… Mas o melhor de tudo é crer em Cristo! Luís Vaz de Camões (c. 1524 — 1580)

sexta-feira, 16 de dezembro de 2016

16 de dezembro de 1784 • A história da Bíblia de Maria Jones



16 de dezembro de 1784 A história da Bíblia de  
Maria Jones

Existiu há muitos anos atrás uma menina. O seu nome era Maria Jones que morava numa pequena vila do País de Gales chamada Llan, onde nascera neste dia, 16 de dezembro de 1784. Os seus pais eram muito pobres e não sabiam ler muito bem. Eles e Maria moravam numa casa muito simples.



Esta história começa em 1792. Maria andava então pelos oito anos de idade. Como não havia escola perto de Llan, Maria ainda não tinha aprendido a ler. Contudo, o seu maior desejo era possuir uma Bíblia. Mas, além de não saber ler, naquele tempo, as Bíblias eram caras e difíceis de conseguir. Maria tinha bastante fé, esperava um dia aprender a ler e ter a sua própria Bíblia.



O tempo passava. Maria já tinha dez anos de idade. Mas como é que ela iria aprender a ler? E onde iria arranjar o dinheiro para comprar a Bíblia? Até esse tempo ainda nenhuma escola fora aberta nas redondezas. Um dia o pai de Maria foi a Aber, distante três quilómetros de Llan, para vender a sua produção de tecidos, e voltou muito alegre. Ele conseguira vender todos os tecidos. Mas sua a maior alegria foi a notícia de que iria abrir uma escola em Aber! Maria e os seus pais ficaram muito contentes.



Maria realmente foi frequentar a escola de Aber. Logo ela se tornou amiga de todos os condiscípulos. Como tinha muita vontade de aprender, depressa se destacou nas aprendizagens, ganhando o prémio de melhor aluna.



O professor de Maria chamava-se João. Ele gostava muito de Maria. Um dia ele falou aos alunos que ia dar início a uma Escola Dominical. Nem é preciso dizer que Maria começou logo a frequentar a Escola Dominical.



Havia dois anos que uma senhora conhecida de Maria lhe tinha feito uma promessa. Era D. Joana, a fazendeira. Ela tinha prometido que deixava Maria ler a sua bíblia. E, como agora Maria já sabia ler, ia todos os sábados à casa da D. Joana ler a Bíblia Sagrada e preparar com a D. Joana a lição da Escola Dominical. E para ir até lá, Maria andava três quilómetros a pé, gastando, mais ou menos, uma hora na ida e na volta.



Então Maria, já crescidinha, começou a pensar que poderia aproveitar melhor o tempo que gastava nas viagens, a estudar, se tivesse a sua própria Bíblia. Para isso Maria resolveu começar a trabalhar com autorização dos seus pais, e a economizar quanto pudesse para poder comprar a sua Bíblia. Seria difícil, mas não era impossível. Aí lembrou-se das palavras que Deus disse a Josué: “Sê forte e corajoso” e tomou alento.



Foi recebendo ajuda de várias pessoas e as coisas íam no bom sentido. Tomou a decisão de criar abelhas. E ela também recebia pequenas gorjetas por ajudar pessoas mais velhas a recolher lenha na mata. D. Joana deu também de presente um galo e duas galinhas. Com isso poderia ter ovos para vender. Maria cuidava das crianças das vizinhas e em troca recebia pequenas importâncias de dinheiro. Assim Maria ia ajuntando todo o dinheiro que conseguia, moedinha a moedinha, num cofre.



Maria ía trabalhando com paciente e alegre afinco. Quando fazia um ano em que começara com o seu extraordinário projecto, o verão ia no fim e Maria desejosa de ter a sua Bíblia resolveu abrir o cofre para contar o dinheiro. Foi um momento muito emocionante. Mas, … pela primeira vez ficou triste. Conseguira apenas ajuntar uma pequena quantia: menos de um xelim. Era muito pouco! Mas a mãe encorajou-a, dizendo-lhe que no próximo ano conseguiria melhores economias. Antes de se deitar naquela noite, Maria orou a Deus, contando-lhe o seu problema. E assim lhe voltou a confiança. Deus respondeu logo a oração de Maria.



No dia seguinte, na escola, o seu professor perguntou-lhe se ela conhecia alguém que pudesse fazer umas costuras para a esposa dele. Era a nova oportunidade que Maria precisava para ganhar mais dinheiro. Maria tinha agora onze anos de idade. Assim se passou aquele ano. E, ao completar-se o segundo ano, Maria sentou-se com os seus pais ao redor da mesa na cozinha. Ela ia contar o dinheiro que tinha economizado no cofre. A soma total deu dois xelins e meio. Maria bateu as palmas de alegria! Teria a sua Bíblia!



Mas naquele inverno o seu pai caiu doente. Por isso ela teve de fazer parte do trabalho do pai e começou a faltar muito à escola. Agora era a aluna que apresentava mais dificuldades na sua turma. Mesmo assim, naquele ano as economias do cofre de Maria ainda aumentaram um pouquinho.



Maria tinha agora quinze anos. Mas ela não desanimou. Seu pai, por fim, curou-se e ela conseguiu recuperar na escola. Meses depois ela foi entregar umas costuras que fizera para D. Joana, a fazendeira, que lhe pagou dobrado. Finalmente com aquele dinheiro Maria completou a quantia que dava para comprar a Bíblia.



Agora tinha o dinheiro. Mas onde conseguiria comprar a Bíblia? Foi informar-se com o pastor da sua Igreja. Ele disse-lhe que não havia Bíblias à venda por perto, nem nas vizinhanças. Mas falou-lhe no Rev. Tomás Charles, que morava na cidade de Bala, e que sempre conseguia arranjar Bíblias para as pessoas interessadas. Mas a cidade de Bala ficava a quarenta quilómetros de distância. Era muito longe para ir lá • Depois daquela conversa com o seu pastor, Maria retirou-se desanimada.



No caminho para sua casa encontrou-se com o Sr. Luís, um dos seus antigos professores que a incentivou a ir à cidade de Bala. Ele mesmo tinha lá conseguido comprar a sua Bíblia ao Rev. Tomás Charles. Então Maria ficou animada outra vez. E foi correndo para sua casa.



Depois de alguns conselhos, os pais deixaram que Maria fosse sozinha à cidade de Bala. A viagem foi longa e difícil e Maria lá chegou à casa do Rev. Tomás Charles. Aí expôs o que a levava lá. Aguardava-a uma triste surpresa. As únicas Bíblias que o Rev. Tomás Charles tinha já estavam encomendadas para outras pessoas. Maria começou a chorou baixinho… E revelou ao Rev. Tomás Charles como trabalhara e economizara o dinheiro para adquirir uma Bíblia durante seis anos! Como tomara conta de crianças! Como fizera costuras para as vizinhas! Como apanhara lenha para pessoas mais idosas! Como criara galinhas e aproveitava os ovos para vender! Como, ainda menina começara, a cuidar dos corchos, para tentar vender o mel!



À medida que Maria desfiava o seu rol de esforços o Rev. Tomás Charles comovia-se até às lágrimas. Foi direito a um armário e retirou de lá uma Bíblia de capa escura e de letras grandes douradas, acabada de sair da tipografia, ainda a cheirar a livro novo, e depositou-a solenemente nas mãos de Maria, que a receber de rosto radiante, sulcado de lágrimas de felicidade. Ela tudo fizera para que aquele dia chegasse e ele chegou! Finalmente Maria Jones tinha a sua própria Bíblia!



Maria não sabia que o seu esforço iria fazer com que fosse fundada uma grande sociedade. O Rev. Tomás Charles contou a história de Maria aos diretores da Sociedade de Folhetos Religiosos que ficaram deveras profundamente impressionados com ela. Todos sentiram que se deveria fundar uma sociedade para imprimir e distribuir Bíblias para o mundo inteiro. Assim, no dia 7 de dezembro de 1802 foi fundada no Reino Unido a Sociedade Bíblica Britânica e Estrangeira.



Presentemente a Sociedade Bíblica Britânica e Estrangeira do Reino Unido já não é a única Sociedade Bíblica do mundo. Outras grandes sociedades foram fundadas depois; para ajudar a obra de impressão e distribuição de Bíblias em todas as línguas: em 1814 foi fundada a Sociedade Bíblica da Holanda; em 1816 fundou-se a Sociedade Bíblica Americana; em 1826, a Sociedade Bíblica Nacional da Escócia; em 1831, a Sociedade Bíblica Trinitariana em Londres; e em 10 de junho de 1948 a Sociedade Bíblica do Brasil.



Em Portugal, a Sociedade Bíblica de Portugal foi estabelecida em 1835, e em 1996 foi reconhecida pelo Governo como pessoa colectiva de utilidade pública.



A Sociedade Bíblica de Portugal é uma associação cristã interconfessional sem fins lucrativos que tem por objectivo promover a mais ampla e eficaz distribuição das Sagradas Escrituras e estimular todas as pessoas a interagir com a Palavra de Deus. Estabelecida em Portugal desde 1835, a Sociedade Bíblica foi reconhecida pelo Governo em 1996 como pessoa coletiva de utilidade pública.



De Maria Jones (16 de dezembro de 1784 - 28 de dezembro de 1864) ficou-nos o muito amor que ela tinha na leitura da sua Bíblia! Como ela lhe era cara! … Que o seu exemplo nos constranja! Que nós prossigamos lendo a nossa Bíblia diariamente nas suas pisadas ...

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Fontes Utilizadas:

Vários “Sítios” e enciclopédias na Internet e ainda algumas obras em papel.

Respigado daqui e dali.

Carlos António da Rocha

Este texto é de livre utilização, desde que a sua ortografia seja respeitada na íntegra porque já está escrito com o Português do Novo Acordo Ortográfico e que não seja nunca publicado nem utilizado para fins comerciais; seja utilizado exclusivamente para uso e desfruto pessoal.

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