… Mas o melhor de tudo é crer em Cristo! Luís Vaz de Camões (c. 1524 — 1580)

quarta-feira, 2 de novembro de 2016

2 de novembro de 1896 • C. H. M. parte em paz, para estar com o seu Senhor



2 de novembro de 1896 C. H. M.  
parte em paz, para estar com o seu Senhor

Charles Henry Mackintosh, cujos iniciais “C. H. M.” são bem conhecidos por muitos cristãos no mundo inteiro, nasceu em outubro de 1820 em Glenmalure Barracks no condado de Wicklow, na Irlanda. O seu pai era capitão e servira no “Highlanders’ Regiment” na Irlanda. A sua mãe era a filha de Lady Weldon e procedia de uma antiga família natural da Irlanda. Aos 18 anos o jovem experimentou um despertamento espiritual quando leu umas cartas que lhe foram escritas pela sua irmã após a conversão dela. C. H. M. recebeu a paz espiritual após a leitura do texto de John Nelson Darby “As operações do Espírito Santo”. Tornou-se especialmente importante para C. H. M. o facto de que a base da paz com Deus não é a obra de Cristo em nós, mas para nós.



Enquanto jovem cristão, C. H. M. aceitou emprego num negócio em Limerick. Lia muito a Palavra de Deus e ocupava-se assiduamente com diversos estudos que fazia nela. No ano de 1844, abriu uma escola particular em Westport e, com grande zelo, ocupou-se no trabalho pedagógico. A sua postura espiritual foi caracterizada pelo desejo de dar a Cristo o primeiro lugar na sua vida, sem limitação alguma, e de considerar a obra d’Ele como a sai coisa principal. Quando, porém, notou em 1853 que o trabalho na escola o ocupava de tal forma que temia que ele se tornasse no seu interesse principal, desistiu desse serviço. Na sequência disso, foi a Dublin, onde entrou em contacto com John Gifford Bellet e com outros Irmãos. Nessa época começou a anunciar publicamente a Palavra de Deus tanto a crentes como a incrédulos. E também já começara a escrever as suas refelexões espirituais sobre os cinco livros de Moisés, o Pentateuco. É assim que, nos próximos anos, subsequentemente, vão aparecendo os estudos sobre todos os cinco livros do Pentateuco. Estas obras, caracterizadas por um espírito assaz evangelístico, passaram a ser publicadas com grandes tiragens nos próximos anos. O seu amigo e Irmão na fé, Andrew Miller escreveu um prefácio para esses cinco volumes, onde afirma com toda a razão e verdade: “A total perversão do ser humano por meio do pecado e a perfeita salvação de Deus em Cristo são apresentadas com pormenor, clareza e precisão.”



Como comentador C. H. Mackintosh possuía um estilo que era de fácil compreensão até para o leitor mais indouto. Sabia expressar os seus pensamentos poderosamente e com clareza. Alguns dos seus comentários talvez, à primeira vista, tenham aparecido estranhos a muitos salvos, porém têem sido de grande ajuda para muitos leitores até hoje, por causa da sua fidelidade à Palavra de Deus e à sua confiança em Cristo.



Além do seu ministério de escritor, também C. H. M. anuncia e defende durante muitos anos o Evangelho e a verdade cristã, e Deus claramente Lhe reconhecia o seu serviço. Quando a Irlanda experimentou um grande movimento de despertamento espiritual nos anos de 1859 a 1860, também C. H. Mackintosh esteve presente no serviço ativo.



Os primeiros volumes anuais da sua revista “Things New and Old” (“Coisas Novas e Velhas”) contêm muitos testemunhos daquela sua atividade. C. H. Mackintosh iniciara essa revista mensal em 1858 em conjunto com o seu amigo e Irmão na fé Andrew Miller. Durante décadas ela foi uma fonte de ensino e de edificação espirituais para os crentes. Alguns dos artigos nela contidas foram traduzidos para o alemão e publicados na revista “Botschafter des Heils in Christo” (“Mensageiro da Salvação em Cristo”. No ano de 1880, C. H. Mackintosh passou a sua atividade de editor da revista “Things New and Old” a Charles Stanley, que a editou até ao ano de 1890.



C. H. Mackintosh era um grande homem de fé no Senhor. Estava sempre pronto a testemunhar que Deus o levava muitas vezes em provas. Nunca o Senhor o deixou passar qualquer necessidade, enquanto ele O estava servindo no serviço do Evangelho, sem que ele exercesse qualquer profissão renumerada, ou tivesse qualquer fonte de outro rendimento. C. H. Mackintosh vivia literalmente pela fé no Senhor!



É difícil contabilizar as consequências dos seus escritos. Cartas de todos os lugares do mundo lhe chegaram, expressando gratidão e reconhecimento pelas suas notas publicadas sobre o Pentateuco. Dwight L. Moody e C. H. Spurgeon confessaram que deviam muitas bençãos espirituais aos escritos de C. H. Mackintosh. Moody afirmou certa vez: “C. H. Mackintosh tinha a maior influência sobre mim”.



Assim como “As notas sobre o Pentateuco”, assim também os seis volumes de “Miscellaneous Writings” (“Escritos Mistos”), sempre têm sido reeditados. É um fato interessante na vida de C. H. Mackintosh que o seu primeiro texto publicado tivesse tido o título “A Paz de Deus” e que poucos meses antes do seu falecimento ele tenha enviado um manuscrito ao seu editor com o título “O Deus da Paz”.



Nos últimos quatro anos da sua vida C. H. Mackintosh morava em Cheltenham onde continuava o seu ministério escrito, acontecendo, às vezes, que tinha de parar com o seu serviço de pregação oral devido à sua frágil saúde.  Tinha de saber dosear as suas forças, enquanto ia louvandoe trabalhando para a glória de Deus e a be^ncção dos irmãos.



E foi assim que neste dia, 2 de novembro de 1896, com cerca de 76 anos, o Irmão C. H. M. partiu em paz para estar com o Seu Senhor. Quatro dias depois, foi sepultado ao lado da sepultura da sua querida esposa, entretanto falecida. Neste serviço cristão estiveram presentes os Irmãos e muitos amigos das cercanias. O Dr Walter T. P. Wolston, de Edinburgh, que dirigiu o serviço religiosos pregou baseado em Génesis 25:8-10 e Hebreus 8:10, tendo como símile o sepultamento de Abraão, pai de uma multidão, e nosso pai espiritual. Para finalizar o serviço das exéquias de Charles Henry Mackintosh, deste amado filho de Deus, os presentes lá reunidos, na sua grande maioria crentes, gozosos entoaram solemente este hino da autoria do Irmão Darby:



“O bright and blessed scenes,

Where sin can never come;

Whose sight our longing spirits weans

From earth where yet we roam.”



Que numa tradução literal será mais ou menos isto:

“Ó cenas brilhantes e abençoadas,

Em que pecado nunca pode entrar;

Cuja visão afasta os nossos espíritos desejosos

Da terra, pela qual ainda estamos viajando.”

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Fontes Utilizadas:
Vários “Sítios” e enciclopédias na Internet e ainda algumas obras em papel.
Respigado daqui e dali.

Carlos António da Rocha

Este texto é de livre utilização, desde que a sua ortografia seja respeitada na íntegra porque já está escrito com o Português do Novo Acordo Ortográfico e que não seja nunca publicado nem utilizado para fins comerciais; seja utilizado exclusivamente para uso e desfruto pessoal.

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