… Mas o melhor de tudo é crer em Cristo! Luís Vaz de Camões (c. 1524 — 1580)

sábado, 5 de novembro de 2016

5 de novembro de 1607 • “O Céu é o limite”



5 de novembro de 1607 “O Céu é o limite”
Anna Maria van Schurman, retratada por Jan Lievens (1649)
Não é um argumento de um filme. Mas podia ser. É o roteiro de vida de todo o Cristão! E quem a pronunciou viveu-a na perfeição.

Esta frase famosa aparece numa carta de Anna Maria van Schurman, nascida neste dia, 5 de novembro de 1607, endereçada à teóloga francesa Marie de Gournay, em defesa do acesso das mulheres ao estudo das ciências sem nenhum tipo de restrições.

Van Schurman dominava catorze (14!) idiomas que seria fastidioso enumerar (o que é desde logo um nobre corretivo àqueles que como eu só balbuceiam a sua língua materna com dois dentes de leite), a álgebra, a aritmética, a geometria e a astronomia, … mas acima de tudo era teóloga.

Para ela, a expressão “o Céu é o limite” significava que o critério último é Deus e não os costumes ou as convenções e conveniências humanas. “Deus criara tanto a mulher como o homem à Sua imagem, e fê-los seres racionais para que O louvem por meio da criação; as capacidades de cada pessoa são um dom que Deus lhe deu e dos quais Deus os torna pessoalmente responsáveis no seu uso”, concluiu ela da leitura que fez da “parábola dos talentos”, do Santo Evangelho Segundo Mateus Evangelho 25:14-30. E que ”viver humanamente, viver cristãmente, significa responder com toda a gravidade e responsabilidade ao dom de Deus em nós, cultivando os próprios talentos fielmente até ao limite para assim O louvar.”

Esta ínclita polímate, que aos 4 anos já sabia ler, se tinha licenciado em direito, dominava catorze idiomas, entre as quais várias línguas europeias contemporâneas, o latim, o grego, o hebraico, o árabe, o siríaco, o aramaico e o etíope, que sobressaía na arte, na música e na literatura e que via que “O céu é o limite”, porém, Anna Maria van Schurman, cristã sincera, lendo o mesmo Evangelho um pouco mais à frente até ao versículo 46, entendia que os limites práticos do seu “Céu” eram as suas duas tias idosas e enfermas que ela pessoalmente cuidou durante mais de vinte anos!

E como dou graças a Deus e  fico feliz porque ainda hoje “o Céu é o limite” para muita gente!



“O sermão continua: A parábola dos dez talentos

14Porque isto é, também, como um homem que, partindo para fora da terra, chamou os seus servos, e entregou-lhes os seus bens; 15E a um deu cinco talentos, e a outro dois, e a outro um, a cada um segundo a sua capacidade, e ausentou-se logo para longe. 16E, tendo ele partido, o que recebera cinco talentos negociou com eles e granjeou outros cinco talentos. 17Da mesma sorte, o que recebera dois granjeou, também, outros dois; 18Mas o que recebera um foi e cavou na terra e escondeu o dinheiro do seu senhor. 19E, muito tempo depois, veio o senhor daqueles servos e fez contas com eles. 20Então aproximou-se o que recebera cinco talentos e trouxe-lhe outros cinco talentos, dizendo: Senhor, entregaste-me cinco talentos; eis aqui outros cinco talentos que granjeei com eles. 21E o seu senhor lhe disse: Bem está, servo bom e fiel. Sobre o pouco foste fiel, sobre muito te colocarei; entra no gozo do teu senhor. 22E, chegando também o que tinha recebido dois talentos, disse: Senhor, entregaste-me dois talentos; eis que com eles granjeei outros dois talentos. 23Disse-lhe o seu senhor: Bem está, bom e fiel servo. Sobre o pouco foste fiel, sobre muito te colocarei; entra no gozo do teu senhor. 24Mas, chegando também o que recebera um talento, disse: Senhor, eu conhecia-te, que és um homem duro, que ceifas onde não semeaste e ajuntas onde não espalhaste; 25E, atemorizado, escondi na terra o teu talento; aqui tens o que é teu. 26Respondendo, porém, o seu senhor, disse-lhe: Mau e negligente servo; sabes que ceifo onde não semeei e ajunto onde não espalhei; 27Devias, então, ter dado o meu dinheiro aos banqueiros, e, quando eu viesse, receberia o meu com os juros. 28Tirai-lhe pois o talento, e dai-o ao que tem os dez talentos. 29Porque, a qualquer que tiver, será dado, e terá em abundância; mas, ao que não tiver, até o que tem ser-lhe-á tirado. 30Lançai, pois, o servo inútil nas trevas exteriores; ali haverá pranto e ranger de dentes.



O fim do sermão profético: A vida eterna e o castigo eterno

31E quando o Filho do homem vier em sua glória, e todos os santos anjos com ele, então se assentará no trono da sua glória; 32E todas as nações serão reunidas diante dele, e apartará uns dos outros, como o pastor aparta dos bodes as ovelhas; 33E porá as ovelhas à sua direita, mas os bodes à esquerda. 34Então dirá o Rei aos que estiverem à sua direita: Vinde, benditos do meu Pai, possuí por herança o reino que vos está preparado, desde a fundação do mundo; 35Porque tive fome, e destes-me de comer; tive sede, e destes-me de beber; era estrangeiro, e hospedastes-me; 36Estava nu, e vestistes-me; adoeci, e visitastes-me; estive na prisão, e fostes ver-me. 37Então os justos lhe responderão, dizendo: Senhor, quando te vimos com fome, e te demos de comer? ou com sede, e te demos de beber? 38E quando te vimos estrangeiro, e te hospedámos? ou nu, e te vestimos? 39E quando te vimos enfermo, ou na prisão, e fomos ver-te? 40E, respondendo o Rei, lhes dirá: Em verdade vos digo que, quando o fizestes a um destes meus pequeninos irmãos, a mim o fizestes. 41Então dirá, também, aos que estiverem à sua esquerda: Apartai-vos de mim, malditos, para o fogo eterno, preparado para o diabo e os seus anjos; 42Porque tive fome, e não me destes de comer, tive sede, e não me destes de beber; 43Sendo estrangeiro, não me recolhestes; estando nu, não me vestistes; e enfermo, e na prisão, não me visitastes. 44Então eles, também, lhe responderão, dizendo: Senhor, quando te vimos com fome, ou com sede, ou estrangeiro, ou nu, ou enfermo, ou na prisão, e não te servimos? 45Então lhes responderá, dizendo: Em verdade vos digo que, quando a um destes pequeninos o não fizestes, não o fizestes a mim. 46E irão estes para o tormento eterno, mas os justos para a vida eterna.” (Mt 25:14-46, ARC, Pt)

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Fontes Utilizadas:
Vários “Sítios” e enciclopédias na Internet e ainda algumas obras em papel.
Respigado daqui e dali.

Carlos António da Rocha

Este texto é de livre utilização, desde que a sua ortografia seja respeitada na íntegra porque já está escrito com o Português do Novo Acordo Ortográfico e que não seja nunca publicado nem utilizado para fins comerciais; seja utilizado exclusivamente para uso e desfruto pessoal.

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