… Mas o melhor de tudo é crer em Cristo! Luís Vaz de Camões (c. 1524 — 1580)

terça-feira, 5 de setembro de 2017

5 de setembro


C. H. Spurgeon
Leituras Vespertinas

5 de setembro

“Entraste tu até às origens do mar?” (Jb 38:16, ARC, Pt)

ALGUMAS coisas da natureza continuarão a ser um mistério para os investigadores mais inteligentes e empreendedores. O conhecimento humano tem limites que não é possível transpor. O conhecimento ilimitado pertence somente a Deus. Se isto é assim com as coisas visíveis e temporais, posso eu estar seguro de que é ainda mais assim com as coisas espirituais e eternas. Por que, então, tenho eu de torturar a minha mente com especulações quanto ao destino e ao arbítrio, quanto à predestinação e à responsabilidade humana? Eu não posso compreender estas verdades profundas e enigmáticas, como tampouco posso descobrir as profundidades que jazem no mais profundo, donde o velho oceano tira as suas abundantes águas. Por que tenho eu de ser tão curioso para querer conhecer a razão dos atos providenciais do meu Senhor, o motivo das Suas ações e o desígnio dos Seus juízos? Poderei eu agarrar o Sol com a minha mão fechada e sustentar o universo com a palma da minha mão? Entretanto, estas coisas são como uma gota de água, comparadas com o Senhor meu Deus. Que eu não procure, pois, entender o infinito mas que eu empregue as minhas energias em amar. O que eu não posso conseguir por intermédio do entendimento posso possui-lo pelo afeto, e, com isto, devo ficar satisfeito. Eu não posso penetrar no coração do mar, mas posso desfrutar das brisas salutares que passam rapidamente pela sua superfície e navegar sobre as suas águas com ventos propícios. Se eu pudesse entrar nas origens do mar, essa façanha não teria para mim nem para outros nenhuma utilidade, pois nem salvaria o navio que se está afundando nem devolveria o marinheiro afogado à esposa e filhos que choram. Tampouco me serviria de algo a revelação que eu pudesse fazer dos profundos mistérios, pois o mais insignificante amor a Deus e o mais simples ato de obediência a Ele são melhores do que o conhecimento mais profundo. Meu Senhor, deixo em Tuas mãos o infinito e rogo-Te que apartes de mim qualquer afeto pela árvore da ciência que possa privar-me da árvore da vida.

Tradução de Carlos António da Rocha

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Esta tradução é de livre utilização, desde que a sua ortografia seja respeitada na íntegra porque já está traduzida no Português do Novo Acordo Ortográfico e que não seja nunca publicada nem utilizada para fins comerciais; seja utilizada exclusivamente para uso e desfruto pessoal.

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