… Mas o melhor de tudo é crer em Cristo! Luís Vaz de Camões (c. 1524 — 1580)

quinta-feira, 22 de dezembro de 2016

22 de dezembro de 1664 • Adeus, Sol, Lua e estrelas!


22 de dezembro de 1664 Adeus, Sol, Lua e estrelas!

 Covenanters pregando, por Sir George Harvey

Quando Hugh McKail se arrastou penosamente para o cadafalso da forca onde seria enforcado, neste dia, 22 de dezembro de 1666, ele ia confortado no Senhor. Este jovem pregador do Evangelho de 26 anos de idade estava anelando por entrar na vida eterna, para viver sempre com o seu Deus. Perante a grande e numerosa multidão que assistia ao seu enforcamento, ele afiançou-lhes no gozo do seu espírito:



“Agora, cesso a minha conversação com os seres criados e começo a minha comunhão com Deus que nunca será quebrada! Adeus, pai e mãe, amigos e parentes! Adeus mundo e todas as delícias! Adeus comida e bebida! Adeus, Sol, Lua e estrelas! Bem-vindo, Deus e Pai! Bem-vindo, doce Senhor Jesus, o mediador da Nova Aliança! Bem-vindo bendito Espírito da graça, Deus de toda a consolação! Bem-vinda glória! Bem-vinda vida eterna! Bem-vinda morte!



Este seu derradeiro discurso causou tal impressão a toda a multidão presente que se pensa que foi a razão porque logo pouco depois os soldados começaram a tocar os seus tambores ruidosamente sempre que um Covenanter tentava dizer algumas palavras do cadafalso da forca.



Hugh McKail morreu por causa da sua fé. McKail, estudou na Universidade do Edimburgo, era por isso um ministro do evangelho jovem e erudito. Ordenado aos vinte anos como pregador presbiteriano, ele ocupou o púlpito apenas um ano. Pertencia aos assinantes do pacto - um grupo comprometido a preservar o presbiterianismo em oposição a qualquer controle governamental sobre a igreja. O rei Carlos II, de Inglaterra que ocupou o trono da Inglaterra em 1660, perseguia com sanha a estes assinantes do pacto porque estava determinado a destruir a Igreja Presbiteriana na Escócia querendo que eles aderissem à Igreja da Inglaterra, da qual ele mesmo era a cabeça. Como consequência, ele afastou muitos presbiterianos fiéis dos seus púlpitos. Grande número de ministros escoceses tinha assinado o pacto jurando não permitir a destruição da igreja presbiteriana ou que o governo controlasse a igreja escocesa. Eles foram chamados Covenanters. Hugh era um dos Covenanters.



Hugh McKail foi autorizado a pregar na Igreja de Escócia em 1661, quando ia nos vinte anos, e pregou o seu último sermão em público quando cumpriu vinte e um anos. Neste sermão ele afirmou:



“A Escritura provê evidência abundante de que o povo de Deus foi açoitado algumas vezes por um ‘Faraó’ sobre o trono, numas ocasiões por um Haman no estado, e noutras vezes por um Judas na igreja”. Os Faraós, os Hamanes e os Judas na Escócia, perseguiram-no até à sua morte, aos de vinte e seis anos de idade.



Hugh tinha irritado as autoridades por pregar aquele sermão contra a perseguição dos assinantes do pacto. E por causa destas suas palavras corajosas, ele teve de fugir para o Continente Europeu onde esteve oculto durante três anos. Eventualmente, ele terá depois regressado à Escócia e onde terá ter estado escondido um ano em Galloway durante a intensa perseguição que lhe era movida. Perece que com as privações que padeceu lhe trouxeram o padecimento de uma grave tuberculose. Hugh McKail estava morrendo de tuberculose. O que provocou a sua queda foi ele ter-se juntado a um bando de Covenanters quando uma rebelião estourou. Isto foi devido aos ultrajes do governo. Os homens do rei torturávamos cidadãos que não tinham dinheiro para pagar os impostos. A decisão de Hugo de se juntar ao bando de Covenanters foi um erro, porque ele estava muito debilitado pela grave doença de que padecia e não podia acompanhá-los e assim acabou sendo logo capturado em 1666.



Levado perante o tribunal do Edimburgo, não puderam forçá-lo a revelar quem eram os elementos do bando, para não os incriminar. Então submeteram-no à chamada “tortura do tronco, que era uma espécie de cavalo de madeira em cima do qual o condenado era colocado, sendo os seus membros atados a um torno, que uma vez accionado, retesava as cordas aplicando uma grande pressão nos membros da vítima, o que fazia que os ossos rangessem até que se quebravam. É obvio os condenados não contavam com tanta sorte, e até que o osso se quebrava deviam acontecer largas horas de tortura. Milagrosamente estóico, Hugh McKail não pronunciou uma só palavra que pudesse trair aos seus companheiros de pacto.



Depois da tortura do tronco e logo que os seus inquisidores consideraram que ele já havia recuperado o suficiente, fizeram-no comparecer perante outra audiência. Recusando declarar-se culpado de rebelião contra a coroa, McKail foi sentenciado à morte por enforcamento. Ao escutar a sua sentença, replicou: “O Senhor dá, o Senhor tira, bendito e louvado seja o Seu Santo Nome.



Quando foi levado volta à sua cela, ele disse aos seus companheiros de infortúnio: “Este é meu consolo, eu sei que o meu Redentor vive. E agora estou disposto a dar a minha vida voluntariamente pela verdade e pela causa de Deus, dos Pactos e da obra da Reforma, os quais foram anteriormente considerados como a glória desta nação. Por procurar defender isto ... abraço esta corda... E para que saibam qual é a base do meu estímulo neste trabalho, lerei no último capítulo da Bíblia.”



E depois de ler Apocalipse 22, as suas últimas palavras foram: “Aqui vereis a glória que se revelará em mim: ‘O rio puro da água da vida’. Aqui também vereis o meu acesso à glória e a minha recompensa, porque o Espírito e a Esposa dizem: Vem. E quem ouve, diga: Vem. E quem tem sede, venha; e quem quiser, tome de graça da água da vida.



Eu subirei a meu Pai, e a vosso Pai, a meu Deus e a vosso Deus, a meu Rei e a vosso Rei, com os benditos apóstolos e mártires, à cidade do Deus vivo, à Jerusalém celestial, com a inumerável companhia dos anjos, a grande assembleia dos primogénitos, ante o Senhor que julgará tudo, perante os espíritos dos homens justos feitos perfeitos, e perante Jesus o Mediador do Novo Pacto, e a todos expresso a minha despedida. Pela vontade de Deus estarei mais cómodo do que vós podereis estar. E agora será muito mais refrescante para mim do que é para vós. Adeus, adeus no Senhor!”.



Assim, como vimos, após aquela audiência, ele foi condenado à morte. Após a sentença ter sido executada, a multidão soube que o rei Carlos II de Inglaterra lhe havia ordenado uma comutação da pena capital. Hugh não deveria ter sido morto, mas, sim, deveria ter sido vendido como escravo para as plantações do Novo Mundo, na Nova Inglaterra. Isso criou uma grande raiva, porque se crê que o Arcebispo de Glasgow, Alexander Burnet, (1615–1684) manteve a carta do rei em segredo para que Hugh McKail fosse executado no patíbulo. 


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Fontes Utilizadas:

Vários “Sítios” e enciclopédias na Internet e ainda algumas obras em papel.

Respigado daqui e dali.

Carlos António da Rocha

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