… Mas o melhor de tudo é crer em Cristo! Luís Vaz de Camões (c. 1524 — 1580)

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2017

27 de fevereiro de 380 • O Cristianismo tornou-se a religião de Estado do Império Romano


27 de fevereiro de 380O Cristianismo tornou-se a religião de Estado do Império Romano
 
Moeda de Teodósio

Teodósio I, dito o Grande (nascido Flávio Teodósio, em latim Flavius Theodosius; Hispânia, 11 de janeiro de 347 - Milão, 17 de janeiro de 395), foi um imperador romano. Filho do conde Teodósio, foi o último líder de um Império Romano unido, após a divisão entre os seus herdeiros, o império nunca mais seria governado por apenas um homem. O seu reinado é conhecido principalmente pelo Édito de Tessalónica que institui o cristianismo como religião oficial do império.


O Édito de Tessalónica, também conhecido como "Cunctos Populos" ou “De Fide Catolica” foi decretado pelo imperador romano Teodósio I neste dia, 27 de fevereiro de 380, pelo qual estabeleceu que o cristianismo  tornar-se-ia a religião de estado exclusiva do Império Romano, abolindo todas as práticas politeístas dentro do império e fechando os templos pagãos.



Nos primórdios do século IV, Constantino terminara com a clandestinidade dos cristãos, outorgando-lhes certos privilégios e permitindo a construção de grandes templos. Em 313, através do Édito de Milão, o imperador decretara a liberdade de culto para os cristãos e o fim do paganismo como religião oficial do Império Romano.



Em troca disto, Constantino participou das disputas que já existiam no seio da Igreja, convocando em 325 o Concílio de Niceia. Neste concílio foram desterradas as teses arianas. Apesar disso, o cisma ariano prolongar-se-ia pelo século VI, e não terminaria senão aquando da morte do último dos monarcas arianos: o rei visigodo Leovigildo. Do Concílio de Niceia originar-se-ia o chamado Credo Niceno, último ponto de encontro entre as Igrejas do Oriente e do Ocidente.



O mesmo imperador Constantino foi o primeiro governante do Império Romano cristão, embora não se tenha batizado senão um pouco antes de falecer. Com ele começava uma nova época para a igreja, e no decurso do século IV a influência dela nas esferas do poder aumentaria, apesar do parêntesis de três anos do governo de Juliano, durante o qual o paganismo foi restaurado, até que o cristianismo se torna, em 380, através deste Édito de Tessalónica, na religião oficial no Império Romano, tanto na parte Oriental como na Ocidental.



De Niceia, e apesar das fortes disputas que não terminaram com este concílio e que enfrentavam a Igreja oriental com a de ocidente pela supremacia hierárquica, o culto cristão conseguira medrar em todo o território do Império Romano. Porem, embora a sua implantação fosse elevada nas classes dominantes, ainda tinha pouca penetração entre as classes populares.



O Édito de Tessalónica, também conhecido como "Cunctos Populos" ou “De Fide Catolica” foi decretado pelo imperador romano Teodósio I neste dia, 27 de fevereiro de 380 e a 24 de novembro de 380 foi publicado. Eis o seu teor:



Édito dos imperadores Graciano, Valentiniano (II) e Teodósio Augusto, ao povo da cidade de Constantinopla.



"Queremos que todos os povos governados pela administração da nossa clemência professem a religião que o divino apóstolo Pedro deu aos romanos, que até hoje foi pregada como a pregou ele próprio, e que é evidente que professam o pontífice Dâmaso e o bispo de Alexandria, Pedro, homem de santidade apostólica. Isto é, segundo a doutrina apostólica e a doutrina evangélica cremos na divindade única do Pai, do Filho e do Espírito Santo sob o conceito de igual majestade e da piedosa Trindade. Ordenamos que tenham o nome de cristãos católicos os que sigam esta norma, enquanto os demais os julgamos dementes e loucos sobre os quais pesará a infâmia da heresia. Os seus locais de reunião não receberão o nome de igrejas e serão objeto, primeiro da vingança divina, e depois serão castigados pela nossa própria iniciativa que adotaremos seguindo a vontade celestial."



Dado o terceiro dia das Calendas de março em Tessalónica, no quinto consulado de Graciano Augusto e primeiro de Teodósio Augusto.



Com este édito, o Império Romano na íntegra passava a ter uma nova religião oficial depois de 67 anos de liberdade de culto. O Panteão Romano fora complementado ao longo de muitos séculos com os deuses, deidades e lares domésticos, com o culto aos próprios antepassados e até mesmo com divindades pré-romanas que foram assimiladas durante o processo de romanização em muitos lugares do império. Tudo isto devia ser agora abandonado no culto a uma religião monoteísta e as normas morais que a acompanhavam.



Como curiosidade, o pontífice Dâmaso referido neste Édito de Tessalónica, nasceu na Lusitânia, em território atualmente português, havendo quem defenda a hipótese dele ter nascido mais especificamente na cidade de Guimarães ou em Idanha-a-Velha. A época de Dâmaso (Lusitânia, 305 — Roma, 11 de dezembro de 384) coincidiu como vimos com a ascensão de Constantino de Teodósio e com a adopção do Cristianismo como religião oficial do Império Romano. Foi o primeiro Papa a usar com desenvoltura o anel do Pescador, com o símbolo de São Pedro, que ao contrário do que acontece hoje em que é destruído quando o Papa que o usou em vida, morre, então o anel do Pescador era passado de pontífice para pontífice.


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Fontes Utilizadas:
Vários “Sítios” e enciclopédias na Internet e ainda algumas obras em papel.
Respigado daqui e dali.

Carlos António da Rocha

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