… Mas o melhor de tudo é crer em Cristo! Luís Vaz de Camões (c. 1524 — 1580)

sábado, 18 de fevereiro de 2017

18 de fevereiro de 1781 • Henry Martyn, uma vida inteiramente gasta para Deus



18 de fevereiro de 1781Henry Martyn, 
uma vida inteiramente gasta para Deus
Henry Martyn foi o tradutor da Bíblia para o hindi e persa! E também foi missionário anglicano na Índia. A carreira missionária de Henry Martyn foi tão curta no tempo, mas altamente frutífera em resultados.

Nasceu neste dia, 18 de fevereiro de 1781, em Truro, na Cornualha, no sudoeste da Inglaterra. Filho de um mineiro, que subiu a chefe de armazém, pôde em 1788, aos sete anos, começar a frequentar a escola da sua terra natal até aos dezasseis anos, em 1797, quando foi estudar para Cambridge e entra no St. John's College, onde termina a sua licenciatura em filosofia e letras, em 1801, o mestrado em filosofia e letras, em 1804, e conclui teologia em 1805 e foi Senior Wrangler em 1801. Dele se diziase que era um aluno que “não perdia tempo”, por isso, não nos surpreendente que tenha obtido das melhores notas da sua turma e fosse Senior Wrangler, que era o título que se dava anualmente na Universidade a quem ganhava a competição de resolver questões matemáticas. Wranglin é uma expressão dos universitários britânicos que indica a resolução de problemas matemáticos. Em 1802 Henry Martyn foi designado membro do conselho do reitor de St. John's College, obtendo o primeiro prémio na composição em prosa latina. Foi escolhido pelo St. John's College duas vezes para ser examinador público. Porém, além disso, Henry possuía uma considerável facilidade para as línguas.

Influenciado por Charles Simeon (1759-1836), Henry Martyn abandonou a sua intenção de se dedicar à advocacia e em seu lugar tomou a decisão de ser missionário. Foi em 1802, aos 21 anos, muito jovem ainda, que Martyn tomou esta firme resolução de dedicar a sua vida aos trabalhos missionários. Foi persuadido a isso, além da influência de Simeon, pela leitura do diário de David Brainerd (1718-1747) e de outros livros similares, que exerceram nele um profundo efeito. Ofereceu-se primeiro como missionário à Sociedade Missionária para a África e Oriente. Durante algum tempo parecia que as portas da missão lhe estavam fechadas, mas por fim, foi-lhe oferecida uma capelania ao serviço da Companhia das Índias Orientais. Entretanto, Henry Martyn, tinha estado como pastor cooperante desde 1803 com Charles Simeon, em Cambridge.

No dia 17 de julho de 1805 zarpou para a Índia, deixando para trás uma noiva que não quis partilhar e envolver-se no seu trabalho missionário. A jovem senhora, Lydia Grenfield, com quem Henry Martyn desejava casar temendo o futuro incerto na Índia, indecisa que não lhe dizia que sim, nem lhe dizia que não se casava com ele, e Henry Martyn partindo, viveu e morreu solteiro.

E, já no próprio navio, durante a longuíssima viagem, o jovem missionário afanava-se na ajuda espiritual aos marinheiros, a toda a tripulação e ao resto dos passageiros.

Desde que partira de Inglaterra, há quatro meses, Henry Martyn anotava num diário todas as suas impressões de viagem. No dia 12 de novembro de 1805, quando o navio em que seguia esteve atracado quinze dias no porto em Salvador (fundada como São Salvador da Bahia de Todos os Santos) no município brasileiro da Bahia, Henry Martyn anotou nesse dia, algo no seu diário que pode ser interpretado como um dos desafios missionários mais pertinentes: “Quem será o feliz missionário que será enviado para proclamar o nome de Jesus a estas regiões ocidentais? Quando será que esta linda terra se libertará da idolatria e do cristianismo espúrio? Cruzes existem em abundância, mas quando é que a doutrina da Cruz será pregada?” Mas, é curioso que Martyn também não ia enviado oficialmente à Índia como missionário para os autóctones, mas como capelão da Companhia da Índia Oriental para os seus compatriotas, embora tivesse dado uma importantíssima contribuição à evangelização dos indianos, como sabemos, ao pôr as Sagradas Escrituras na língua do seu povo!

Depois de o navio de Martyn levantar âncoras da Baía de Todos os Santos, ainda gastou mais seis meses para chegar a Calcutá, ao nordeste da Índia onde atracou no dia 21 de abril do ano seguinte. Em 22 de abril atracou no porto de Madrás, de onde se dirigiram a Dinapore, local do seu destino. Aqui passou Henry Martyn cerca de três anos pregando o evangelho às tropas e oficiais do governo, civis e militares britânicos, com renovado zelo e ardor. E além de ministrar aos soldados e residentes ingleses em Calcutá, Dinapore e Cawmpore, Martyn, entretanto, tendo aprendido a língua local pregava fluentemente no dialeto hindustani para os autóctones. A sua pregação era tão atraente que havia sempre uma pequena multidão de mais de 800 pessoas escutando-o.

Na Índia, ao ver frequentemente as pessoas prostradas diante de uma imagens e noutras falsas posturas religiosas, Martyn anotou no diário  que depois viris a ser célebre: “Eu tremi, como se estivesse de pé nas redondezas do inferno.”

Mas o seu coração não estava exclusivamente voltado para os europeus, como já referi, pelo que não perdia oportunidade de instruir os autóctones nas verdades da fé cristã. Também tinha um interesse especial pelas crianças, pelo que chegou a ensinar em cinco escolas indianas ao mesmo tempo.

Mas, sem dúvida, a principal tarefa de Henry Martyn neste período, e de facto durante toda a sua carreira missionária, foi o seu trabalho de tradução. Traduziu o “Livro de Oração Comum” da Igreja Anglicana para o hindi e também algumas das parábolas do Senhor, mas rapidamente se consagrou à sua grande obra: a tradução do Novo Testamento.

Os meses que passou nesta ocupação foram o tempo mais feliz de sua vida. Quando a obra esteva acabada enviou-a para os seus colegas de ministério em Calcutá para ser revista e quando eles a receberam, gozosamente lhe deram o seu apoio.

Pouco depois Henry recebeu a ordem para se mudar de Dinapore para Cawnpore. A sua saúde era frágil: a enfermidade pulmonar que havia levado à sepultura a duas das suas irmãs, que haviam falecido desde que ele abalara de Inglaterra, também o estava afetando a ele. Não obstante, partiu para o seu novo destino missionário, apesar da febre e do esgotamento que o apoquentavam. Ao chegar ao seu novo local de missão em Cawnpore foi bem recebido e parcialmente obteve a recuperação da sua saúde, ainda que os seus amigos insistissem com ele de que seria prudente para ele voltar a Inglaterra.

Porém, nesta mesma ocasião, Henry estava consumido por outra paixão: a tradução do Novo Testamento para o persa. Para isso tinha de se mudar mais para o interior da Pérsia (Irão, hoje), onde a língua se falava com toda a sua pureza, e, talvez, também a mudança de clima fosse saudável para o seu corpo adoentado. Em janeiro de 1811 partiu, via Calcutá, para Shiraz onde chegou cinco meses mais tarde. Entregou-se de tal maneira à sua tarefa que em 24 de fevereiro de 1812 tinha terminado a sua tradução do Novo Testamento; assim estava preparado “o caminho do monte de Sião para os reis do oriente.” No mesmo ano, no mês de março, termina a sua tradução dos Salmos.

Apesar da sua saúde não melhorar, Henry não perde oportunidade de compartilhar o evangelho com os que o ajudam na tradução. O agravamento de seu estado de saúde impediu que Henry Martyn entregasse pessoalmente ao xá da Pérsia (atualmente Irão) um exemplar do Novo Testamento traduzido na sua língua, pelo que encarrega desta tarefa o cônsul britânico, Sir Gore Onseley, e parte para Constantinopla, Istambul, na atual Turquia, a caminho da Inglaterra. Depois de viajar cerca de 2 400 quilómetros a cavalo, da Pérsia à Turquia, tuberculoso, chega a Tocat, um cidade turca, que naquele momento estava contaminada pela peste. Ali a enfermidade pôde mais que ele e Henry Martyn termina a sua carreira aos 31 anos de idade, em 16 de outubro de 1812. Foi enterrado nessa mesma cidade pela Igreja da Arménia com as honras reservadas para os bispos da dita Igreja. Do seu diário se tem dito que é “um dos mais preciosos tesouros da devoção anglicana.”

Em 1823, onze anos depois, um britânico residente em Bagdad erigiu um monumento sobre o túmulo de Martyn com o epitáfio: “Ao Rev. Henry Martyn, um pastor e missionário inglês, servo piedoso, versado e fiel, que, voltando à sua terra natal, o Senhor o chamou para a Sua alegria eterna.”

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Fontes Utilizadas:
Vários “Sítios” e enciclopédias na Internet e ainda algumas obras em papel.
Respigado daqui e dali.

Carlos António da Rocha

Este texto é de livre utilização, desde que a sua ortografia seja respeitada na íntegra porque já está escrito com o Português do Novo Acordo Ortográfico e que não seja nunca publicado nem utilizado para fins comerciais; seja utilizado exclusivamente para uso e desfruto pessoal.

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