdicas, em que nada seria pressuposto que não fosse indubitável e evidente em si mesmo. Haveria, portanto, uma conexão orgânica entre todas as partes do sistema, e o edifício inteiro firmar-se-ia num fundamento solido. O seu ideal do conhecimento era um sistema ordeiro de proposições que tinham mútua dependência. Este ideal foi sugerido, em grande parte, pela matemática.



O modo de Descartes praticar a filosofia começou com um ceticismo metodológico. Por meio deste método, duvidava sistematicamente de cada proposição que fosse, de algum modo, passível de dúvida, como preliminar para o estabelecimento do conhecimento certo. Tendo sujeitado à dúvida tudo quanto podia ser duvidado, chegou à proposição “simples” e indubitável: Cogito, ergo sum (“Penso, logo existo”). Por mais que eu duvide, forçosamente devo existir. De outra forma, não poderia duvidar. Assim, a minha existência é comprovada pela duvida. O cogito, ergo sum, portanto, é a verdade indubitável em que Descarte, se propôs fundamentar a sua filosofia.



Em seguida, Descartes procurou comprovar a existência de Deus. Este facto ilustra um aspecto essencial do seu pensamento e é muito relevante para os desenvolvimentos posteriores na história da filosofia. Até esse ponto, Descartes somente tinha estabelecido que ele existia como um ser pensante; agora avançará exclusivamente a partir do conteúdo da sua própria consciência para comprovar a existência de algo diferente. Descartes procedeu desta maneira “transcendental”, comprovando, em primeiro lugar, a existência de Deus, e depois trabalhando, por meio da dedução, a partir da existência de Deus para a de outros seres contingentes e do mundo “externo”. O seu método de proceder a partir dos dados da consciência permaneceu importante para pensadores posteriores, e tornou-se a base para muitos desenvolvimentos subjetivistas e idealistas subsequentes.



Descartes é um dos filósofos e matemáticos mais originais dos tempos modernos, é geralmente reconhecido como o mais importante filósofo francês.


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Fontes Utilizadas:
Vários “Sítios” e enciclopédias na Internet e ainda algumas obras em papel.
Respigado daqui e dali.

Carlos António da Rocha

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