… Mas o melhor de tudo é crer em Cristo! Luís Vaz de Camões (c. 1524 — 1580)

segunda-feira, 12 de dezembro de 2016

12 de dezembro de 1154 • Vicelino de Oldenburg, apóstolo dos Vênedos



12 de dezembro de 1154 Vicelino de Oldenburg, apóstolo dos Vênedos

Vicelino distribuindo alimentos pelos necessitados. 
Pintura a óleo de Christoffer Wilhelm Eckersberg, 1812 (Da wikipédia)

Vicelino, apóstolo dos vênedos, nasceu em Hameln nas margens do rio Weser, no noroeste da Alemanha, em 1086. Estudou em Paderborn, onde deu ajuda a mestre Hartmann na escola do mosteiro. Mais tarde, mestre da escola em Bremen, onde se distinguiu pela sua retidão e capacidade pedagógica. Depois, parece que passou algum tempo em França, provavelmente entre os anos de 1123 a 1126, e depois sendo ordenado sacerdote e regressou para a sua prebenda em Bremen, onde encontra a missão da sua vida quando o arcebispo Adalbero lhe ofereceu missão de pregar o evangelho aos vênedos. Vênedos (Wends) é o nome dado pelos escandinavos e germanos aos povos eslavos ocidentais que ocupavam a costa báltica entre Kiel e o Vístula. Acredita-se que os vênedos tenham sido um povo indo-europeu que habitava na área correspondente à atual Polónia.



A situação na região eslava setentrional pertencente à província de Hamburgo não parecia favorável para tal empresa, pois por volta de 1093, depois do reinado do pagão Kruto, Henrique, filho do assassinado príncipe Gottschalk, tinha conseguido recuperar os domínios de seu pai, governando durante trinta anos desde a Wagria até à Pomerânia superior. Entre ele e os príncipes cristãos vizinhos, especialmente os duques da Saxónia, prevaleceram relações amistosas, porém, ainda que ele era Cristão não imitou o zelo missionário de seu pai, cujo destino ele temia que lhe acontecesse a ele. Apesar da atitude passiva de Henrique, Adalbero pensou que o tempo tinha chegado para o estabelecimento de missões entre os vênedos, porque finalmente reinava a paz entre eles, enviando, portanto a Vicelino para as suas terras e aos cónegos Ludolfo de Verden e Rodolfo de Hildesheim. Eles receberam uma amistosa recepção de Henrique, que lhes atribuiu uma igreja, aparentemente em ruínas em Old Lubeca. Mas mal tinham acabado de chegar para organizar suas tarefas de evangelização, quando a súbita morte do governante vênedo em 1127 veio destruir os seus planos. A partir de então a vida do Vicelino foi uma batalha contra obstáculos enormes e cansativos. Teve uma ligeira consolação quando, pouco depois, o arcebispo o nomeou pároco em Wipenthorp, a atual Neumünster, perto da fronteira Wagria, onde encontrou necessidade da tarefa missionária na sua própria grei, que embora nominalmente cristã, era pagã na sua crença e prática. Logo se lhe uniram a ele outros sacerdotes nesta tarefa e de entre eles enviou a Ludolfo e Volcward a Lubeca que governada por Zwentipolch, o filho mais velho de Henrique, teve uma atitude amistosa para com o cristianismo. Em Lubeca os missionários foram alegremente recebidos pelo pequeno grupo de comerciantes alemães, mas em 1128 os homens de Rügen destruíram a cidade e os dois sacerdotes escaparam para Wipenthorp. Nas batalhas relacionadas com a queda da linhagem de Henrique, os planos de Vicelino tornara-se inviáveis, apesar da cálida amizade de dinamarquês Cnut Lavard, regente dos vênedos.



Em 1134 Vicelino conseguiu interessar o imperador pelas missões aos vênedos, construindo-se pela sua solicitude o castelo de Sigeberch, no oeste do distrito wagrio, para formar um centro para a missão e proteger Holstein contra as incursões dos vênedos. Ao príncipe pagão Pribislaw, que tinha capturado os distritos wagrio e obotritio depois do assassínio de Lavard pelos seus próprios familiares, Vicelino pediu-lhe que cuidasse da igreja de Lubeca, e embora a perspectiva que de novo lhe parecia favorável, tornou o projeto inviável pela súbita morte de Lotario. Pribislaw apoderou-se dw Sigeberch e queimou o mosteiro, fugindo os monges para Neumünster. Ao mesmo tempo a capital de Pribislaw, Lubeca, foi destruída por seu inimigo Race e os cristãos foram expulsos, deixando Wagria sem influência cristã.



Enquanto isso, Neumünster tinha florescido e em 1141 Vicelino era preboste do mosteiro agostiniano. Por esse tempo parecia que o acariciado projeto da sua vida estava ao alcance. Henrique de Badewide, feito conde de Holstein por Alberto, o Urso, atacou as hordas de Pribislaw, sendo as terras vênedas devastadas em 1138-39. Só no extremo norte sobreviveram alguns vênedos. Wagria e Polabia abriram-se à colonização alemã, dando entrada ao cristianismo e formando um centro para os planos missionários de Vicelino, fortalecidos pela edificação de uma Lubeca alemã. As relações amistosas entre o conde Adolfo de Schauenburg e Niklot, apesar da aversão deste ao cristianismo, garantiram a paz em Mecklenburg dos vêndedos. Estas perspectivas ficaram destruídas pela insensata cruzada contra os vênedos em 1147, que tornou inútil qualquer esperança da sua conversão pacífica ao cristianismo. Não obstante, Vicelino não se desesperou e no seu zelo missionário aceitou a dignidade episcopal, embora isso levasse a que ficasse envolvido na luta das investiduras entre o seu arcebispo, Hartwig de Stade, e o seu senhor secular, Henrique, o Leão da Saxónia. Em 25 de setembro de 1149 Vicelino foi consagrado bispo de Oldenburg, sem ter existido um acordo entre Hartwig e Henrique. Este declarou que a investidura de bispos em território vênedo lhe pertencia a ele, como soberano, e ordenou a Adolfo de Schauenburg que exigisse o dízimo ao novo bispo. A princípio Vicelino duvidou em obedecer a essa ilegal exigência, mas parece que se submeteu e em 1150 recebeu a investidura de Henrique em Lüneburg. Então Henrique concedeu-lhe Bosau como sede episcopal. Entretanto, Vicelino tinha incorrido na implacável inimizade de Hartwig e como Oldenburg era inacessível para ele, começou a construir o seu palácio episcopal em Bosau.



Em 1152, com a morte de Conrado III, Hartwig renovou o seu protesto contra as pretensões de Henrique, o Leão, ante o novo rei, Frederico Barba Roxa. E em 1152 foi requerido a Vicelino que acompanhasse o arcebispo à dieta de Merseburg e para aí receber a investidura do novo rei. O bispo Vicelino estava debilitado pela idade e pela enfermidade obedece por temer um novo rebentar da controvérsia. Voltou para a sua diocese, onde sofreu um ataque de hemiplegia no verão de 1152, ficando os seus dois últimos anos sem sair da cama, mas nem a doença o impediu de continuar pregando e convertendo corações. Após uma vida muito atribulada Vicelino morreu neste dia, 12 de dezembro de 1154, em Oldenburg, a 51 quilómetros ao norte de Lubeca.


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Fontes Utilizadas:

Vários “Sítios” e enciclopédias na Internet e ainda algumas obras em papel.

Respigado daqui e dali.
Carlos António da Rocha

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