… Mas o melhor de tudo é crer em Cristo! Luís Vaz de Camões (c. 1524 — 1580)

sábado, 10 de dezembro de 2016

10 de dezembro de 1520 • Lutero rasga e queima a bula papal



10 de dezembro de 1520 Lutero rasga 
e queima a bula papal
O papa Leão X assina no dia 15 de junho de 1520 a bula "Exsurge Domine" (na imagem; tradução: “Levanta-te, Senhor”) em resposta às 95 teses de Martinho Lutero e aos seus escritos sucessivos. Dessas 95, o papa reconhecia como válidas apenas 54 teses. A bula papal "Exsurge Domine" condena quarenta e uma proposições extraídas dos ensinos de Lutero, e foi levado para a Alemanha por Eck, na sua qualidade de núncio apostólico. O papa exige que Lutero se retratasse num prazo de 70 dias a partir da sua publicação.


No meio desta agitação geral, Lutero não pensa em ceder. Às suas sábias teses e proposições quis acrescentar-lhes ainda o selo de uma ação mais valente. Era necessário dar uma resposta cabal. O que o papa tinha feito, agora ia fazer o frade. Respondia palavra contra palavra, e fogueira contra fogueira.



É fixado na Universidade de Wittemberg um aviso para que todos os professores e estudantes se encontrem às nove da manhã na porta de Elster neste dia 10 de dezembro de 1520, quando terminava o prazo dado pelo papa Leão X para a retratação de Martinho Lutero. E os doutores, e os estudantes e o povo dirigem-se para lá e reúnem se no lugar designado. Martinho Lutero é dos primeiros a lá chegar. Roma havia ateado muitas fogueiras para queimar vidas de hereges e Lutero queria empregar o mesmo processo, não para queimar pessoas, ou quem quer que fosse, mas para queimar documentos inúteis e nocivos, pois é para isto que serve o fogo.



A fogueira estava preparada; um licenciado tinha-a acendido. E logo que as chamas se levantam, o Doutor em Teologia Martinho Lutero aproxima-se dela envergando p seu hábito de monge agostiniano, tendo nas suas mãos as decretais pontifícias, alguns escritos dos seus adversários e a bula papal.



Primeiramente, queima as decretais; e, depois, enquanto os textos ardiam, Lutero levanta a bula "Exsurge Domine" acima da sua cabeça, e clama, citando o Salmo 21:9: “Por quanto turvaste o Santo do Senhor (quer dizer, a Jesus Cristo, cuja obra de salvação completa a bula negava), o fogo eterno te turve e consuma.” Rasga-a e lança-a com determinação às chamas.



Este é, por dizê-lo assim, o sinal do incêndio e a prova de que desde aquele momento a separação de Martinho Lutero com Roma é completa.



Lutero não se retratara e rasga e queima a bula, juntamente com volumes das leis canónicas, em resposta a gesto similar de Johann Eck. Anteriormente o católico queimara publicamente obras de Lutero.



Passados uns dias, a 3 de janeiro de 1521, o Papa excomunga Lutero.

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Fontes Utilizadas:
Vários “Sítios” e enciclopédias na Internet e ainda algumas obras em papel.
Respigado daqui e dali.

Carlos António da Rocha



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