… Mas o melhor de tudo é crer em Cristo! Luís Vaz de Camões (c. 1524 — 1580)

quinta-feira, 2 de março de 2017

2 de março de 2014 • D.ª Lidia, esposa de pastor


2 de março de 2014 D.ª Lidia, esposa de pastor
Lidia Vila, aos 97 anos, tocando piano.

Neste domingo, 2 de março de 2014, faleceu aos cem anos, Lidia Vila Campderrós. Foi a fundadora da Editorial Clie (Comite de Literatura para las Iglesias Evangélicas, em Espanha) juntamente com o seu marido Samuel Vila Ventura. “A sua extensa vida foi um exemplo de oração, entrega e de serviço aos outros, um testemunho permanente da fé e de esperança cristã no Cristo ressuscitado.” A sua partida foi uma constatação da realidade das palavras do salmista quando afirma: “Preciosa é, à vista do Senhor, a morte dos seus santos.” (Sl 116:15, ARC, Pt), recordava a Editorial Clie nas suas redes sociais, nesta manhã do seu falecimento.

Lidia Vila Campderrós, nasceu em Rubi (Barcelona) em 19 de fevereiro de 1914 no seio de uma família cristã de sete irmãos. Educada por seus pais, Joaquín e Pilar, na Escola Metodista daquela povoação, onde além dos estudos gerais e teológicos aprendeu o ofício de organista. Em 1931 contraiu matrimónio com seu primo Samuel Vila Ventura (1902-92), para quem, além de esposa e mãe de seus filhos, foi também ao longo da sua vida secretária, conselheira, pregadora, ajudante (cooperadora) do pastor, organista e cozinheira. Como esposa de pastor dedicou o resto de sua vida à música e ao ministério cristão. Juntos levantaram com muito esforço o que hoje é a Editorial Clie.

Excelente comunicadora e pedagoga, as suas classes de Escola Dominical são recordadas como um autêntico tesouro pelos seus antigos alunos e alunas que reconheceram na D.ª Lidia um modelo de professora no seu sentido mais profundo: nas suas aulas ensinava lições da Bíblia, mas com o seu exemplo repartia lições de vida. Foi, sem dúvida, uma “carta viva” em que puderam ler e aprender várias gerações de crentes espanhóis.

Eficiente e fiel secretária, pelas suas mãos passaram todos os livros do seu marido e a maior parte dos publicados pelo CLIE. Também foram muito apreciadas as suas prédicas, tão práticas e cheias de anedotas que permanecem na lembrança de muitos como uma forma inesquecível de instruir deleitando. Alguns destes sermões ficaram recolhidos no livro “Tema Homiléticos Seletos” (CLIE, 1983).

No passado dia 19 de fevereiro de 2014, Dona Lidia alcançava o século de idade, e fazendo nessa ocasião uma resenha da sua longa trajetória pessoal e ministerial como crente, comunicadora e pedagoga, dizia-se com muito propósito:  “Com a cabeça bem lúcida, mostra-se ávida de falar e escutar sobre a Palavra de Deus. Conhece de cor numerosas passagens da Bíblia, em especial os salmos, e pessoalmente revisou recentemente, página após página, o manuscrito da versão espanhola de “O Tesouro de David”, de C. H. Spurgeon, traduzido e ampliado com notas pelo seu filho Eliseo, atual Presidente da CLIE.”

Dizia Pablo Martínez que D.ª Lidia passou estes últimos dias em tranquilidade no seu lar. “A sua capacidade para a música não se apagou nem sequer no fim da sua vida, aos 100 anos, ainda D.ª Lidia continua tocando ocasionalmente num pequeno órgão portátil. Com a cabeça bem lúcida, mostra-se ávida de falar e escutar sobre a Palavra de Deus. Conhece de cor numerosas passagens da Bíblia, em especial os salmos. Esta é provavelmente a atitude que melhor resume a sua vida: é uma mulher da Palavra. Por isso, as Escrituras e a constante oração se têm tornado vivas na sua pessoa até poucas horas antes de sua partida”, expressava ele na sua biografia. “Recordamo-la como um exemplo de serviço, de humildade e de generosidade” o que nos leva às palavras de Paulo “Se esperamos em Cristo só nesta vida, somos os mais miseráveis de todos os homens. Mas, agora, Cristo ressuscitou dos mortos, e foi feito as primícias dos que dormem.” (1Co 15:19-20, ARC, Pt)


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Fontes Utilizadas:
Vários “Sítios” e enciclopédias na Internet e ainda algumas obras em papel.
Respigado daqui e dali.

Carlos António da Rocha

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