… Mas o melhor de tudo é crer em Cristo! Luís Vaz de Camões (c. 1524 — 1580)

terça-feira, 29 de novembro de 2016

29 de novembro de 1511 • Ursula Cotta, a benfeitora de Martinho Lutero



29 de novembro de 1511  Ursula Cotta, a benfeitora de Martinho Lutero
Lutero cantando para Ursula Cotta
Ursula Cotta, nascida Schalbe, nasce, vive e morre na cidade de Eisenach, na Alemanha neste dia, 29 de novembro de 1511, portanto, ainda antes de Lutero ser conhecido. Ele só afixaria as suas “95 Teses” na porta da Igreja do Castelo de Wittenberg, em 31 de outubro de 1517 num convite aberto À Reforma, portanto, seis anos depois dela ter falecido. Ursula era a esposa do prefeito e patrício de Eisenach, Conrad Cotta e foi a benfeitora de Martinho. É por isso que hoje ela é recordada nesta reminiscência.



Martinho Lutero era filho de gente pobre. E como tal, a sua vida de estudante foi-lhe muito penosa. Tanto mais que para estudar teve de deixar a casa paterna, E em Magdeburgo, aos catorze anos, estudava e hospedava-se ele com os franciscanos. Aí aumentaram muito os seus sofrimentos. Conta ele, na sua exarada hipérbole que quase “o mataram de fome”, e muitas vezes para arranjar pão tinha de cantar, com outros estudantes pobres deslocados, às portas das pessoas de mais posses da cidade. Naquele tempo parece que esta prática era comum.



Depois, para prosseguir os estudos aos 15 anos, muda-se para Eisenach, cidade onde tinha parentes, e pensaria ele e os seus pobres pais, que o tratariam bem, mas os seus propínquos deram-lhe pouco ou nenhum apoio. De facto, residiam naquela cidade muitos parentes de sua mãe. E, até lá tinha também um familiar muito chegado, sacristão duma das igrejas da cidade, Conrado Lutero, mas por algum motivo que desconhecemos, ninguém o ajudou. E, Martinho Lutero, para mitigar a fome, vai na companhia doutros estudantes pelas ruas cantando hinos e pedindo “panem propter Deum” às portas dos desconhecidos, agradecendo muito o que lhes davam e orando.



Por fim chegou-lhe o alívio. Aquilo que os parentes lhe tinham negado, deram-lho os estranhos. E uma tarde, depois de ter pedido a diversas portas sem resultado, chegou a uma onde não foi repelido. Úrsula Cotta, era uma senhora piedosa e uma mãe extremosa. Era a esposa do nobre e prefeito de Eisenach, Conrad Cotta. Sentiu simpatia pelos cânticos e pelas fervorosas orações do jovem Lutero. Assim, num certo dia convidou-o a entrar e a partilhar a sua mesa e que se hospedasse em sua casa. É aqui, com esta família cristã, que Martinho Lutero começa a ser gente. É nesta casa, com esta família alegre e piedosa que Lutero também aprende a tocar alaúde. E, durante os quatro anos em que estudou hospedado no Lar de Ursula Cotta até que depois foi para a Universidade de Erfurt é que Marinho teve “os primeiros quatro anos sorridentes” da sua vida. Que benfeitora!



Ursula Cotta abre as suas portas ao pobre rapaz esfomeado e deu-lhe não só o sustento material, mas também um lar e o amor de uma mãe. Lutero, mais tarde, teve ocasião de lhe retribuir a sua bondade, recebendo ele também o filho de Ursula em sua própria casa em Wittenberg quando ele foi para lá estudar ma universidade. E depois do lançamento da Reforma, Lutero passou a morar com a esposa e os filhos no convento onde fora monge agostiniano e aí teve muito campo para fazer o bem. Aí Lutero recebeu muita gente. À sua mesa muita gente comeu e bebeu, e até temos uns relatos do que lá se dizia às refeições num opúsculo chamado e editado ”Conversas à mesa” com Martinho Lutero.



É tempo de aprendermos com Ursula Cotta e de replicarmos como Martinho Lutero. “Não vos esqueçais da hospitalidade, porque por ela, alguns, não o sabendo, hospedaram anjos.” (Heb 13:2, ARC, Pt) “Não vos esqueçais da beneficência e comunicação, porque, com tais sacrifícios, Deus Se agrada.” Heb 13:16, ARC, Pt)



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Fontes Utilizadas:
Vários “Sítios” e enciclopédias na Internet e ainda algumas obras em papel.
Respigado daqui e dali.

Carlos António da Rocha

Este texto é de livre utilização, desde que a sua ortografia seja respeitada na íntegra porque já está escrito com o Português do Novo Acordo Ortográfico e que não seja nunca publicado nem utilizado para fins comerciais; seja utilizado exclusivamente para uso e desfruto pessoal.

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