… Mas o melhor de tudo é crer em Cristo! Luís Vaz de Camões (c. 1524 — 1580)

quinta-feira, 24 de novembro de 2016

24 de novembro de 380 • Fazia-se público o Édito de Tessalónica


24 de novembro de 380 Fazia-se público o Édito de Tessalónica

Ambrósio  de Milão nega a entrada na igreja ao Imperador Teodósio, 
por Anthony van Dyck, National Gallery
O Édito de Tessalónica, também conhecido como “Cunctos Populos” ou “De Fide Catolica” foi decretado pelo Imperador romano Teodósio I a 27 de fevereiro de 380 pelo qual estabelecia que o Cristianismo tornar-se-ia, exclusivamente, a religião de estado, no Império Romano, abolindo todas as práticas politeístas dentro do império e fechando todos os templos pagãos.



Mas só neste dia, 24 de novembro de 380, é que era publicado o Édito de Tessalónica nos seguintes termos:



“IMPPP. GR(ATI)IANUS, VAL(ENTINI)ANUS ET THE(O)D(OSIUS) AAA. EDICTUM AD POPULUM VRB(IS) CONSTANTINOP(OLITANAE). Cunctos populos, quos clementiae nostrae regit temperamentum, in tali volumus religione versari, quam divinum Petrum apostolum tradidisse Romanis religio usque ad nuc ab ipso insinuata declarat quamque pontificem Damasum sequi claret et Petrum Aleksandriae episcopum virum apostolicae sanctitatis, hoc est, ut secundum apostolicam disciplinam evangelicamque doctrinam patris et filii et spiritus sancti unam deitatem sub parili maiestate et sub pia trinitate credamus. Hanc legem sequentes Christianorum catholicorum nomen iubemus amplecti, reliquos vero dementes vesanosque iudicantes haeretici dogmatis infamiam sustinere ‘nec conciliabula eorum ecclesiarum nomen accipere’, divina primum vindicta, post etiam motus nostri, quem ex caelesti arbitro sumpserimus, ultione plectendos. DAT. III Kal. Mar. THESSAL(ONICAE) GR(ATI)ANO A. V ET THEOD(OSIO) A. I CONSS.”

—Código de Teodosio 16.1.2



(Traduzido em Português:)

“Édito dos Imperadores Graciano, Valentiniano (II) e Teodósio Augusto, ao povo da cidade de Constantinopla.

Queremos que todos os povos governados pela administração da nossa clemência professem a religião que o divino apóstolo Pedro deu aos romanos, que até hoje foi pregada como a pregou ele próprio, e que é evidente que professam o pontífice Dâmaso e o bispo de Alexandria, Pedro, homem de santidade apostólica. Isto é, segundo a doutrina apostólica e a doutrina evangélica cremos na divindade única do Pai, do Filho e do Espírito Santo sob o conceito de igual majestade e da piedosa Trindade. Ordenamos que tenham o nome de Cristãos católicos aqueles que sigam esta norma, enquanto os demais os julgamos dementes e loucos sobre os quais pesará a infâmia da heresia. Os seus locais de reunião não receberão o nome de igrejas e serão objeto, primeiro da vingança divina, e depois serão castigados pela nossa própria iniciativa que adotaremos seguindo a vontade celestial.

Dado no terceiro dia das Calendas de março em Tessalónica, no quinto consulado de Graciano Augusto e primeiro de Teodósio Augusto.”



Com este Édito, o Império Romano na íntegra passava a ter uma nova religião oficial. O Panteão Romano fora complementado ao longo de muitos séculos com deuses, deidades e lares domésticos, com o culto aos próprios antepassados e até mesmo com divindades pré-romanas que foram assimiladas durante o processo de romanização em muitos lugares do Império. Tudo isto devia ser agora abandonado.



Contudo, esta oficialização do Cristianismo também não beneficiou em nada a Igreja. Como autoridade suprema do Império, Teodósio incluiu o sacerdócio no funcionalismo público, o que na prática os punhas sob a sua açaçada e autoridade.



No ano seguinte à promulgação do Édito de Tessalónica, o mesmo Imperador Teodósio convocava o Primeiro Concilio Ecuménico de Constantinopla. O seu objetivo era conciliar a ortodoxia cristã com os simpatizantes do arianismo e resolver a problemática da heresia macedónica e também estabelecer o credo Niceno como a doutrina oficial da Igreja.



Contudo as fortes tensões geradas neste período entre a Igreja e o Estado levaram à excomunhão que o mesmo Imperador Teodósio sofreria em 390, decretada por Aurélio Ambrósio, bispo de Mediolano (moderna Milão) após a revolta e a posterior matança em Tessalónica, onde teriam sido mortas cerca de seis mil pessoas. O Imperador foi repreendido publicamente pelo bispo de Mediolano, negando-lhe este a entrada na igreja e o Imperador apenas foi readmitido depois de diversos meses de penitência. Após estas ocorrências, o Imperador decretou em 392 a proibição dos sacrifícios pagãos, o que levou a que a imensa massa da população do império se torna-se cristã, sem o ser, porque é preciso nascer de novo, do espirito Santo, para se ser Cristão. E baseado nesta nova proibição começa uma forte repressão, que do das autoridades do Estado quer da Igreja contra a população pagã, que teve o seu clímax na destruição da biblioteca de Alexandria e do grande templo de Serápis por uma multidão de Cristãos encabeçada por Teófilo de Alexandria, Patriarca de Alexandria, no Egito! E, assim as Igrejas depressa se encheram de pagãos que temendo pela própria vida, agora já são Cristãos! Isto é entregar o ouro ao bandido! É dar pérolas aos porcos! E o que daí veio… O Senhor Jesus bem afirmou: ”Não deis aos cães as coisas santas, nem deiteis aos porcos as vossas pérolas, não aconteça que as pisem com os pés, e, voltando-se, vos despedacem.” (Mt 7:6, ARC, Pt)


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Fontes Utilizadas:
Vários “Sítios” e enciclopédias na Internet e ainda algumas obras em papel.
Respigado daqui e dali.

Carlos António da Rocha

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