… Mas o melhor de tudo é crer em Cristo! Luís Vaz de Camões (c. 1524 — 1580)

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2017

23 de fevereiro de 155 • Martírio de Policarpo de Esmirna





23 de fevereiro de 155 Martírio de Policarpo de Esmirna



Vitral de São Policarpo na Église Saint-Pothin, em Lyon, França.
“Eu posso mostrar o sítio em que o bem-aventurado Policarpo costumava sentar-se a pregar. Ainda recordo a gravidade do seu porte, a santidade da sua pessoa, a majestade do seu rosto e dos seus movimentos, assim como as suas santas exortações ao povo cristão. Ainda me parece ouvi-lo contar como tinha conversado com João e com muitos outros que viram a Jesus Cristo, e repetir as palavras que tinha ouvido deles.” Esta são palavras de Ireneu, ilustre discípulo de Policarpo e futuro bispo do Lião.

Mais tarde, foi provavelmente o mesmo Apóstolo João, o discípulo Amado, que encomendou ao cuidado episcopal de Policarpo a grei cristã de Esmirna. Policarpo viveu 86 anos, e recebeu o batismo ainda na sua infância. Tinha sido discípulo do apóstolo João, e teve por isso, o privilégio de ouvir da boca de uma testemunha presencial as descrições da vida de Jesus. Policarpo ocupou o episcopado da Igreja de Esmirna (na atual a Turquia) por volta do 110 d. C. Logo desde o começo, fez-se notar pela sua forte personalidade e pela sua obstinada valentia para confessar a fé cristã.

A sua atitude e o seu caráter ficam claramente refletidos nestas suas singelas palavras: “Sejamos, pois, imitadores da paixão de Cristo, e se por causa do Seu nome temos de sofrer, que O glorifiquemos, porque esse foi o exemplo que Ele nos deixou em Sua própria pessoa e isso é o que nós havemos crido.”

O martírio de Policarpo foi descrito um ano depois da sua morte, numa carta datada deste dia, 23 de fevereiro de 156, enviada pela igreja de Esmirna à igreja de Filomélio. Conforme podemos saber, graças a esta carta, que Policarpo não se entregou voluntariamente ao martírio, pois não se sentia com forças suficientes para confrontá-lo, em parte devido à sua elevada idade. Em vez de se entregar, e obedecendo também à petição dos seus fiéis, escondeu-se numa casa de campo.

Porém, finalmente, foi delatado por um dos escravos daquela casa de campo, e quando os soldados romanos chegaram lá para o levar preso, Policarpo não opôs nenhum tipo de resistência, mas aceitou-o como a vontade de Deus.

Mandou que dessem de jantar àqueles que o tinham preso, e pediu que o deixassem orar durante uns instantes a sós. Os soldados, vendo a sua fé e a sua piedade, arrependeram-se do que tinham feito, embora já fosse demasiado tarde.

Depois, Policarpo foi levado perante o procônsul Estácio Quadrado (Statius Quadratus), que ainda lhe deu a oportunidade dele se arrepender da sua fé em Cristo.

O diálogo que mantiveram foi este.

Disse-lhe o procônsul: - Declara que o César é o Senhor.

Policarpo respondeu-lhe: - Eu só reconheço como meu Senhor a Jesus Cristo, o Filho de Deus.

Acrescentou o governador: - E o que perdes deitando um pouco de incenso no altar de César? Renuncia a Cristo e salvarás a tua vida!

A isto Policarpo deu-lhe uma resposta admirável. Disse assim: - Eu tenho servido Cristo por 86 anos e Ele nunca me fez nada de mal. Como posso eu blasfemar contra o meu Redentor? Ouve bem: eu sou cristão!

O procónsul grita-lhe enraivecido: - Se não adoras a César e continuas adorando a Cristo condenar-te-ei às chamas!

E o venerando Bispo de Esmirna responde com firme suavidade na voz tranquila: - Ameaças-me com fogo que dura uns momentos e depois se apaga. Eu o que quero é não de ter de ir nunca para o fogo eterno que jamais se apaga!

Nesse momento, a plebe que assistia cega e cheia de ira, exige do procônsul que Policarpo seja condenado a morrer queimado. Assim o ordena o procônsul. Unicamente Policarpo pediu que o deixassem livre entre as chamas, que não ia fugir.

Os soldados tão-somente lhe ataram as mãos e o deixaram ali, pasto das chamas. Entretanto Policarpo dizia: - Sê bendito para sempre, ó Senhor; que o Teu nome adorável seja glorificado por todos os séculos dos séculos! Ámen!

Então os verdugos receberam ordem de atravessar com uma lança o coração de Policarpo. Mais tarde, os Cristãos de Esmirna puderam recolher os seus ossos.

Que não nos esqueçamos do significado etimológico do nome Policarpo: aquele que produz muitos frutos (Do grego polýkarpos, «que tem muitos frutos», poli, muito; carpo, fruto) e sejamos crentes sinceros “cheios dos frutos de justiça, que são por Jesus Cristo, para glória e louvor de Deus.” (Fl 1:11, ARC, Pt)


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Fontes Utilizadas:
Vários “Sítios” e enciclopédias na Internet e ainda algumas obras em papel.
Respigado daqui e dali.

Carlos António da Rocha

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