… Mas o melhor de tudo é crer em Cristo! Luís Vaz de Camões (c. 1524 — 1580)

terça-feira, 13 de dezembro de 2016

13 de dezembro de 1272 • Bertoldo de Ratisbona, “o maior pregador” da Idade Média



13 de dezembro de 1272 Bertoldo de Ratisbona, “o maior pregador” da Idade Média

Bertoldo de Ratisbona (Manuscrito de Viena, 1447) (Da Wikipédia)

Neste ano de 1272 morre em Ratisbona um frade franciscano. Há quem diga que foi neste dia 13 de dezembro, outros dizem que foi a a 14. Assim como há quem diga que Bertoldo de Ratisbona, foi o maior pregador da Idade Média. Mas não há dúvida nenhuma de que Bertoldo de Ratisbona, é um dos mais famosos pregadores alemães do final da Idade Média. Nasceu em Ratisbona, provavelmente cerca de 1220 e aí morreu. Foi membro da comunidade franciscana de Ratisbona que foi fundada em 1226. O seu noviciado decorreu sob a orientação de David de Augsburgo (c. 1215-1272) e em 1246 já Bertoldo de Ratisbona desempenhava uma posição de responsabilidade na comunidade em que vivia. Começa a pregar em Ratisbona em 1240 e só em 1250 é que começa a sua carreira como pregador itinerante, primeiro na Baviera, onde se propôs trazer o duque Otão II de novo à obediência da Igreja Católica, indo depois pregar mais para o oeste, em Espira, passando pela Alsácia até à Suíça nos anos de 1254 e 1255. Nos anos seguintes, os cantões de Argau, Turgóvia, Constança e dos Grisões, com o território do alto Reno, foram os principais cenários de sua actividade pregadora. Em 1260 foi mais adiante, percorrendo a Áustria, a Morávia, a Hungria, a Silésia, a Turíngia e possivelmente a Boémia, alcançando as suas audiências eslavas através de um intérprete. E até é muito provavelmente que algumas das suas viagens de pregação itinerante no este da Europa tenham sido feitas a favor de uma Cruzada, cuja pregação lhe foi encomendada pelo papa Urbana IV em 1263, que se empenhava em levantar uma nova cruzada, em nome da sua antiga diocese de Jerusalém, que resultou sem sucesso.



Os historiadores alemães, desde os contemporâneos de Bertoldo, como o abade Hermann de Niedernaltaich, até aos historiadores alemães dos mediados do século XVI, falam-nos nos mais eloquentes termos da força da sua personalidade e do efeito da sua pregação, que dizem ter atraído a números incríveis de auditores, por isso as igrejas não os podiam acolher, vendo-se o monge franciscano obrigado a pregar de uma plataforma, donde fosse possível ouvi-lo, ou até de cima de uma árvore, ao ar livre. Os dons de profecia e milagres logo lhe foram atribuídos, espalhando-se a sua fama da Itália até à Inglaterra. Bertoldo de Ratisbona foi um pregador de grande talento e êxito. O relato manuscrito dos seus sermões, que começou logo a circular, de nenhuma maneira é confiável como produção literária, mas pode-se obter do mesmo uma ideia toleravelmente segura da matéria e da forma da sua pregação que foi sempre de caráter missionária, apoiada formalmente nas Escrituras do dia, mas apartando-se em seguida delas para aplicar o tema especial que Bertoldo desejava sublinhar. Ele geralmente insiste numa chamada à dor autêntica pelo pecado, à confissão sincera dos pecados e à perfeita penitência. A penitência sem contrição não tem valor aos olhos de Deus e nem sequer um cruzado ou um peregrino obterão benefício a menos que haja um firme propósito de renunciar ao pecado. Por esta sua posição Bertoldo critica os novos pregadores de indulgências. O caráter extremamente variegado das multidões dos seus ouvintes levou-o a fazer apelações tão amplas e gerais como lhe era possível. Evita as questões teológicas subtis e aconselha o laicado a não bisbilhotar nos mistérios divinos, mas a deixá-los para o clero e contentar-se com o Credo. Na sua pregação não se refere aos acontecimentos políticos de peso do seu tempo, deixa-os sem lhes tocar. Mas tudo o que afeta ao homem médio, os seus gozos e tristezas, as suas superstições e preconceitos, tudo é tratado com profundo conhecimento e com uma cuidadosa claridade de acerto, fácil de seguir, até para o ouvinte mais ignorante e rude. Embora exorte a todos a contentar-se com o seu estado na vida, denúncia os impostos opressivos, os juízes injustos, a usura e o comércio desonesto. Que os Judeus e os hereges têm de ser aborrecidos, assim como os atores que arrastam a mente do povo para os prazeres mundanos. Também condena as danças e os torneios de cavalaria. Tem uma palavra de culpa para a vaidade das mulheres e para a sua tendência à bisbilhotice. Nunca é árido, antes é sempre vivo e colorido, mesclando as suas exortações com uma variedade de anedotas e chistes. Foi famoso pelos seus sermões que demonstravam um profundo conhecimento dos autores clássicos. Neles fez um uso extensivo da interpretação alegórica do Antigo Testamento e do seu forte apego e amor pela natureza.

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Fontes Utilizadas:

Vários “Sítios” e enciclopédias na Internet e ainda algumas obras em papel.

Respigado daqui e dali.

Carlos António da Rocha

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