… Mas o melhor de tudo é crer em Cristo! Luís Vaz de Camões (c. 1524 — 1580)

quinta-feira, 17 de novembro de 2016

17 de novembro de 1525 • Leonor, Infanta e Rainha de Portugal, “Princesa Perfeitíssima”



17 de novembro de 1525 Leonor, Infanta e Rainha de Portugal, “Princesa Perfeitíssima”
  Estátua da rainha D. Leonor em Beja, sua cidade natal.
Nasce em Beja em 2 de maio de 1458. E Leonor foi destinada ao nascer a João II de Portugal o "Príncipe Perfeito" por vontade e promessa do seu tio Afonso V, quando nasceu, ao seu único irmão e melhor amigo, pai da noiva, o infante D. Fernando. Em 22 de janeiro de 1470 casa com o primo João quando apenas tinha 12 anos de idade, e o noivo 15. Tendo crescido juntos e amigos, tiveram um casamento unido e feliz, que nem, quando o rei teve de executar o irmão mais velho da rainha, o seu primo e cunhado Diogo, duque de Viseu e Beja, e de mandar julgar e decapitar o seu outro cunhado Fernando II, Duque de Bragança, ambos por traição e conjura a favor dos primos Isabel de Castela e Fernando de Aragão, os Reis Católicos, se viu afectado. Desse casamento nasceu o príncipe D. Afonso, nascido em 1475 e que morre de acidente, numa queda de cavalo, em 1491 na Ribeira de Santarém.

O rei João II, de Portugal, era seu primo direito e segundo, pelo lado paterno, e o mesmo pelo lado materno. De facto, tanto o rei como a rainha eram netos, cada qual, de dois filhos diferentes de João I e de Filipa de Lancastre. Após a morte do rei, seu marido, em 1495, subiu o seu irmão Manuel ao trono, e ao casar-se este, a rainha passou a ser conhecida como "Rainha Velha" até à sua morte.



Descendente da Ínclita Geração, entre a vasta prole de João I e da sua Rainha Filipa de Lencastre, Leonor veio a ser, sem dúvida, uma das mais notáveis soberanas portuguesas de todos os tempos, pela sua vida, importância, influência, obra, e legado aos vindouros.



Leonor viveu e reinou no apogeu da fortuna da expansão portuguesa, quando Lisboa se transformava na capital europeia do comércio de riquezas exóticas: e foi por isso mesmo no seu tempo a mais rica princesa da Europa, conforme é demonstrado pela pesquisa recente a respeito da administração da sua grande casa.



Essa grande fortuna, que cresceu exponencialmente com a chegada à Índia e com o comércio ultramarino, visto seu pai ter sido filho adoptivo e herdeiro universal do Infante D. Henrique, o Navegador, e das grandes mercês que recebeu dos reis portugueses um seu marido e outro seu irmão, empregou-a ela depois de viúva na prática da caridade constante, da devoção verdadeira, no patrocínio de obras religiosas, e sobretudo na assistência social aos pobres: assim, encorajou, fomentou e financiou o projecto de Frei Miguel Contreiras de estabelecimento de Misericórdias gerida por irmandades em todo o reino, notável iniciativa precursora em toda a Europa.



A rede de Misericórdias portuguesa que é obra sua, ainda hoje chega até aos nossos dias, sempre activa no papel social e caritativo a que a rainha a destinou.



Apoiou o seu irmão el-rei D. Manuel na fundação do Hospital de Todos os Santos, no Rossio de Lisboa, o melhor hospital da Europa no seu tempo; e esteve ainda na origem da fundação do Hospital Termal das Caldas da Rainha, cuja construção e funcionamento custeou, e que dela tira o seu nome.



A rainha Leonor, depois de enviuvar desprezando a vida mundana, retirou-se para viver no seu Paço de Xabregas com a imensa massa dos seus servidores e criados. Assim esta residência independente em Xabregas permitia-lhe levar uma vida mais serena e propícia à devoção e à austeridade religiosas que determinou a seguir.



Leonor, Infanta e Rainha de Portugal, faleceu no seu Paço de Xabregas, em Lisboa neste dia, 17 de novembro de 1525, aos 67 anos. Ali mesmo, em Xabregas, quis ficar sepultada, no seu magnífico Convento da Madre de Deus, em estilo gótico manuelino, em campa rasa de fria e nua pedra, num lugar de passagem, para que todos a pisassem: gesto de grande humildade que comove, e quis deixar aos vindouros que por ali viessem a passar como sinal da pequenez das coisas do mundo diante da eternidade.



Falamos da mais rica princesa da Europa que pela sua vida exemplar, pela prática constante da misericórdia, e mais virtudes cristãs, alcançou de alguns historiadores o epíteto de "Princesa Perfeitíssima" para quem “a glória do mundo não passa de um sopro, um vapor, uma espuma, um fantasma, uma sombra, um reflexo, uma aparição, um nada” no dizer de Thomas Brooks, pregador puritano (1608–1680). “Porque nada trouxemos para este mundo, e manifesto é que nada podemos levar dele.” (1Tm 6:7, ARC, Pt) E  “não são muitos os sábios segundo a carne, nem muitos os poderosos, nem muitos os nobres que são chamados.” (1Co 1:26, ARC, Pt)

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Fontes Utilizadas:
Vários “Sítios” e enciclopédias na Internet e ainda algumas obras em papel.
Respigado daqui e dali.

Carlos António da Rocha

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