… Mas o melhor de tudo é crer em Cristo! Luís Vaz de Camões (c. 1524 — 1580)

terça-feira, 14 de fevereiro de 2017

14 de fevereiro de 1839 • Manrique Alonso Lallave, ex-frade e pastor evangélico espanhol



14 de fevereiro de 1839 Manrique Alonso Lallave, 
 ex-frade e pastor evangélico espanhol

Manrique Alonso Lallave vê a primeira luz neste dia, 14 de fevereiro de 1839, em Fuente de San Esteban, Salamanca, Espanha e foi envenenado em Manila, no Arquipélago das Filipinas, em 5 de junho do ano de 1889. Na sua primeira ida para o arquipélago asiático das Filipinas, foi como frade. E ,na sua última viagem para a Indonésia, foi como colportor da Sociedade Bíblica Britânica e Estrangeira, para difundir os Evangelhos e os Atos dos Apóstolos, que tinha traduzido para o ilocano, a língua filipina de Pangasinan. Na Espanha, ficaram a sua viúva, Carolina Ortiz Morilla e sete filhos. E um importantíssimo legado literário, no que destaca seu Diccionario Bíblico, em dois volumes (Sevilha, 1880 e 1886) Los frailes en Filipinas (Madrid 1872) e El protestantismo en España (Imprenta y Lit. de Ariza y Ruiz, Sevilla 1876).

Aos catorze anos entra num convento dos missionários dominicanos. Terminou os seus estudos em Manila, e foi pároco católico romano durante doze anos numa paróquia das Ilhas Filipinas, então sob domínio colonial espanhol.

Em 1867 alguém da Espanha lhe manda alguns tratados protestantes. Da sua leitura cuidada e pelo agir do Espirito Santo, as convicções religiosas de Manrique Alonso Lallave experimentam uma mudança, que lhe causa ser preso no calabouço de um convento na Manila. A propósito da sua conversão escreve: “Os meus conhecimentos algo extensos em matéria de religião chegaram-me a persuadir dos muitos e transcendentais erros da Igreja de Roma, da qual me separei, livre e espontaneamente, sem mais objeto que professar a verdade, e havendo-me servido de móvel a conduta antievangélica do clero católico romano em geral e dos frades em particular”.

Contra todo o direito, pois havia solicitado a secularização, porém, de acordo com uma Ordem do Ministério do Ultramar espanhol, “depois de mil iniquidades e atropelos” —como ele mesmo escreveu—, sob guarda enviam-no para Península Ibérica para que comparecesse ante um conselho eclesiástico. Ao chegar a Singapura conseguiu escapar. Finalmente chega a Madrid em dezembro de 1871. No ano seguinte publica Os frades nas Filipinas, onde discorre sobre a sua experincia, que ele qualifica de estadia prejudial ao progresso material e espiritual dos autóctones.

Depois de ser examinado e aceito pelo Consistório da Igreja Cristã Espanhola (que mais tarde se dividiria entre a Igreja Evangélica Espanhola e a Igreja Espanhola Reformada Episcopal), em 9 de janeiro de 1873, Manrique Alonso Lallave foi pastor nas Igrejas de Granada e Madrid por breves períodos de tempo, para logo ser pastor em Sevilha de 1874 a 1888.

As suas pregações do Santo Evangelho no antigo templo dos jesuítas alternavam com visitas evangelísticas à província de Sevilha, em especial a Ursina, Constantin, Carmona e Utrera. Nesta última cidade viu levantar-se uma próspera congregação em 1877.

Como bem diz um dos seus biógrafos, Patrício Gómez, Manrique Alonso Lallave “tinha uma pluma fácil que dirigiu profusamente para a extensão e defesa do Evangelho”. Colaborava regulamente com “La Luz” de Madrid, todas as semanas. Os temas bíblicos e os assuntos polémicos da atualidade que tratou, demonstram claramente a amplitude dos seus conhecimentos e a oportunidade de seus escritos.

A sua maior contribuição literária, surpreendentemente esquecida, é um “Dicionário Bíblico”, em dois tomos, e com um total de 1149 páginas, publicado em Sevilha em 1880, a primeira parte e 1886, a segunda parte.

Enquanto trabalhava na obra anterior, fundou e dirigiu “O Mensageiro Cristão” e o “Comentário Bíblico”, revista mensal que apareceu publicada ente os anos de 1881 a 1884.

Com os conhecimentos linguísticos adquiridos nas Filipinas, começa e consegue traduzir, os quatro Evangelhos e o livro de Atos dos Apóstolos para o ilocano, a língua filipina de Pangasinan. O ilocano é uma língua austronésia falada primariamente no norte de Luzon, nas Filipinas. O nome vem de Iloko, nome nativo das Filipinas. Como é natural, a sua tradução teve por base a versão espanhola de Reina-Valera e o primeiro livro bíblico traduzido foi o Evangelho de Lucas, cujo título é Say Masantos a Evangelio na cataoan tin Jesu Cristo de onuñg na dinemuet nen S. Lucas. A obra foi publicada pela Sociedade Bíblica Britânica e Estrangeira em Londres em 1887. No ano seguinte, foram traduzidos Mateus, Marcos, João e Atos. Presentemente já toda a Bíblia está traduzida nesta língua.

Mesmo tendo abandonado as Filipinas e vivendo em Espanho, jamais o seu coração deixou de amar aquele povo. Em repetidas ocasiões tinha escrito: “'Levar o evangelho ao arquipélago filipino é um assunto que deve interessar a todos os cristãos evangélicos, especialmente aos espanhóis”.

Esta chamada encontrou resposta no jovem catalão, Francisco de Paula Castell, e também nele mesmo. Ambos, em resposta a uma petição da Sociedade Bíblica Britânica e Estrangeira, ofereceram-se em 1889 para distribuir as Sagradas Escrituras nas Ilhas Filipinas.

Passa por Madrid, e chega com o colega missionário a Manila em 30 de março de 1889. A oposição clerical local precedeu-os e logo se pôde observar que Castell era expulso do país e Manrique Alonso Lallave enterrado, depois de sofrerem ambos uma misteriosa enfermidade. “Muitas pessoas —escreveu o sobrevivente Castell — estavam seguras de que Manrique Alonso Lallave foi envenenado”.

Esta foi a notícia que receberam a sua esposa, Carolina Ortíz Morilla e os seus sete filhos, quando se preparavam para partir e ir juntar-se a ele no campo missionário nas Filipinas. As suas palavras escritas pouco antes dele partir a Manila, tornaram-se proféticas: “Teremos de ir bem preparados com muita coragem para sofrer a oposição dos frades, que à falta de razões lhes sobram argumentos de outra espécie para se desfazer dos seus adversários”.

Tinha voltado a Manila, porque ele mesmo tinha escrito: “Necessitam aqueles indígenas de ser educados nos princípios do Evangelho, para que nasçam de novo e sejam feitos novas criaturas na ordem moral e na ordem material; para a sua salvação eterna e para a sua regeneração social; para que possam entrar no reino de Deus e ter parte no reino da civilização moderna”.

Quanto a Francisco de Paula Castell foi mais tarde para a Costa Rica  chegando posteriormente a traduzir a Bíblia para o povo bribri da América Central. A língua bribri é uma língua tonal e posposicional falada pela comunidade bribri na região da Costa Rica de Talamanca e nas montanhas da Província de Bocas Del Toro no Panamá.

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Fontes Utilizadas:
Vários “Sítios” e enciclopédias na Internet e ainda algumas obras em papel.
Respigado daqui e dali.

Carlos António da Rocha

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