… Mas o melhor de tudo é crer em Cristo! Luís Vaz de Camões (c. 1524 — 1580)

domingo, 19 de fevereiro de 2017

19 de fevereiro de 842 . Teodora restaura os ícones nas igrejas




19 de fevereiro de 842 Teodora restaura os ícones nas igrejas



Ícone do Triunfo da Ortodoxia

Imaginai uma luta sangrenta, travada ao longo de uma centena de anos entre Cristãos, sobre o uso de imagens no culto. Isto realmente aconteceu. Os Imperadores de Bizâncio, procuraram controlar a Igreja e as suas formas de culto, usando exércitos armados para se oporem à veneração dos ícones, quebrando e despedaçando muitas das obras de arte neste processo. Esta destruição de ícones é chamada de iconoclastia.



Um ícone é uma representação estilizada de Deus, de Cristo, ou de um santo. É uma imagem pintada da virgem, dos santos e dos anjos ou de cenas bíblicas, usadas principalmente nas igrejas orientais católicas ou nas igrejas ortodoxas. No início da Idade Média, os ícones e outras imagens foram amplamente utilizadas para ajudar os crentes na sua devoção, ou como objetos de adoração. Muitas vezes, os devotos ajoelhavam-se perante estes ícones e beijavam-nos. Para alguns crentes, isto era chocante. Eles argumentavam que os Dez Mandamentos proibiam adorar imagens. Para estes crentes, os ícones não eram mais do que ídolos. A única representação permitida de Cristo era o pão e o vinho, afirmavam eles com insistência. A Escritura e a prática da igreja primitiva eram contra os ícones, repisavam eles esta ideia insistentemente. Além disso, ela violava a definição da Igreja de Cristo como Deus e homem, para tentar capturar a essência de Cristo em qualquer representação. Muitos iconoclastas também se opunham a que se orasse aos santos e se venerassem as relíquias.



O Imperador bizantino Leão III (717–741), via nos ícones a razão principal porque os judeus e os muçulmanos não podiam ser ganhos para Cristo e também como uma causa de desunião nacional. No princípio do seu governo, ele apenas tentou persuadir o seu povo do uso deles. Mas quando uma violenta erupção submarina, um tsumani, faz tremer violentamente Constantinopla, Leão tomou isso como um aviso de Deus. Então, ele ordenou aos seus soldados que derrubassem uma famosa imagem de Cristo. Mas quando algumas mulheres idosas derrubaram irritavas uma escada dos soldados que cumpriam a ordem imperial, os tumultos começaram. Depois disso, o Imperador bizantino Leão III perseguiu violentamente os bispos e os monges que favoreciam os ícones. Em 754, ele convocou um concílio para se opor e condenar o culto das imagens.



Aqueles que defendiam o isso de ícones na Igreja diziam que eles não eram imagens. Uma imagem representa o que uma coisa realmente é. Um ícone tenta transmitir a verdade espiritual. Os defensores dos ícones afirmavam que a Igreja primitiva tinha, de facto, usado ícones. Por exemplo, a tradição diz que Lucas pintou um retrato de Maria, que agora está em Roma. Que o famoso bispo João Crisóstomo se inspirou num retrato de Paulo. Os ícones são uma resposta verdadeira para os credos, afirmavam eles categoricamente. Cristo tinha um corpo real que poderia ser retratado.



O Imperador Constantino V, filho e sucessor do imperador Leão III, o Isáurio, e de sua esposa Maria, fez ainda mais oposição aos ícones que seu pai, o Imperador bizantino Leão III, tinha feito. Ele reacendeu a perseguição aos que favoreciam os ícones. Mais sangue fluiu.



Mais tarde, o Imperador bizantino Leão V, percebendo como a política iconódula dos seus antecessores estava associada com as derrotas às mãos dos búlgaros e dos árabes, reinstituiu a iconoclastia depois de depor o patriarca de Constantinopla Nicéforo I, o Logóteta e de convocar um sínodo para Constantinopla em 815. O imperador utilizou a sua política iconoclasta para confiscar os bens de iconódulos e de mosteiros, tais como o rico mosteiro de Stoudios, cujo influente abade iconódulo, Teodoro Estudita mandou para o exílio.



Depois, Irene de Atenas, uma imperatriz bizantina, tendo conseguido a eleição do patriarca Tarásio, um dos seus partidários, em 784, ela convocou dois concílios da igreja. O primeiro deles, realizado em 786 na capital imperial, foi frustrado pela oposição dos soldados do exército. O segundo, reunido em Niceia em 787, finalmente conseguiu retomar a veneração e reuniu novamente a Igreja Ortodoxa com a Igreja de Roma. O mais notável ato de Irene foi a restauração da veneração dos ícones.



Apesar de os ensinamentos sobre os ícones estarem definidos no Sétimo Concílio Ecuménico de 787 que se reuniu-se entre 24 de setembro e 23 de outubro de 787, em Niceia, os iconoclastas começaram a causar problemas à igreja novamente.



Após a morte do último imperador bizantino iconoclasta Teófilo (813842), o seu filho mais novo Miguel III, o Ébrio (840-867), e sua mãe Teodora, dita a Arménia, juntamente com o patriarca de Constantinopla Metódio I, convocaram um sínodo em Constantinopla em 842 para trazer novamente a paz para a Igreja.



No final da primeira sessão, todos os participantes fizeram uma procissão triunfal da Igreja de Santa Maria de Blaquerna até à Hagia Sofia, restaurando os ícones nas igrejas. Este evento ocorreu no dia de hoje, 19 de fevereiro de 842, que naquele ano era o primeiro domingo da Grande Quaresma, e que batizou aquele dia como “o Domingo da Ortodoxia” (ἡ Κυριακὴ τῆς Ὀρθοδοξίας).



Assim naquele dia, 19 de fevereiro de 842, que foi o primeiro domingo da Quaresma, foram os ícones restaurados nas igrejas em procissões solenes. A Imperatriz Theodora teve uma participação crucial na restauração dos ícones. Ainda hoje o primeiro domingo da Quaresma é observado como a “Festa da Ortodoxia” nas igrejas orientais.



Os Reformadores protestantes dos séculos XVI e XVII simpatizavam com os iconoclastas. Eles ensinaram que Deus deve ser adorado em “espírito e em verdade.” Aconteceu também que em tempos de excesso, alguns dos protestantes mais rigorosos e pouco tolerantes, por vezes, quebraram as imagens nas Igrejas Católicas, o que não lhes dizia respeito, porque as “coisas” da Igreja Católica dizem unicamente respeito aos Católicos. Os Reformadores, escudados nos ensinamentos das Sagradas Escrituras, que são a pedra de toque para a vida e a morte dos discípulos do Senhor e Salvador Jesus Cristo, rejeitaram firmemente a oração aos santos e a veneração das relíquias.

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Fontes Utilizadas:
Vários “Sítios” e enciclopédias na Internet e ainda algumas obras em papel.
Respigado daqui e dali.

Carlos António da Rocha

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