… Mas o melhor de tudo é crer em Cristo! Luís Vaz de Camões (c. 1524 — 1580)

sábado, 17 de dezembro de 2016

17 de dezembro de 1648 • O “Grande Gillespie”



17 de dezembro de 1648 O “Grande 


Gillespie”

George Gillespie nasceu na Escócia em 21 de janeiro de 1613, tendo aí frequentado a Universidade de Saint Andrews. Tornou-se muito conhecido em 1637 quando publicou anonimamente um documento intitulado “Uma disputa contra as cerimónias inglesas papistas, impostas à força sobre a igreja de Escócia”, no qual criticava as inovações episcopais impostas pelo rei Carlos I sobre a igreja da Escócia, que era presbiteriana. No ano 1643, só um ano depois de ser pastor da Igreja Grayfairs em Edimburgo, Gillespie era o mais jovem dos quatro ministros escoceses, escolhidos para participar nos trabalhos da Assembleia de Westminister, considerada por muitos como a maior assembleia de teólogos de todos os tempos, designada pelo Parlamento Puritano Inglês para aconselhar e guiar na promoção da Reforma no Reino Unido.

No seus dias, George Gillespie era frequentemente mencionado como o “Grande Gillespie”. Foi o defensor mais capaz do governo da igreja presbiteriana na Assembleia, e deu aso a material para muitas histórias, algumas verdadeiras e outras exageradas. Não obstante, as lendas ilustram o caráter piedoso das reuniões e o papel que Gillespie teve nelas. Uma dessas tais lendas a seu respeito conta, que quando a Assembleia estava debatendo a questão de “Quem é Deus?” foi pedido a George que dirigisse a Assembleia em oração, e as palavras da sua oração foram “Ó Deus, Tu que és um espírito, infinito, eterno e imutável, em Quem mora a sabedoria, poder santidade, justiça, misericórdia e verdade...” …. deram a resposta para o Catecismo Westminster.

Outra história narra a habilidade de Gillespie como orador e pensador. Durante um debate sobre se a Igreja ou o Estado tinham a autoridade para excomungar a Samuel Rutheford, um dos seus colegas ministros escoceses na Assembleia de Westminister, chamaram-no para que respondesse, e disseram-lhe: “Levante-te George, levanta-te homem, e defende o direito do Senhor Jesus Cristo a governar pelas Suas próprias leis!” Gillespie começou por resumir o discurso do seu oponente, e depois foi rebatendo um a um todos os seus argumentos. Tão convincente foi o seu raciocínio e oração, que o oponente de Gillespie, exclamou: “Este jovem, com uma só dissertação varreu com a aprendizagem e o trabalho de dez anos da minha vida!”

Talvez o conto mais confiável acerca de Gillespie seja a história do seu caderno. Diz-se que enquanto escutava a um oponente e se preparava para lhe responder, parecia que Gillespie estava tomando notas pormenorizadas. Depois de George apresentar a sua resposta persuasiva, os homens sentados ao seu lado, não encontraram nada no seu caderno acerca do discurso, e em lugar disso ele tinha escrito notas em latim como estas: “Senhor, envia luz!”, “Senhor, assiste-os!” e “Senhor defende a Tua causa!”

Em 1647 ao voltar de Londres para a sua casa, Gillespie foi eleito para servir na Igreja High de Edimburgo e foi designado como moderador da Assembleia Geral da Igreja da Escócia em Edimburgo, no verão de 1648.

Pouco tempo depois disso, aos 36 anos Gillespie adoeceu gravemente de tuberculose. Durante os seus últimos dias de vida recebeu uma carta do seu velho amigo e colega ministro Samuel Rutheford, que desde a Universidade de Saint Andrews, lhe escreveu estas palavras: “Não te sintas apesarado; foste chamado para viver uma vida de fé; o que fizeste nunca foi reconhecido; se bem que Cristo em ti e por ti, fez mais que com vinte, sim, até com mais de cem pastores grisalhos e piedosos. Por fim o que tens de fazer agora é crer. Atenta para estas palavras de Gálatas 2:20: Já estou crucificado com Cristo; e vivo, não mais eu, mas Cristo vive em mim; e a vida que agora vivo, na carne, vivo-a na fé do Filho de Deus, o qual me amou, e se entregou a Si mesmo por mim." E, finalmente, neste dia, 17 de dezembro de 1648, George Gillespie partia para a outra vida confiado nos méritos do seu e nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo.

Em 1661, treze anos após a morte de Gillespie, o rei Carlos I impôs pela força o governo da Igreja Episcopal sobre a Igreja Presbiteriana de Escócia. Para dramatizar este evento, o Parlamento removeu a lápide da sepultura de Gillespie e fê-la em pedaços, publicamente.

Aquela lápide já não existe mais, mas os documentos da Assembleia de Westminster ainda permanecem como um monumento comemorativo a George Gillespie.

Quando uma pessoa dotada morre jovem, o mundo frequentemente lamenta-se e diz: “Ó, se apenas tivesse vivido um pouco mais!” Nenhum de nós sabe quantos são os dias que Deus nos dará, não obstante sabemos que aqueles dias que Ele nos dá serão suficientes para fazer o que Ele planeou para nós. Como está você usando o tempo que Deus lhe outorgou?

Portanto, vede, prudentemente, como andais, não como néscios, mas como sábios, Remindo o tempo, porquanto os dias são maus. Pelo que, não sejais insensatos, mas entendei qual seja a vontade do Senhor.” (Efésios 5:15-17).


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Fontes Utilizadas:

Vários “Sítios” e enciclopédias na Internet e ainda algumas obras em papel.

Respigado daqui e dali.

Carlos António da Rocha

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