… Mas o melhor de tudo é crer em Cristo! Luís Vaz de Camões (c. 1524 — 1580)

sexta-feira, 9 de dezembro de 2016

9 de dezembro de 1531 • Heinrich Bullinger sucede a Zuínglio como pastor da Grande Igreja de Zurique


9 de dezembro de 1531 Heinrich Bullinger sucede a Zuínglio como pastor da Grande Igreja de Zurique

Bullinger, retrato de autor desconhecido,1531; na Zentralbibliothek, Zurique

Em Zurique, na Suíça, ergue-se a estátua de um homem que sustenta uma Bíblia numa mão e uma espada na outra. Valente e engenhoso, Ulrico Zuínglio, o pastor de Zurique era até desapiedado no seu afã por impor a Reforma, perseguindo tanto os desertores na Suíça como empunhando armas contra os cantões católicos que resistiam. O Senhor Jesus Cristo havia dito: “...Mete no seu lugar a tua espada; porque todos os que lançarem mão da espada à espada morrerão.” (Mateus 26:52, ARC, Pt) Pelo que Ulrico Zuínglio morreu no campo de batalha de Kappel em 11 de outubro de 1531, e neste dia, 9 de dezembro de 1531, Heinrich Bullinger sucedeceu-lhe como pastor da Grande Igreja de Zurique e líder do Movimento Reformado nos cantões suiços onde se falava alemão. Embora Heinrich Bullinger fosse teólogo e além disso discípulo de Ulrico Zuínglio, todavia, de muitos modos, suplantou o seu prodessor, Bullinger foi melhor do que o seu mestre.



Nascido em 18 de julho de 1540 em Bremgarten, na Suíça, Heinrich Bullinger era um dos cinco filhos do sacerdote daquela vila suiça. Seu pai pagou ao seu bispo um tributo anual pelo privilégio de casar-se, algo que tinham proibido aos padres católico romanos.



O próprio Heinrich se educou e preparou para ser sacerdote católico romano desde muito novo. Estudou em Colónia, na Alemanha, e em 1519 estudou pela primeira vez as obras telógicas dos Pais da igreja. A obstinação de os estudar, em vez dar a prioridade e a primazia à Escritura motivou-o a estudá-la por si mesmo, o que o levou a ler também as obras teológicas de Martinho Lutero publicadas em vernáculo. E foi assim como as sementes da Reforma começaram a germinar no seu coração e mente.



Ao regressar à Suíça com um título universitário em 1522, tornou-se abade do convento de Kappel, aonde ensinava os monges diretamente pelo Novo Testamento. Durante uma sua estada de cinco meses em Zurique, acabou por conhecer Zuínglio e por ver surgir o início da Reforma na Suíça. Depois, quando regressou ao convento de Kappel convenceu o abade e todos os frades sobre a verdade da Reforma.



Em 1529, o seu próprio pai se auto declarou protestante e foi removido do sacerdócio em Bremgarten. Entretanto, os habitantes da povoação, convidaram-no para que ocupasse o lugar do seu progenitor como o primeiro ministro evangélico da igreja.



Aí se manifestaram os seus dotes tanto pastorais como pedagógicos. E ainda enquanto se encontrava em Bremgarten contraiu matrimónio com Anna Adlischweiler, uma ex-freira. O seu casamento esteve colmado de amor e foi duradouro, tiveram onze filhos, sendo que todos ele se tornaram ministros protestantes.



Em 1531, quando Ulrico Zuínglio foi assassinado no campo de batalha, os principais concelheiros da cidade de Zurique chamaram-no para que empunha-se o facho do seu capitão caído, e com o decorrar do tempo, ele demonstrou ser digno da obra. Começando no sendeiro onde Zwingli tinha pregado, Bullinger logo forjou o seu próprio caminho.



Foi um pastor devoto cujo lar estava constantemente aberto aos famintos, aos perdidos, aos perseguidos, e os que tinham problemas espirituais. Embora o seu salário fosse exíguo, recusou rebecer qualquer tipo de presentes, contribuindo, ainda, do seu escasso jornal para hospitais e instituições de caridade. Os exilados ingleses, acossados durante o reinado da católica rainha Maria, a Sanguinária, encontravam refúgio no seu lar em Zurique. Quando regressavam a seus lares na Inglaterra, convertiam-se em líderes puritanos.



A sua pregação era poderosa e a sua pluma nunca descansou. Durante quarenta anos pregou sete vezes por semana. Escreveu comentários sobre quase todos os livros da Bíblia, manteve uma correspondência notável com cristãos e teólogos e ainda com membros da realeza em todo mundo protestante. As suas palavras sábias e persuasivas motivaram mais de um compromisso necessário entre os oponentes doutrinários dentro da Reforma, e do seu coração pastoral brotou um dos primeiros livros evangélicos de consolo para os enfermos e agonizantes. Os seus escritos ultrapassaram em grande número os de Lutero e de Calvino, juntos.



Humilde, sábio e paciente, Heinrich Bullinger deu à Reforma o que Zwingli provavelmente não teria dado, ainda que tivesse vivido. Heinrich Bullinger deu-lhe ordem tanto eclesiástica como teológica. Quando morreu em 17 de setembro de 1575, deixou atrás de si, uma igreja verdadeiramente reformada. O seu legado vive na tradição reformada e presbiteriana.



A Bíblia teve a prioridade no estudo de Bullinger, e como resultado moldou-lhe a sua própria existência. É a Palavra de Deus uma prioridade na sua vida? Nas suas devoções particulares e pessoais, lê primeiro a Bíblia ou livros que falam dela? Quanta luz e direção maravilhosas pode a Escritura derramar nas nossas vidas!



“A tua palavra é o farol que me guia; é a luz do meu caminho.” (Salmos 119:105, BPT, Pt).


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Fontes Utilizadas:
Vários “Sítios” e enciclopédias na Internet e ainda algumas obras em papel.
Respigado daqui e dali.

Carlos António da Rocha



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