… Mas o melhor de tudo é crer em Cristo! Luís Vaz de Camões (c. 1524 — 1580)

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2017

6 de fevereiro de 1754 . Andrew Fuller estava convencido de que a cruz de Cristo era a essência do Cristianismo




6 de fevereiro de 1754 Andrew Fuller 
estava convencido de que a cruz de Cristo era a essência do Cristianismo
Andrew Fuller pastoreou duas congregações Batistas durante toda a sua vida, 7 anos em Soham, de 1775 a 1782, e em Kettering de 1782 a 1806, durante 24 anos. Foi um dos fundadores da "Sociedade Missionária Batista", e trabalhou nela como seu secretário desde a criação da sociedade em 2 de outubro de 1792 até à sua morte, em 7 de maio de 1815, ocorrida em Kettering, Northamptonshire.

O Cristianismo na Inglaterra encontrava-se numa condição deprimente quando Fuller nasceu Wicken, perto de Ely, em Cambridgeshire, neste dia, 6 de fevereiro de 1754, filho de camponeses pobres. Os Batistas Particulares tinham caído no híper Calvinismo, que negava a necessidade de se evangelizar os perdidos ou sequer de se oferecer a salvação a alguém. Por outro lado, a corrente do Arminianismo, representado pelos Batistas Gerais e pelos Wesleys, tinha relegado Deus para uma posição secundária, segundo a livre vontade do homem. Não é necessário dizer que como consequência as missões batistas no estrangeiro não existiam.

Depois de ter feito uma falsa profissão, por volta de novembro de 1769, Andrew Fuller experimentou a conversão e em abril de 1770 foi batizado na comunidade da igreja batista hiper-calvinista de tendências antinomianas, em Soham. Andrew Fuller veio a Cristo quando ainda era jovem. Tal como Jonathan Edwards, de quem era ávido leitor obras, Fuller era um calvinista que acreditava numa religião que se deve experimentar. A sua salvação foi real na sua vida e na sua fé. Ao escrever muitos anos depois da sua conversão, Andrew Fuller recordava o seu primeiro encontro real com a graça de Deus como se tivesse acontecido no dia anterior:

"Agora encontrei descanso para a minha afligida alma... Quando pensei no caminho da salvação do evangelho, bebi-o como o sedento bebe água fria. O meu coração tornou-se um com Cristo, e morreu para qualquer outro objeto ao meu redor... Agora sei por experiência pessoal o que é estar morto para o mundo pela cruz de Cristo..."

A conversão de Andrew Fuller às ideias evangélicas, principalmente pela leitura de uma obra de Jonathan Edwards sobre a importância de uma união geral dos cristãos em oração por um avivamento da religião e pela influência do avivamento evangélico na Inglaterra, marca uma época na história dos batistas particulares. Durante alguns anos antes de 1792 os ministros da Associação Northamptonshire, sob a liderança de Fuller, celebravam reuniões de oração mensais para a propagação do evangelho. Em maio de 1792 William Carey, tendo ficado profundamente impressionado com a destituição dos pagãos e o dever dos cristãos para levar a cabo a grande comissão, pregou um sermão sobre o tema: "Esperai grandes coisas de Deus; empreendei grandes coisas para Deus", que causou uma aprofunda impressão e levou à organização, uns poucos meses mais tarde (2 de outubro), em Kettering, na igreja de Fuller, da Sociedade Missionária Batista. Desde este tempo em adiante Fuller dedicou muito do seu tempo e esforço para a difusão do espírito missionário na sua denominação e entre os dissidentes e os eclesiásticos. Visitou muitas vezes toda a Grã-Bretanha em favor da missão de Carey na Índia. As suas populares publicações, que eram contudo muito profundas, disseminaram por todo o mundo de fala inglesa as ideias calvinistas moderadas tintas de entusiasmo missionário.

Tal como Spurgeon, Andrew Fuller era um teólogo bíblico profundamente dominado por um coração de pastor. O seu estudo da natureza da salvação e da chamada do Evangelho era alimentado pelo seu relacionamento com as pessoas na sua congregação mais do que por considerações puramente académicas. Quando era um jovem pastor, Fuller começou questionando-se sobre o ponto de vista do híper-calvinismo dos seus dias, o qual rechaçava todo o convite evangélico feito à salvação dos perdidos. Durante o seu pastorado na sua primeira igreja Fuller escreveu a esse propóito:

"Acerca do sistema de doutrina a que estive acostumado a escutar desde jovem, estava dentro do híper-calvinismo... A abstinência de odiosos males deve encorajar-se. Mas nada lhes dizia do púlpito no sentido de os advertir da ira que daí vem, ou de os convidar a solicitar a salvação a Cristo... Comecei a duvidar se tinha a verdade acerca deste tópico..."

Sem se desviar nunca das doutrinas da Graça, Fuller entendeu que estas doutrinas não impedem que se ofereça o Evangelho a todas as pessoas. Fuller viu este oferecimento da salvação nas obras de muitos homens tais como Jonathan Edwards, John Owen, John Bunyan e David Brainerd. E além da opinião destes homens, Fuller viu ao estudar a Escritura, esta é que é a grande autoridade em assuntos espirituais, que nas Sagradas Escrituras, se acha nas suas páginas uma firme insistência para que se pregue o Evangelho livremente a todos as pessoas “a tempo e fora de tempo”.

A obra mais importante do Fuller é “The Gospel Worthy of all Acceptation” (O Evangelho digno de Toda Aceitação). Cabe a Andrew Fuller o mérito do ter demonstrado que uma pessoa crente pode ser ao mesmo tempo Calvinista e Evangélica. Contrariamente aos argumentos modernos, sustentar as Doutrinas da Graça não mata o evangelismo, mas antes o fundamenta solidamente nas Escrituras.

Andrew Fuller não rejeitou de forma alguma o que se chama de Calvinismo. Ele sustentou tenazmente a obra soberana de Deus na chamada daqueles que Ele mesmo escolheu. Fuller também recordou aos Batistas e a todos os outros Cristãos que a regeneração precede a fé e não vice-versa.

"A resposta do homem ao convite para o arrependimento e a vir a Cristo não é simplesmente uma decisão humana, um balanço dos argumentos pró ou contra, e decidir por aquele que é mais adequado. A decisão é em si mesma uma obra de graça".

A teologia do Fuller nunca esteve relegada nos seus sermões ou nas obras que publicou. Mas sobretudo, ele vivia o que acreditava na sua vida quotidiana. Em nenhuma outra parte se vê isto melhor do que na sua amizade com William Carrey, o primeiro dos missionários modernos. Carrey encontrou em Fuller, o fundamento teológico para apoiar as suas missões. Fuller tornou-se, como Carrey lhe chamou, naquele que aguenta a corda. Carrey iria à Índia como missionário mas Fuller e os outros fundadores da "Sociedade Missionária Batista" sustentariam o outro extremo da corda para dar suporte a Carrey, na Inglaterra.

Quem, na opinião de Charles Haddon Spurgeon, foi o maior teólogo do seu século? Bem, ninguém a não ser Andrew Fuller, o pastor batista e teólogo missionário que pastoreou durante a maior parte da sua vida, em Kettering, Northamptonshire, na antiga Inglaterra. Se alguém perguntasse a Spurgeon as razões da sua admiração por Fuller, uma razão que ele poderia dar seria a ênfase de Fuller sobre a centralidade na cruz.

Durante toda a sua vida cristã, Fuller estava convencido de que a cruz de Cristo era a essência do Cristianismo. Em 1802, ele defendeu que “ela é o ponto central no qual se encontram e são unidas as linhas da verdade do evangelho”. Assim como o sol é absolutamente vital para a manutenção do sistema solar, assim “a doutrina da cruz é para o sistema do evangelho; é a sua vida”. Outras observações semelhantes aparecem numa série de obras de Fuller. Num sermão pregado em 1801, Fuller traz à memória dos seus ouvintes: “Cristo crucificado é o ponto central no qual se encontram e são unidas todas as linhas da verdade do evangelho. Não há outra doutrina nas Escrituras que tenha uma relação tão importante”. A morte redentora de Cristo, Fuller declarou em 1814, nada mais é do que “o sangue vital do sistema do evangelho”. Em resumo, a cruz é “a magnífica peculiaridade e a principal glória do cristianismo”, e tudo o que for equivalente ao próprio evangelho: “A doutrina da salvação através de Cristo... é, por sua primazia, chamada de evangelho”.

Diante dessa visão sobre a morte de Cristo, não ficamos surpresos em encontrar Fuller afirmando acerca da doutrina da cruz, que “Deus, em todas as eras, se deleitou em honrar”. Qualquer que seja o lugar onde a igreja tenha experimentado tempos de vitalidade e vigor espiritual – “tempos de grande avivamento”, como Fuller os denominou – ali a obra expiatória de Cristo obteve um lugar de exaltação. Fuller observou que essa foi a doutrina central da Reforma, e à qual os Reformadores deram proeminência. Foi o tema principal dos puritanos e dos antepassados espirituais de Fuller, não conformistas do século XVII. Nos seus dias, os triunfos missionários dos morávios nas Índias Ocidentais, entre os esquimós, e na Groelândia, foram triunfos da cruz: a “doutrina da expiação pela morte de Cristo (...) forma o grande assunto de seu ministério”. Quando Fuller olhou além da realidade histórica para a eternidade e para o céu, ele foi convencido de que ali, também, a cruz era o “tema preferido” de seus habitantes.

Assim sendo, se uma igreja ou denominação rejeita a doutrina da cruz, ela não é nem um pouco melhor do que uma “massa morta e pútrida”. Acabar com “a obra expiatória de Cristo e todo o [sistema] cerimonial do Antigo Testamento nos parece um pouco mais do que uma massa morta de matéria desinteressante: a profecia perde tudo o que tem de interessante e cativante; o evangelho é aniquilado ou deixa de ser aquela boa nova aos pecadores perdidos que ela professa ser; a religião prática é despojada de seus motivos mais poderosos, a dispensação do evangelho, da sua glória peculiar, e o próprio céu, de suas alegrias condutoras”. Por que, por exemplo, muitas igrejas anglicanas nos dias de Fuller eram tão pouco frequentadas? Para Fuller, a resposta era evidentemente clara: por causa, respondeu ele, “da generalidade do clero em não pregar a doutrina da cruz (...). Não há nada na sua pregação que interesse aos corações, ou alcance a consciência do povo”.

A perspectiva assumida na cruz era, portanto, uma grande linha divisória entre o cristianismo genuinamente bíblico e o nominal. Como Fuller declarou: “Enquanto temos uma mente segundo os apóstolos, determinada a conhecer nada além de Cristo, e Ele crucificado, não correremos perigo de nos desviarmos totalmente da verdade, em qualquer de seus âmbitos; mas se perdermos de vista essa estrela-guia, logo tropeçaremos nas pedras do erro”.

Então foi assim que Fuller, quando estava falecendo em 1815, na sua última carta para o seu grande amigo e mais tarde biógrafo, John Ryland Jr., reafirmou a centralidade da cruz. Depois de citar II Timóteo 1:12, Fuller disse: “Eu sou uma criatura pobre e culpada, mas Cristo é o meu Salvador poderoso. Eu preguei e escrevi muito contra o abuso da doutrina da graça, mas toda essa doutrina é o que me salva e o que desejo. Não tenho nenhuma outra esperança fora dessa salvação por meio da simples graça soberana e eficaz, através da expiação do meu Senhor e Salvador. Com essa esperança, eu posso entrar na eternidade com tranquilidade”.


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Fontes Utilizadas:
Vários “Sítios” e enciclopédias na Internet e ainda algumas obras em papel.
Respigado daqui e dali.

Carlos António da Rocha

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