… Mas o melhor de tudo é crer em Cristo! Luís Vaz de Camões (c. 1524 — 1580)

quinta-feira, 3 de novembro de 2016

3 de novembro de 1737 • A rainha Carolina de Inglaterra recebe uma “Concordância de Cruden”



3 de novembro de 1737 A rainha Carolina de 
Retrato por Jacopo Amigoni, 1735
Inglaterra  recebe uma “Concordância de Cruden


Nascido na cidade de Aberdeen, na Escócia no último dia de maio. O ano, na incerteza, há quem aponte de 1699 a 1701. Parece que consensual é o local e a data do seu falecimento: Londres, em 1 de novembro de 1770, onde Alexander Cruden, este génio escocês atormentado, viverá a maior parte da sua vida.

Estuda na sua cidade natal: primeiro, no Grammar School, depois no Marischal College, e por fim, lá na Universidade, onde, muito novo, completa o seu mestrado em filosofia e letras, num ano que desconhecemos. Esta execelente formação académica apetrecha-o na perfeição, pelo se torna um excelente perito de latim e grego, e por isso, num erudito das Letras Sagradas. Contudo, quando uma jovem lhe rejeita a sua proposta de namoro, Cruden não soube lidar com essa situação de rejeição, pelo que a sua mente fraqueja e o erudito mestre passa algum tempo num hospital de alienados. Não sabemos nem quando, nem aonde.

Em 1722 encontra-mo-lo em Londes, mas não sabemos em que estado. O que sabemos é que primeiro trabalha como tutor, era assim como se chamava aos professores particulares naquela época e depois como secretário e leitor do Conde de Derby que o despede porque Cruden não domina o francês. Há quem diga que andou ainda como tutor pela ilha de Man até ao ano de 1732. Por este tempo, Cruden aindaria já nos 30/31 anos. Estamos a falar dum homem na plenitude das suas capacidades intelectuais. Volta de novo para Londres nesse ano de 1732, abre uma loja de livros (a que hoje chamaríamos livraria) em Royal Exchange. Em abril de 1735, obtém a posição de de livreiro da Rainha Carolina de Inglaterra por recomendação do prefeito e da maioria dos vereadores da cidade de Londres. Ainda vai também trabalhando como corretor da imprensa diária. E depois sempre escreveu como era praxe dos eruditos do seu tempo. Escreveu muito e publicou muito. Até é dele uma das edições revistas do Comentário monumental de Henry Mathew!

Mas o lugar de Cruden na História da Igreja é devido à sua contribuição para a erudição do estudo da Bíblia. Nas suas próprias palavras: “A concordância é um dicionário, ou um índice da Bíblia, onde todas as palavras utilizadas pelos Escritos Inspirados são organizadas em ordem alfabética, e os vários locais onde elas ocorrem são referidos para nos ajudar a encontrar as passagens e as várias significações/sentidos da mesma palavra são comparados.”

Como todos sabemos, uma concordância bíblica é um dicionário que lista as palavras que aparecem na Bíblia e mostra em que versículos elas podem ser encontradas. Quando consideramos a extensão da Bíblia é que se pode facilmente ver a utilidade duma ferramenta desta natureza, como é o caso de uma concordância bíblica. A melhor concordância publicada, é isto, que havia nos dias de Cruden listava as palavras com os números dos versículos sob elas. E ela era fruto de uma multidão de especialistas bíblicos! É que na sua preparação trabalharam nela nada menos do que cinco centenas de especialistas!

Alexander Cruden começa a preparar e a trabalhar na sua Concordância em 1735. Esta tarefa vai tornar-se no trabalho e na obra da sua vida. Trabalhando sozinho, das sete à 1 da manhã, diariamente, durante dezoito meses, com apenas uma pausa para se alimentar e dormir, logo ele acaba a sua nova concordância. A grande inovação da Sua Concordaância foi o citar um pouco de poesia em torno de cada palavra estudada. Finalmente, concluído o seu trabalho, publica-o pela primeira vez em 1737 com o título de “A Complete Concordance to the Holy Scriptures” e que ficará conhecida como a “Concordância de Cruden.” E é então munido de um dos primeiros exemplares da sua Concordância acabado de sair do prelo que Alexander Cruden vai neste dia, 3 de novembro de 1737, pessoalmente apresentá-lo e presenteá-lo à rainha Carolina de Inglaterra. Imaginamos com que alegria e em que elevação de espírito!

Mas a realidade é que a primeira edição da “Concordância Bíblica de Cruden” não vendeu bem. Cruden fica deprimido. As 2 edições posteriores da sua Concordância, a de 1761 e a de 1769, vendem muito melhor. E desde então ainda se vai publicando nos nossos dias.

Alexander Cruden morre repentinamente a 1 de novembro de 1770 enquanto rezava, pelos 70/1 anos. Fora encontrado de joelhos, ao lado da cama, com uma Bíblia aberta na frente dele.

Mas a sua Concordância tornara-se numa tão valiosa ferramenta para os pregadores do evangelho e para os cristãos em geral. Visto que uma concordância é uma ferramenta tão necessária para o Cristão (pregador/pastor/simples fiel, crente em geral) “como uma plaina para o carpinteiro, ou um arado para o lavrador” então C. H. Spurgeon afirmou que o Cruden “meio louco” tinha feito mais pelo conhecimento da Bíblia que os eruditos nas universidades! 


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Fontes Utilizadas:
Vários “Sítios” e enciclopédias na Internet e ainda algumas obras em papel.
Respigado daqui e dali.

Carlos António da Rocha

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