… Mas o melhor de tudo é crer em Cristo! Luís Vaz de Camões (c. 1524 — 1580)

sexta-feira, 23 de dezembro de 2016

23 de dezembro de 1559 • Anne du Bourg, mártir, pela causa do Evangelho



23 de dezembro de 1559 Anne du Bourg,
 
 mártir, pela causa do Evangelho

 Anne du Bourg nasceu em Riom por volta de 1521. Foi aluno e depois professor de direito civil na Universidade de Orleães. Em 1557 tornou-se conselheiro do Parlamento de Paris. Em 1559, durante uma sessão do Parlamento, Du Bourg atacou a política real de repressão contra aqueles chamados “hereges”. Ele não fez segredo das suas convicções calvinistas. O rei Henrique II prende-o.



Fora ainda jovem que Anne du Bourg teve contato em sua casa com as doutrinas da Reforma e em Orleães ouviu com simpatia os reformadores, havendo realizando um profundo estudo das Escrituras, dos Pais e da história da Igreja, antes de abraçar as novas ideias do Evangelho.



Em 1558 começou a frequentar as reuniões da congregação reformada em Paris. No Parlamento de Paris a maioria dos membros jovens inclinavam-se a favor a Reforma e, também dos alguns membros mais velhos e mais proeminentes, como o presidente Bourdin, e também Harlay e Séguier, eram favoráveis a uma política branda para com os hereges. Contudo, havia no Parlamento de Paris uma fação de católicos extremistas dirigidos por Minard, Le Maistre e St. André, pelo que não demorou a estalar o conflito. Para chegar a uma política comum, o procurador geral, Bourdin, convocou uma assembleia plenária de todas as Fações do Parlamento em abril de 1559.



Quando se tornou evidente que os amigos da Reforma eram a maioria, Minard, Le Maistre e Bourdin dirigiram-se ao rei, Henrique II. O rei apareceu pessoalmente no parlamento à frente de uma imponente escolta, exortando-o calorosamente a que extirpasse a heresia. Dubourg replicou ao rei num espírito de denodo, argumentando que, enquanto as transgressões mais duras contra a lei divina eram permitidas sem serem castigadas, o parlamento errava ao dedicar as suas energias a perseguir os crentes, que no meio das chamas invocavam o nome de Cristo. Ferido pessoalmente pelo discurso, que era uma alusão às suas relações com Diana de Poitiers, de quem o rei era amante, o rei Henrique II ordenou a detenção de Dubourg. Legalmente, como membro do Parlamento de Paris, ele só podia ser julgado pelo próprio Parlamento. Não obstante, o rei designou uma comissão formada pelos mais inflamados adversários de Dubourg para julgar o caso. Dubourg apelou sucessivamente aos arcebispos de Paris, Sens e Lião, mas as suas apelações não foram aceites. Todavia, era ainda possível fazer uma nova apelação ao Papa, mas Dubourg recusou-se a fazer uso da mesma.



Quando Henrique II morreu em 10 de julho de 1559 a situação de Anne du Bourg tornou-se ainda mais desesperada, ao subir ao trono francês Francisco de Guisa, Francisco II. Todas as intercessões dos seus amigos, incluindo Gaspard de Coligny, Luis I de Bourbon, Príncipe de Condé (1530 –1569) e de Frederico II, Eleitor Palatino (1482 — 1556), que o queria levar para a Universidade de Heidelberg como professor, foram em vão.



Dubourg apresentou ante os seus juízes uma confissão de fé que foi uma defesa mestra da Reforma. Logo vacilou por um momento, e sob a influência de certos amigos apresentou uma segunda confissão que era ambígua, sendo considerada uma rendição pelos seus oponentes; porém, em seguida retractou-se, declarando que a primeira confissão que fizera era no que ele realmente cria, o que precipitou o seu destino.



O veredicto foi emitido a 21 de dezembro e dois dias, neste dia, 23 de dezembro de 1559, antes de ser estrangulado e depois queimado na praça de Grève, em Paris Anne du Bourg declarou solememente: “Meus amigos, eu não estou aqui como um ladrão ou como mártir, mas pela causa do Evangelho.”

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Fontes Utilizadas:

Vários “Sítios” e enciclopédias na Internet e ainda algumas obras em papel.

Respigado daqui e dali.

Carlos António da Rocha

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