… Mas o melhor de tudo é crer em Cristo! Luís Vaz de Camões (c. 1524 — 1580)

sexta-feira, 18 de novembro de 2016

18 de novembro de 1925 • Ana (Mboweni) Mathusse “deixa, verdadeiramente, a morte e entra na vida."



18 de novembro de 1925 Ana (Mboweni) Mathusse
 “deixa, verdadeiramente, a morte e entra na vida.
 
Num dia de 1924, ao anoitecer, as três irmãs Mboweni chegavam a Njatigue depois de ouvirem acerca da missão nazarena que lá havia. Então, elas anunciaram que tinham para ido lá à procura de alimento espiritual e tinham ido para lá com intenção de lá ficar. Lá não havia lugar para elas; e na missão nazarena disseram-lhes que elas deviam voltar para a Missão Metodista em Tavane. E elas assim fizeram. Pela manhã partiram e tendo obtido as cartas de recomendação do seu missionário metodista, o Rev. Harkness logo estavam as três de volta à missão nazarena de Njatigue ainda naquela mesma noite depois de caminharem cerca de trinta e tal quilómetros! E a partir de então já houve lugar para as jovens Estele, Ana e Amélia Mboweni!




Estele e Ana tinham sido expulsas pela família porque recusaram deixar que a sua irmã mais nova, a Amélia, fosse dedicada aos demónios. Isto estava acontecer na casa delas em Mabunganine, onde a igreja metodista fora obrigada a fechar as portas, porque a lei colonial portuguesa proibia as atividades protestantes no distrito de Chibuto, na província de Gaza, em Moçambique. As três irmãs, como não tinham onde viver, foram forçadas a andar dois dias até encontrarem refúgio em Tavane, na missão metodista.



Durante o grande avivamento de 1925, elas arrependeram verdadeiramente. O Senhor perdou-lhes os pecados e encontraram a salvação. Em 1929 Ana testificou a este respeito, dizendo: "Eu estive espiritualmente paralisada durante quatro anos. O meu coração encheu-se de alegria porque Jesus arrancou a pedra do meu coração. Nunca me esquecerei do dia 18 de novembro de 1925. Eu deixei verdadeiramente a morte e entrei na vida." Duas das irmãs Mboweni lembraram-se de que elas tinham furtado amendoins da Missão Metodista em Tavane; e assim elas pediram emprestado uma pequena quantidade de amendoins e levaram-na a Tavane para fazerem a restituição do que haviam surripiado. Emocionado pelo seu ato nobre fruto do seu novo viver, o missionário Harkness perdoou-lhes o sucedido de boa mente.



Durante os avivamentos de 1927-1928 as três jovens buscaram a santificação. E durante dois dias ficaram na sua cubata orando com fé ao seu Deus. Ao terceiro dia levantou-se uma nuvem de poeira enquanto todos corriam rejubilantemente em volta da missão gritando: "Ele chegou, O Espírito Santo chegou!" Elas continuaram a levar vidas vitoriosas. Todas casaram com ministros cristãos. A Estele casou com o pastor Samuel Mondlane.



Ana Mboweni sabia como orar, porque sabia em quem confiava. Ela casou com o Rev. Zacarias Mathusse, ministro principal desde as minas de Joanesburgo. Ana sentia que Deus a estava a chamar fortemente para ser pregadora. Embora isso fosse contrário ao que era habitual, ela foi bem aceite e veio a ser a primeira mulher nazarena evangelista em Moçambique. Foi também a primeira mulher a ser eleita para o comité executivo do Distrito Norte da Igreja do Nazareno em Moçambique



Tradicionalmente as pessoas em África consideravam que o nascimento de gémeos trazia grande calamidade, mas Ana e Zacarias Mathusse escreveram: "Regozijai-vos connosco, pois o Senhor deu-nos gémeos.” Depois de vinte e cinco anos de casados o seu marido contraiu tuberculose e morreu em casa. Ana recusou a cerimónia tradicional de purificação, e a família dela (em Moçambique o conceito de família e muito alargado) sentia medo de se aproximar dela e das filhas gémeas, Marta e Ada; mas concordaram em deixá-las ir viver em Tavane, na missão metodista.



Em 1941 Ana acompanhava um grupo que tinha ido visitar uma colónia de leprosos, a uma distância de cerca de oitenta quilómetros. A colónia ficava numa ilha no meio do lago Chidengele. Naquela tarde, levantou-se um temporal quando vinham de regresso, e o barco em que viajavam virou-se quando estava quase na praia. Todos os passageiros conseguiram salvar-se menos o Rev. Glenn Grose, que por acaso até sabia nadar. Em 1998 o missionário Douglas Perkins visitou esta mesma colónia de leprosos, que agora se encontra na margem do lago. E ele perguntou se alguém se lembrava daquela visita que ocorrera em 1941. Um homem cujos dedos tinham sido carcomidos pela lepra, ficando-lhe apenas o toco; e cujo nariz também tinha sido atingido, aproximou-se com uma Bíblia esfarrapada que lhe tinha sido ofertada naquela visita, cinquenta e sete anos atrás. Isto foi confirmado quando viram o nome e uma assinatura e uma fotografia velha e amarelada que ainda estava dentro dessa Bíblia.



Ana Mathusse veio a ter graves problemas de coração e, pouco depois, em 1945, ficou ferida gravemente quando o autocarro em que ela viajava para Suazilândia capotou. Na altura foi anunciado que ela tinha morrido, mas felizmente estava apenas inconsciente; porém, ainda assim acabou por lhe ser amputado um dos braços. E também a sua filha gémea mais velha, Marta, acabou por morrer de tuberculose. A família e os vizinhos censuraram-na dizendo que todos estes desastres resultaram da ira dos espíritos ancestrais. Ela lutou muito em oração com isto, e Deus ajudou-a a vencer. Conseguia que as meninas da escola, na missão metodista, em Tavane, a ajudassem carregando-lhe água e a pilando-lhe milho.



O Senhor durante anos tem usado grandemente esta senhora nos avivamentos e nas reuniões de senhoras crentes. Em 1995 ainda Ana Mathusse, esta senhora idosa crente, vivia na missão de Tavane. É uma senhora cristã, radiante, cheia do Espírito. Em 1997, ela foi hospitalizada na Suazilândia, com uma perna partida. No final do mesmo ano durante uma visita do Rev. Paul Dayhoff a Matsapha, na Suazilândia, ele estava-a fotografando quando ela ouviu o nome dele, e Ana começou a contar-lhe da visita do seu pai, o Rev. Irvin E. Dayhoff, à região de Manjacaze em 1920, e como ela se lembrava, era como se fosse agora, da pregação dele!



Em 1998 Ana Mathusse era a última cristã sobrevivente que procedia da Missão Metodista no sul da África do vasto território delimitado pelos rios Púnguè e Incomati. Ela partiu para recebe o seu galardão certo durante a Semana Santa, em 2000, aos 92 anos!



Os Cristãos Nazarenos em Moçambique sofreram muito com as lutas políticas e que acabariam na expulsão dos missionários do país. Benjamin Langa, que ficou na direção da Missão de Tavane, uma vez pregou o santo Evangelho com armas apontadas para ele! Contudo refiro ainda que neste mesmo dia, 18 de novembro de 1994, os últimos soldados hostis abandonaram a Missão de Tavane, que fora uma obra da Igreja do Nazareno em Moçambique, deixando-a em ruínas. Lá a nossa Irmã Ana (Mboweni) Mathusse passara grande parte da sua vida que foi um grande testemunho para os infiéis, uma grande lição para os crentes em geral, e um grande louvor e honra para o seu Senhor e Salvador, e pela graça de Deus, nosso também, Cristo Jesus!


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Fontes Utilizadas:
Vários “Sítios” e enciclopédias na Internet e ainda algumas obras em papel.
Respigado daqui e dali.

Carlos António da Rocha

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