… Mas o melhor de tudo é crer em Cristo! Luís Vaz de Camões (c. 1524 — 1580)

quarta-feira, 19 de outubro de 2016

19 de outubro de 1856 • Em Surrey Hall alguém grita: “Fogo!”


19 de outubro de 1856 Em Surrey Hall alguém grita: “Fogo!”

Charles Spurgeon pregando em Surrey Music Hall, por volta de 1858.
Apenas, alguns meses após pregar o seu primeiro sermão, Charles Haddon Spurgeon foi chamado para pastorear a igreja em Waterbeach. Logo ao fim de dois anos, essa igreja de quarenta membros, passou a ter cem. Então, o jovem pregador da igreja em Waterbeach desejava muito educar-se. E, como um diretor de uma escola superior de educação teológica estava de visita à cidade de Waterbeach, resolveu encontrar-se com ele. Mas a empregada doméstica do diretor que recebeu Spurgeon, por descuido, não lhe deu o recado, e acabou por abandonar o local sem saber que o jovem Spurgeon o aguardava. Contudo, a Spurgeon, já na rua, quando também se retirava, um tanto triste, veio-lhe ao coração o versículo de Jeremias (45:5): “Buscas grandes coisas para ti? Não as busques!” E, ali mesmo, abandonou de vez o projeto de ir estudar num seminário teológico, convencido de que Deus o levava para outro e melhor caminho. Não se deve concluir que Charles Spurgeon resolveu não se educar. Embora não o tenha feito formalmente, depois disso, ele aproveitava todos os seus momentos livres para estudar, vindo a ser um dos homens mais instruídos do seu tempo.



Spurgeon havia pregado em Waterbeach apenas durante dois anos quando foi chamado para pregar na Park Street Chapel, em Londres. O local era inconveniente para os cultos, e o templo, que tinha assentos para mil e duzentos ouvintes, era demasiado grande para a congregação que lá se reunia. Contudo, havia ali um grupo de crentes fiéis, Irmãos que nunca cessaram de rogar a Deus por um glorioso avivamento. Este fato é assim registado nas palavras do próprio Spurgeon: “No início, eu pregava somente para um punhado de ouvintes (crentres). Contudo, não me esqueço da insistência das orações deles. Às vezes, parecia que rogavam até que viam realmente presente o Anjo do Concerto (Cristo), que os queria abençoar. Mais de uma vez nos admirámos com a solenidade das orações até que alcançávamos quietude, quando o poder do Senhor nos sobrevinha...Assim desceu a bênção, a casa se encheu de ouvintes e foram salvas dezenas de almas!”



Sob o ministério deste jovem pregador de dezanove anos, a assistência aumentou de tal modo em poucos meses a ponto do prédio não mais comportar as multidões que acorriam para ouvir a pregação do Evangelho e centenas de ouvintes permaneciam na rua para aproveitar as migalhas que caíam do banquete dentro da casa.



Por isso, foi resolvido ampliar-se o edifício da New Park Street Chapel e, durante o tempo em que decorriam as obras, os cultos realizavam-se em Exeter Hall, um prédio que tinha capacidade para quatro mil e quinhentos ouvintes sentados. Mas mesmo aí, em menos de dois meses, os auditórios eram tão grandes, que as ruas na vizinhança, durante os cultos, se tornavam intransitáveis.



Assim que quando a Igreja se voltou a reunir em New Park Street Chapel, o problema, em vez de estar resolvido, era maior, já que três mil irmãos ocupavam o espaço que fora preparado para mil e quinhentos! Afinal, todo o dinheiro gasto na obra fora desperdiçado! Tornou-se necessário voltar para o espaço do edifício de Exeter Hall.



Mas mesmo assim nem o Exeter Hall comportava os auditórios e a igreja tomou uma atitude espectacular, aluga o Surrey Music Hall, o prédio mais amplo, imponente e magnífico de Londres, que fora construído para albergar eventos públicos.



As notícias, de que os cultos passaram do Exeter Hall para Surrey Music Hall, eletrificaram toda a cidade de Londres. O culto inaugural foi anunciado para a noite deste dia, 19 de outubro de 1856. Na tarde do dia marcado, milhares de pessoas para lá se dirigiram para marcarem lugar. Quando, por fim, o culto começou, o prédio no qual cabiam 12 000 pessoas, estava superlotado e havia mais 10 000 lá fora que não puderam entrar.



Neste primeiro culto em Surrey Music Hall, notam-se vestígios da perseguição que Spurgeon haveria de encarar. Estava ele orando, no começo do culto, quando depois da leitura das Escrituras, os inimigos da obra de Deus se levantaram, começando a gritar: “Fogo! Fogo!” Era mentira! Não havia nenhum incêndio! Apesar de todos os esforços de Spurgeon e de outros crentes, a grande massa de gente alvoroçou-se e movimentou-se em pânico, de tal modo que sete pessoas morreram e vinte e oito ficaram gravemente feridas. Depois de tudo serenado, viam-se espalhados por todo o prédio, roupas de homens e de senhoras; chapéus, mangas de vestidos, sapatos, pernas de calças, mangas e paletós, xailes, etc.., objetos que os milhares de pessoas aflitas deixaram na sua fuga precipitada para tentarem escapar do suposto fogo! Spurgeon comportou-se com a maior tranquilidade e presença de espírito durante todo o tempo da indescritível catástrofe, mas depois passou muitos dias prostrado, sofrendo horrivelmente em consequência do tremendo choque.



As notícias sobre as trágicas ocorrências durante o primeiro culto em Surrey Music Hall, em vez de prejudicarem a obra do Senhor, concorreram para aumentar o interesse pelos cultos. De um dia para o outro, Spurgeon, o jovem pregador, torna-se conhecido em todo o mundo cristão. Aceita os convites que lhe são dirigidos para pregar em cidades da Inglaterra, da Escócia, da Irlanda, do País de Gales, da Holanda e da França. Pregava ao ar livre e nos maiores edifícios, em média, oito a doze vezes por semana com muita unção do Espírito Santo, de tal maneira que ainda hoje é conhecido como “C. H. Spurgeon, o Príncipe dos Pregadores”.


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Fontes Utilizadas:
Vários “Sítios” e enciclopédias na Internet e ainda algumas obras em papel.
Respigado daqui e dali.

Carlos António da Rocha

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