… Mas o melhor de tudo é crer em Cristo! Luís Vaz de Camões (c. 1524 — 1580)

quinta-feira, 1 de dezembro de 2016

1 de dezembro de 1873 • Horatio Gates Spafford em paz como um rio



1 de dezembro de 1873 Horatio Gates Spafford 
em paz como um rio
Horatio Spafford era um homem feliz no começo do ano de 1871. A sua esposa e as suas quatro filhas eram-lhe uma fonte de grande gozo e consolo. As suas propriedades e imóveis no centro da cidade de Chicago eram muito valiosos e estavam-lhe proporcionando bons ganhos, graças ao rápido crescimento da cidade. Mas em abril desse ano, o grande incêndio de Chicago consumiu-lhe as suas propriedades. Mas apesar diso, Spafford consolou-se grandemente no facto da sua família ter escapado ilesa do incêndio. Dava graças a Deus porque a tinha livrado de um perigo tão grande. O incêndio tinha sido medonho! E, não obstante, Deus tinha-os preservado. E então, estas palavras começaram a chegar à sua mente:

De paz inundada a minha senda já está
Ou que a cubra um mar de aflição,
Minha sorte qualquer que seja, direi:
Alcancei, alcancei, salvação.

A perda dos seus bens foi amortecida por uma crença profunda na soberania da mão de Deus. Era amigo de Dwight L. Moody e tinha apoiado várias das suas cruzadas evangelísticas.

Quer venha a prova ou me tente Satã,
Não mingua minha fé nem meu amor;
Pois Cristo compreende minhas lutas, meu afã
E Seu sangue obrará em meu favor.

Em 1873, os Spaffords viram-se encantados com o nascimento do seu primeiro filho. Mas o bebé viveu muito pouco tempo. E quando sepultaram o seu corpo pequenino, ainda se viam lá ao longe as ruínas carbonizadas da grande cidade. Em Chicago as pessoas procuravam retomar a normalidade da vida e dos negócios, mas a cidade só muito lentamente começava a recuperar depois do grande incêndio.

Feliz eu me sinto ao saber que Jesus,
Me livrou do jugo opressor,
Tirou o meu pecado, cravou-o na cruz,
Glória demos ao bom Salvador.

Deus parecia oferecer aos Spaffords um descanso muito merecido das dores sofridas nestes anos recentes. Agora tinham a oportunidade de viajar para a Europa a fim de assistir e colaborar na campanha evangelística que Moody ia fazer na Grã-Bretanha. Enquanto estiveram no estrangeiro, tiveram não só a oportunidade de compartilhar o amor de Cristo mas também puderam visitar a Terra Santa. Foram também a Jerusalém, a própria cidade onde o sangue de Cristo tinha feito expiação pelos pecados de todos aqueles que acreditariam nEle.

Mas agora, na véspera do dia de ação de graças deste ano de 1873, Horatio Spafford levou a sua esposa e as suas duas filhas a bordo do vapor francês Ville du Havre que zarpava para a Europa. Os negócios atrasaram-lhe o seu próprio embarque, mas ele tinha já planeado que partiria, por sua vez, daí a uns dias para a Europa.

Uma semana depois, logo pela manhã, os ardinas gritavam alvoraçados: “O Ville du Havre chocou contra outra embarcação no meio do Atlântico e tinha-se afundado! O Ville du Havre afundou-se! Ninguém se salvou!” Nos jornais que leu não havia notícia de sobreviventes. Mas, neste dia, primeiro de dezembro de 1873, Horatio Gates Spafford recebeu um telegrama da sua esposa que laconicamente dizia: “Salva, sozinha.”

A fé tornar-se-á em grande realidade
Ao dissipar-se a névoa veloz,
Desce Jesus com a Sua grande Majestade,
Aleluia! Estou bem com o meu Deus.

Logo Spafford embarcou no próximo navio que zarpava para a Europa. As palavras deste poema que se estavam formando na sua cabeça estavam no seu coração quando passou pelo lugar onde ocorreu a tragédia, a sepultura das suas quatro filhas na água salgada e cristalina daquele imenso azul, agora cidadãs da cidade celestial.

Aleluia! Estou bem com o meu Deus!

Nos anos que se seguiram Spafford e a sua esposa foram viver para Jerusalém, em Israel onde Deus os abençoou com outros filhos. Aí desenvolveram um ministério para as pessoas que não conheciam a realidade da paz de Cristo como um rio.

“Quando o mar da aflição” cobre a sua vida, está o seu caminho coberto de paz? As palavras de Horatio Spafford brotaram-lhe de uma profunda confiança, de que o propósito de Deus na sua vida era perfeito. Ele tem uma finalidade igualmente real para a vida de cada Crente. Não importa quão mal vão as coisas, o Cristão pode ter paz sabendo que o Senhor está no controlo, e que a Sua vontade para nós é a melhor.

“O SENHOR preside no dilúvio, e o SENHOR senta-Se como rei para sempre. O SENHOR dará poder ao Seu povo; O SENHOR abençoará o Seu povo com paz.” (Salmos 29:10 e 11).


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Fontes Utilizadas:
Vários “Sítios” e enciclopédias na Internet e ainda algumas obras em papel.
Respigado daqui e dali.

Carlos António da Rocha

Este texto é de livre utilização, desde que a sua ortografia seja respeitada na íntegra porque já está escrito com o Português do Novo Acordo Ortográfico e que não seja nunca publicado nem utilizado para fins comerciais; seja utilizado exclusivamente para uso e desfruto pessoal.

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