… Mas o melhor de tudo é crer em Cristo! Luís Vaz de Camões (c. 1524 — 1580)

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2017

20 de fevereiro de 1469 • Tomás Caetano, o opositor de Martinho Lutero



20 de fevereiro de 1469 Tomás Caetano, o opositor de Martinho Lutero


Encontro entre Lutero e o Cardeal Caetano,

numa impressão da época.

Os protestantes lembram-se de Tomás Caetano, nascido em Gaeta, na Itália, neste dia 20 de fevereiro de 1469, por causa do seu conflito dramático com Martinho Lutero, mas os Católicos Romanos recordam-no como filósofo, teólogo, estudioso bíblico e cardeal. O seu verdadeiro nome era Giacomo De Vio, mas adotou o nome monástico de Tomás, procedendo o seu sobrenome, Caetano, do seu lugar de nascimento. Estudou nas universidades de Bolonha e Pádua; afiliou-se na Ordem dos Dominicanos em 1484; tornou-se membro do corpo docente da faculdade de teologia de Pádua em 1493; serviu em Roma como procurador-geral da Ordem Dominicana entre os anos de 1501 a 1508; e foi geral da Ordem Dominicana, de 1508 a 1518. Foi nomeado Cardeal no consistório de 1 de julho de 1517 e tornou-se Bispo de Gaeta em 1518. Durante a sua carreira, publicou cerca de 115 obras. Algumas destas eram comentários das Escrituras, com tradução e exegese dos textos grego e hebraico; que visavam ser uma resposta a polémica protestante baseada na exegese das línguas originais. Mas como autor e estudioso, Tomás Caetano obteve fama como filósofo/teólogo tomista de destaque com o seu comentário clássico sobre a Summa Theologica, de Tomás de Aquino, que o Papa Leão XIII ordenou que fosse publicado junto à edição original da Summa Theologica para estudo e formação dos padres católicos. No campo da filosofia tomista mostrou uma notória independência de julgamento, expressando conceitos liberais sobre o matrimónio e o divórcio, negando a existência de um inferno material e defendendo a celebração de orações públicas em língua vernácula. Algumas destas suas teses tomistas foram consideradas heréticas pela Universidade de Sorbona.

Em 1511, Caetano tornou-se um destacado defensor do poder do papa e do conceito monárquico do papado em contraste com as alegações do Concilio de Pisa, que não é reconhecido pela Igreja Católica Romana porque não foi convocado por um papa. Não é de estranhar, portanto, que o papa Leão X encarregasse Caetano de ser o seu legado na Dieta Imperial Alemã de 1518, para intimar o novato Martinho Lutero a comparecer em Augsburg e para examinar e julgar a ortodoxia das opiniões de Lutero. Lutero e Caetano reuniram-se em três dias sucessivos em meados de outubro de 1518. Durante o confronto, Caetano argumentou que o papa estava acima dos concílios eclesiásticos, acima de toda a igreja e até acima das Escrituras. Lutero respondeu que o Papa estava sujeito a Palavra de Deus e asseverou que alguns Papas tinham torcido as Escrituras. Os três dias terminaram com um impasse, e Caetano ordenou a Lutero que saísse da sua presença e que não voltasse a não ser quando tivesse disposto a retractar-se. Naquela noite, Lutero foi levado secretamente e em segurança de Augsburg para Wittemberg. Em 1520, Caetano ajudou a redigir a bula papal, Exsurge Domine (em latim, “Levante-te, Senhor”), que condenaria Lutero e que foi publicada em 15 de junho de 1520 pelo Papa Leão X.

Caetano permaneceu como um firme opositor da Reforma até que morreu em Roma a 9 de agosto de 1534. Compôs várias obras dirigidas contra Lutero e tomando muito interesse em desenhar a política dos legados papais na Alemanha. Entendido como era na escolástica, reconheceu que para lutar contra os Reformadores com certa opção de êxito teria de ter um maior conhecimento da Escritura do que ele tinha. Por isso se dedicou ao estudo da mesma com o seu zelo característico, escrevendo comentários sobre a maior parte do Antigo e do Novo Testamento, permitindo-se na sua exposição a considerável lassidão ao apartar-se da interpretação literal e tradicional do texto sagrado.

Apesar das diferenças marcantes entre eles, Lutero reconhecia Caetano como pessoa de erudição e integridade. Na realidade, embora fosse solidamente leal à Igreja Católica Romana e à teologia tomista, Caetano era um ativo defensor da reforma dos abusos dentro da igreja.


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Fontes Utilizadas:
Vários “Sítios” e enciclopédias na Internet e ainda algumas obras em papel.
Respigado daqui e dali.

Carlos António da Rocha

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