… Mas o melhor de tudo é crer em Cristo! Luís Vaz de Camões (c. 1524 — 1580)

sábado, 24 de setembro de 2016

24 de setembro

C. H. Spurgeon
Leituras Vespertinas
24 de setembro

“Eu dormia, mas meu coração velava.” (Ct 5:2, ARC, Pt)

OS paradoxos abundam na experiência Cristã, e eis aqui um deles: a esposa estava dormindo e, entretanto, ela velava. Só pode interpretar o enigma do crente aquele que lavrou com a novilha da sua experiência. Os dois pontos do versículo desta noite são os seguintes: uma deplorável sonolência e uma insónia esperançosa. Eu dormia. Pelo pecado que abunda em nós, podemo-nos tornar negligentes nos nossos deveres santos, indolentes nos nossos exercícios religiosos, apáticos nos nossos gozos espirituais e inteiramente indolentes e descuidados. Isto é vergonhoso para alguém em quem habita o Espírito vivificante, e é, além disso, muitíssimo perigoso. Até mesmo as virgens prudentes dormitam algumas vezes, contudo, já são mais do que horas para sacudir de nós as ataduras da preguiça. É de temer que muitos crentes percam a sua força enquanto dormem no regaço da segurança carnal, como Sanção perdeu a sua cabeleira. Com um mundo que perece à nossa volta, dormir é cruel; com a eternidade assim à mão, é mesmo uma loucura. Poucos de nós estão tão acordados como devíamos estar sempre; alguns trovões far-nos-iam muito bem e, provavelmente, senão nos movermos logo, poderemos tê-los em forma de guerra, de pestilência, de perdas pessoais e danos. Oh que possamos deixar para sempre o leito do ócio carnal e saiamos com tochas flamejantes a receber o Noivo que vem! O meu coração velava. Este é um sinal promissor. A vida não está totalmente extinta, mesmo estando tristemente adormecida. Quando o nosso renovado coração luta contra a nossa natural indolência, deveríamos estar agradecidos à graça soberana que mantém dentro “do corpo desta morte” um pouco de vitalidade. Jesus ouvirá os nossos corações, ajudará os nossos corações, visitará os nossos corações; porque a voz do coração vigilante é, realmente, a voz do nosso Amado dizendo: “Abri-me.” Um zelo santo destrancará, sem dúvida, a porta.

“Oh! Que bela atitude! Ele está em pé,
Com um coração enternecedor e mãos estendidas;
Minh’alma renuncia a todos os seus pecados,
E convida o Visitante celestial a entrar.”




Tradução de Carlos António da Rocha

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Esta tradução é de livre utilização, desde que a sua ortografia seja respeitada na íntegra porque já está traduzida no Português do Novo Acordo Ortográfico e que não seja nunca publicada nem utilizada para fins comerciais; seja utilizada exclusivamente para uso e desfruto pessoal.

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