… Mas o melhor de tudo é crer em Cristo! Luís Vaz de Camões (c. 1524 — 1580)

sexta-feira, 21 de abril de 2017

Salmo 37




C. H. Spurgeon
O Tesouro de David
SALMO 37


TÍTULO. De David (ou ainda noutra leitura dos originais, da colecção de David.) Há apenas esta palavra para designar a autoria; se era uma música ou uma meditação não nos é dito. Ele foi escrito por David na sua velhice, Sl 37:25, e é o mais valioso registo de tão variada experiência.



TEMA. O grande enigma da prosperidade dos maus e a aflição dos justos, que tem deixado perplexos a tantos, é tratado aqui à luz do futuro; a inquietação e os lamentos são proibidos de modo expresso. É um Salmo em que o SENHOR sossega com doçura as queixa muito comuns do Seu povo e acalma a sua mente quanto à Sua atual maneira de proceder para com os Seus próprios escolhidos, um rebanho rodeado de lobos. Contém oito grandes preceitos, está ilustrado duas vezes com afirmações autobiográficas, e abunda em contrastes notáveis. C. H. S.



TODO O SALMO. Este Salmo pode muito bem intitular-se: “O cordial do homem bom nos tempos maus; um remédio soberano na praga do descontente, ou um antídoto escolhido contra o veneno da impaciência.” Nathaniel Hardy, in a Funeral Sermon (em um sermão de um enterro), 1649.



Versículo 1. Não te indignes por causa dos malfeitores, ou, Não te irrites por causa dos malfeitores, ou ainda noutra leitura dos originais, Não te impacientes por causa dos malvados. O impacientar-se é preocupar-se, afligir-se, sofrer indignação. A natureza é capaz de acender um fogo de ciúmes quando vê aos que quebrantam a lei cavalgando arrogantes, enquanto que os retos se arrastam na lama. Parece difícil, ao julgamento natural, que a carne mais deliciosa tenha de ir para os cães, enquanto que os filhos amados carecem dela e sofrem por sua falta. C. H. S.



Versículo 1. Nem tenhas inveja dos que obram a iniquidade, ou, nem tenhas inveja dos que procedem mal, ou, nem invejes os que praticam a injustiça, ou, Não invejes os maus; não te revoltes pelo facto daqueles que praticam a maldade parecer que vivem bem, ou ainda noutra leitura dos originais, Nem tenhas inveja dos que fazem iniquidade. Quem inveja o boi engordado (cevado), com as cintas e as grinaldas que o decoram, quando é levado ao matadouro? Pois bem, o caso apresenta um paralelismo, porque o rico ímpio não é mais que um animal engordado para o matadouro. C. H. S.



Versículo 1. Nem tenhas inveja. A Rainha Isabel I de Inglaterra invejava a leiteira quando ela se achava no cárcere; mas se tivesse conhecido que reino tão glorioso a esperava depois, durante quarenta e quatro anos, não a teria invejado. E o homem piedoso, conquanto se ache na miséria, não tem por que invejar o iníquo no fulgor da sua prosperidade e bem-estar, considerando o que ele tem na mão, muito mais do que isso o tem ele em esperança. John Trapp



Versículo 1. Do que lhes aproveita a prosperidade? Não faz mais que apressar-lhes a sua ruína, não a sua recompensa. O boi que lavra vive mais do que o que pasta; ao que o põem em bons pastos apressa a sua matança; e quando Deus põe os iníquos em pastos viçosos, em lugares de honra e poder, isto só acelera a sua ruína. Ludovic de Carbone, citado por John Spencer



Versículo 2. Porque cedo serão ceifados como a erva (ou, o feno, noutra leitura dos originais). A foice da morte é afiada. Verde cresce a erva, mas rapidamente vem a foice. A destruição dos ímpios será rápida, súbita, com certeza, esmagadora, irrecuperável. A erva não pode resistir ou fugir do cortador. E murcharão como a verdura, ou, e como a erva verde murcharão, ou ainda noutra leitura dos originais, murcharão, ficarão sem vida. A beleza da erva seca-se de uma só vez, no calor do sol, e assim toda a glória dos ímpios desaparece na hora da morte. Que completo é o fim do homem que se glorifica sem término! Vale a pena desgastar-nos na ansiedade sobre o inseto de uma hora, algo efémero que morre no mesmo dia que nasce? Dentro dos crentes há uma semente viva e incorruptível, que vive e permanece para sempre; por que temos de invejar a mera carne, e a glória dela, que não é mais que erva, e flor de erva?



Versículo 4. Põe, ainda assim, o teu deleite no SENHOR, ou, Deleita-te, também, no SENHOR, ou, Busca a tua felicidade no SENHOR, ou, Procura no SENHOR a tua felicidade, ou ainda noutra leitura dos originais, Alegra-te no SENHOR. Em certo sentido, imita ao malvado: ele deleita-se na sua porção; tu presta atenção à tua e, longe de o invejares, vais ter compaixão deles. Não há lugar para a ansiedade ou para o afã se recordarmos que Deus é nosso. C. H. S.



Versículo 4. Quanta graça e amor exalam destas palavras: Deleita-te também no SENHOR! John Howe’s “Treatise of Delight in God.” (Tratado do deleite com Deus)



Versículo 4. Deleita-te, também, no SENHOR, e Ele te concederá o que deseja o teu coração, ou ainda noutra leitura dos originais, Busca a tua felicidade no SENHOR e ele te concederá os desejos do teu coração. E considera que a tua condição na terra é tal que te expões a muitos sofrimentos e penalidades que, ao não te deleitares nEle, nunca podes estar seguro de as poderes evitar (porque são comuns a todos os homens), mas que ao te deleitares nEle podes suportá-las facilmente. Além de tudo isto, considera seriamente que tens de morrer. Não podes alterar este facto de maneira nenhuma. Quão facilmente tolerável e prazenteiro será, pois, o pensar que vais para Aquele com quem já antes viveste em comunhão deleitosa! E que terrível o aparecer diante dAquele com quem te tens comportado como um estranho e sem Lhe mostrares afeto (apesar de todos os Seus requerimentos [importunidades] e solicitudes [atracções, encantos, seduções]), conforme te acusa o teu próprio coração! John Howe’s “Treatise of Delight in God.” (Tratado do deleite com Deus)



Versículo 5. Põe a tua vida nas mãos do SENHOR, ou, Confia ao SENHOR o teu destino, ou, Entrega ao SENHOR tudo o que fizeres, ou ainda noutra leitura dos originais, Entrega o teu caminho ao SENHOR é traduzido na Vulgata como “Revela viam Domino”, isto é: “Revela o teu caminho”; e Santo Ambrósio entendia como: o revelar os nossos pecados a Deus. Verdadeiramente, é impossível cobrir os nossos pecados, assim por que não Lhos revelar? Não escondas o que Deus já conhece e quer que Lhe dês a conhecer. É um mau ofício o ser secretário do diabo. Interrompe a tua aliança (ou, pacto) com Satanás revelando os teus segredos e os teus pecados a Deus. Nathanael Hardy.



Versículo 5. Confia nEle, e Ele tudo fará, ou, confia nEle e Ele te ajudará, ou, confia nEle e Ele há-de ajudar-te, ou ainda noutra leitura dos originais, Confia nEle e Ele te ajudará em tudo. O lavrador ara, grada e semeia, e depois deixa a colheita a Deus. Que mais pode fazer? Não pode cobrir os céus de nuvens, ou ordenar a chuva, ou fazer nascer o sol, ou fazer descer o orvalho. Deixa tudo nas mãos de Deus; e isto é para todos a verdadeira sabedoria: o confiar obedientemente em Deus, e deixar os resultados nas Suas mãos e esperar a Sua bênção.



Versículo 6. E Ele fará sobressair a tua justiça como a luz, ou, Fará brilhar, como luz, a tua justiça, ou ainda noutra leitura dos originais, A tua justiça brilhará como o Sol em pleno dia. Na questão da reputação pessoal devemos especialmente contentar-nos em ficarmos quietos e em deixarmos a nossa vindicação (defesa) com o Juiz de toda a Terra. Quanto mais nos angustiamos (preocuparmos) neste caso, pior para nós. A nossa força consiste em estar (ficar) quietos. Ele, o SENHOR vai limpar (absolver, inocentar, justificar, reabilitar) o caluniado. Se procurarmos a Sua honra, Ele cuidará da nossa. É maravilhoso ver, quando a fé aprende a resistir à calúnia com calma (compostura), que a sujidade (1 imundície, porcaria, lixo. 2 corrupção, vileza, depravação, poluição, obscenidade, obscenidades, linguagem baixa e imoral, imoralidade) não o contamina, mas ela cai como bolas de neve sobre uma muralha de granito. Mesmo no pior dos casos, em que um bom nome é por algum tempo obscurecido, a Providencia enviará uma justificação como a luz da aurora, a qual aumentará até que o homem outrora censurado será universalmente admirado. C. H. S.



Versículo 7. Descansa no SENHOR e espera nEle, ou, Confia no SENHOR e põe nEle a tua esperança ou, Descansa no SENHOR; espera pacientemente pela sua ação, ou ainda noutra leitura dos originais, Guarda silêncio ante SENHOR. E este é o preceito mais dificultoso que é dado ao homem; a tal ponto que o preceito difícil da ação é como nada quando comparado com este mandamento para a inação. Jerónimo



Versículo 7. Guarda silêncio ante SENHOR. A palavra hebraica traduzida como “silêncio” é dom, da qual a palavra inglesa dumb (em português: mudo, que não fala) parece derivar. O silêncio que nos é imposto aqui opõe ao murmurar e a queixar-se. James Anderson, in Calvin’s Commentary.



Versículo 8. Deixa a ira e abandona o furor; não te indignes para fazer o mal, ou, Reprime a cólera e abandona a indignação; não te irrites, porque isso só leva ao mal, ou, Foge da ira e deixa a indignação; não te impacientes, pois isso conduz ao mal, ou ainda noutra leitura dos originais, Não te indignes; deixa a zanga. Se te irritares, será só para teu prejuízo. Nós podemos fazer o mal ao angustiarmo-nos pela prosperidade do malvado, ou imitando-o, fazendo o que ele faz, com a esperança de conseguirmos a sua prosperidade. John Gill



Versículo 9. Porque os malfeitores serão desarreigados; mas aqueles que esperam no SENHOR herdarão a terra, ou, Pois os malfeitores serão exterminados, mas o SENHOR dará a terra aos que confiam nEle, ou, Pois os maus serão exterminados, mas, os que esperam no SENHOR, possuirão a terra, ou, Porque os que fazem o mal não deixarão de ser destruídos. Mas os que confiam no SENHOR receberão todas as bênçãos, ou ainda noutra leitura dos originais, Porque os malfeitores serão destruídos, mas os que esperam no SENHOR, herdarão a terra. Pois os malfeitores serão exterminados. A sua morte será um julgamento penal; não uma digna remoção para um estado melhor, mas uma execução em que o machado da justiça será usado. Mas aqueles que esperam no SENHOR— aqueles que na fé paciente esperam a sua parte numa outra vida —herdarão a terra. Agora mesmo, nesta vida, eles têm o maior prazer verdadeiro, e nos séculos vindouros será deles a glória e o triunfo. A Paixão, de acordo com a parábola de Bunyan, tem as suas coisas boas em primeiro lugar, e elas logo acabam; a Paciência tem suas coisas boas em último lugar, e estas duram para sempre.



Versículo 10. Pois ainda um pouco, e o ímpio não existirá, ou ainda noutra leitura dos originais, Ainda um pouco, e já não verás o ímpio. Portanto, crente provado, por que invejar a alguém que dentro de pouco jazerá mais baixo que o pó? Observarás o seu lugar, e já não estará aí. A sua casa estará vazia, não estará sentado na sua cadeira, a sua fazenda carecerá de proprietário. Terá passado como uma nuvem passageira, esquecido, como um sonho, apagado por seus próprios excessos, ou terminando na penúria por seu próprio esbanjamento. Onde estão as suas jactâncias e fanfarronadas, onde a pompa que faz pensar a alguns que o pecador é abendiçoado? C. H. S.



Versículo 11. Os mansos (pobres, noutra leitura dos originais) herdarão a terra. Não os de espírito altivo, que removem o mundo para o conseguir, mas os mansos, que são vapulados de um rincão para o outro, e sofrem e apenas os deixam tranquilos em qualquer parte. Esta terra, da qual estavam privados, agora a possuirão para gozar dela. John Pennington, 1656.



Versículo 13. O SENHOR Se rirá dele. Para que a carne não murmure e se queixe perguntando a Deus por que só se há-de rir o iníquo e não Se vingue deles, acrescenta-se a razão de que Ele vê o dia da sua destruição iminente. “Pois vê que vem chegando o seu dia”, ou, noutra leitura dos originais, “Pois sabe que os seus dias estão contados.” João Calvino



Versículo 13. Pois vê que vem chegando o seu dia. O malvado não vê que se aproxima a sua destruição, que lhe pisa nos calcanhares; ele gaba-se de esmagar a outros, quando o pé da justiça já está levantado para o pisar como à lama das ruas. Pecadores na mão de um Deus irado, e, contudo, maquinando contra os Seus filhos! Pobres almas, que investem contra a ponta da lança de Jeová. C. H. S.



Versículo 13. Pois vê que vem chegando o seu dia. O seu dia fatídico, o dia da sua morte, que será também o dia da sua condenação. John Trapp



Versículo 16. Vale mais o pouco que tem o justo, do que as riquezas de muitos ímpios, ou, noutra leitura dos originais, Vale mais o pouco para o homem justo, do que toda a fortuna do ímpio. Preferiríamos antes passar fome com João Batista do que festejar com Herodes; é melhor alimentarmo-nos de comida escassa com os profetas na caverna de Abdias de que nos regalarmos com os sacerdotes de Baal. A felicidade de um homem não consiste nos montões de ouro que tem armazenados. O Contente acha multum in parvo (isto é literalmente, muitas coisas em poucas palavras, então, muito no pouco), enquanto que para o coração malvado (perverso) não lhe basta o mundo todo (o mundo inteiro é muito pouco). C. H. S.



Versículo 16. Oh, que consolo é provar a doçura do amor de Cristo em cada gozo! Quando podemos dizer: “Cristo me amou e se deu a si mesmo por mim, para que eu possa gozar destas bênçãos”, Oh, como isto eleva o valor de cada misericórdia comum! David Clarkson.



Versículo 16. Como as águas que fluem das colinas de algumas das ilhas Molucas sabem a canela e a cravos que crescem lá, assim também o teu dom, ainda que seja só água, sabe à boa vontade e à graça especial do Doador. George Swinnock.



Versículo 16. É tão possível que um infiel encha o seu corpo de ar e o seu peito de graça assim como a sua mente de riqueza. Acontece-lhes como aos navios: podem estar sobrecarregados de prata e ouro, até afundar-se, e ainda resta espaço para conter dez vezes mais. Assim, o desgraçado ambicioso, embora tenha bastante para afundar-se, contudo, não tem ainda o suficiente para estar satisfeito. John Glascock’s Sermon, entitled “Mary’s Choice,” 1659.



Versículo 16, 17. Um Cristão nunca deve murmurar porque tem pouco, mas sim que ele tem de bendizer a Deus que abençou o pouco que ele tem. Thomas Brooks.



Versículo 18. O SENHOR conhece os dias dos retos. Deposita os teus dias, põe-nos em segurança; este é o significado da ideia em hebraico (edy). John Fry.



Versículo 20. Mas os ímpios perecerão. Ainda que haja fogos fátuos que possam zombar do seu presente, o seu futuro é negro e escuro, como uma noite de bréu. C. H. S.



Versículo 20. Desaparecerão e em fumo se desfarão. “Do que nos serviu o orgulho?, ou o que nos proporcionaram as nossas jactâncias das riquezas?” Estas são as coisas de que falarão no inferno os que pecaram. Porque a esperança dos ímpios é como um cardo seco arrastado pelo vento, ou a espuma espalhada sobre as ondas, ou como o fumo levado pelo ar de cá para lá, no céu, ou como a lembrança do viajante a pé durante um dia. Wouter of Stoelwyk, 1541.



Versículo 25. Fui moço, e agora sou velho; mas nunca vi desamparado o justo, (ele não vos diz, na minha experiência, eu nunca vi o justo aflito, mas, eu nunca o vi  esquecido ou abandonado na sua aflição), nem a sua descendência a mendigar o pão. Nem a sua descendência mendigando o pão. Se alguém disser que o próprio David mendigou, que pediu pão a Abimelech e a Nabal, direi que os casos transitivos e os incidentes súbitos não são a regra, não fazem mendigos; não dizemos: “David era um mendigo, ou mendigou o seu pão” porque uma vez esteve num apuro e pediu pão a Abimelech, e noutro apuro o pediu a Nabal. Nestes casos inesperados o rico no mundo pode ver-se na necessidade de pedir um pedaço de pão. Um homem bom pode cair numa necessidade assim, mas os homens bons muito raramente, se é que ocorre alguma vez, acabam em tanta necessidade. Joseph Caryl.



Versículo 25, 26. (O homem bom) compadece-se sempre, e empresta, e a sua descendência é abençoada. O que o mundano pensa fará pobre a sua posteridade; Deus diz que fará a do homem bom, rica. O preceito dá-nos uma promessa de misericórdia na obediência, não a confinando somente ao próprio homem obediente, mas estendendo-a à sua descendência, até mil gerações, Ex 20:6. Confia, pois, os teus filhos a Cristo; quando os teus amigos te faltem, quando a opressão tenha sido condenada ao inferno, quando tu mesmo sido condenado ao pó, e o mundo tenha sido consumido e transformado em cinza, todavia “ Jesus Cristo é o mesmo, ontem, e hoje, e eternamente.” Thomas Adams.



Versículo 34. Espera no SENHOR. Aquele que verdadeiramente confia em Deus manter-se-á no tempo de Deus, e usará os meios de Deus, e andará pelo caminho de Deus ainda que lhe pareça que dê voltas. David Clarkson.



Versículo 34. Espera... guarda. Enquanto esperamos, procuremos não vacilar. Não demos um passo fora do caminho de Deus ainda que se nos plante um leão adiante; não evitemos o dever, para obter segurança; andemos nas sendas de Deus, no antigo bom caminho (Jr 6:16), a senda empedrada com a santidade. “E haverá ali calçada e caminho, e será chamado o Caminho de Santidade” (Is 35:8).



Versículo 34. Evita os caminhos torcidos, vigia para que não se desviem para a esquerda e não andes por eles. O pecado cruza as nossas esperanças, põe barricadas no nosso caminho; um homem pode esperar achar o Céu, mas achará o inferno se seguir um caminho pecaminoso. Thomas Watson



Versículo 35. Vi o ímpio, com grande poder, espalhar-se como a árvore verde na terra natal, ou ainda noutra leitura dos originais, Vi um ímpio encher-se de soberba, expandir-se como uma árvore frondosa. Vi eu ao ímpio extremamente enaltecido “terrível, irado, violento”, e que prosperava como um cedro (noutra leitura dos originais) frondoso (a green bay (loureiro) tree, na KJV). Uma figura surpreendente do iníquo neste mundo, firmemente enraizado nas coisas terrestres: crescido no seu chão nativo, orgulhoso e altivo na sua prosperidade, sem temor de percalço algum. William Wilson.



Versículo 35. Vi o ímpio, com grande poder, espalhar-se como a árvore verde na terra natal. E por quê, um cedro (uma árvore verde, ou uma árvore frondosa, noutras leituras dos originais)? Porquê no inverno, quando outras árvores frutíferas, como as videiras, as figueiras, as macieiras, etc, estão secas e despidas (de folhas), o cedro continua tão verde como no verão. Assim acontece com os iníquos; quando os filhos de Deus, nas tempestades da perseguição e nas aflições e misérias, parecem murchos (secos), como se estivessem mortos, os maus continuam prosperando, e se vêem verdes aos olhos do mundo; nutrem-se na riqueza do mundo, mas é para a sua destruição; engordam-se, mas é para o dia da matança. Este era o caso de Hofni e Finéas; o SENHOR lhes deu bastante e permitiu que eles prosperassem na sua maldade; mas, qual era a razão? Ele ia destruí-los. J. Gore’s Sermon at St. Paul’s, 1633.



Versículo 36. Procurei-o, mas não se pode encontrar ou procurei-o e não consegui encontrá-lo, ou ainda noutra leitura dos originais, Busquei-o, e não foi achado. Se, impulsionados pela curiosidade, inquirimos a respeito dos ímpios, vemos que não deixaram rasto, como os pássaros de mau agouro, e ninguém deseja recordá-los. Alguns dos justos mais humildes são imortalizados, os seus nomes são uma fragância imperecível na igreja, enquanto que os mais capazes dos infiéis e blasfemos apenas são recordados por poucos anos. Antes estavam na boca de todos, mas hoje foram esquecidos, porque só a virtude é imortal. C. H. S.



Versículo 37. Considera (Nota, ou, Repara)... e olha (e considera, ou, e observa, noutras leituras dos originais). Se Cristo quis que o nome de Maria fosse recordado no Evangelho até o fim dos tempos pelo vaso de unguento que derramou sobre a Sua cabeça, não podemos imaginar que queira que os muitos atos piedosos e misericordiosos dos Seus servos sejam enterrados no esquecimento. Nathanael Hardy.



Versículo 37. O homem Integro (O homem honrado, ou, o homem recto, ou, o homem sincero, ou, o homem justo, noutras leituras dos originais). Assim todo santo é perfeito em comparação com os ímpios entre os quais vive. Neste sentido se diz de Noé: “Noé era varão justo e reto em suas gerações”; a sua graça, comparada com a maldade do antigo mundo, bem merecia o nome de perfeição; de facto, cada homem íntegro é perfeito em comparação com os que francamente são maus, ou bons exteriormente: manchados pela maldade, ou com um verniz de santidade. Nathaniel Hardy.



Versículo 37. Nota o homem sincero e considera o que é reto, porque o futuro desse homem será de paz, ou, Repara no homem honrado, observa o homem reto; o futuro desse homem é de paz ou, ainda noutra leitura dos originais, Observa o homem honrado, repara no homem justo, porque o homem de paz terá descendência. Considera ao íntegro, e olha para o justo; porque há um futuro ditoso para ele e para a sua posteridade, noutra leitura dos originais. O texto pode dividir-se em duas partes: 1) A característica do homem piedoso; 2) O privilégio do homem piedoso. A sua característica é a perfeição; o seu privilégio é a paz. Aqui temos o caráter do santo e a coroa do santo; caracteriza-se pela integridade ou sinceridade e é coroado pela paz. Aqui temos o caminho do Cristão e a sua meta, o seu movimento e o seu descanso. O seu caminho é a santidade, a sua meta a felicidade; a sua deslocação até à perfeição e à integridade; o seu repouso é paz no fim da sua jornada. John Whitlock, in a Funeral Sermon entitled, “The Upright Man and his Happy End, “1658.



Versículo 37. Para morrer bem, assegura-te de viver bem; não temos de pensar em ter a morte de Lázaro e a vida do rico Dives (Lázaro é o mendigo e leproso protagonista da parábola de Jesus: O Rico e Lázaro, reproduzida em Lc 16:19-31. O rico é Dives); como o que menciona Plutarco, que queria viver como Creso, mas queria morrer como Sócrates. Não, os desejos de Balaão são néscios e inúteis; se queres morrer bem, Cristão, tens de tomar cuidado para viver bem; se queres morrer sossegado, tens de viver de modo reto; se queres viver tranquilo, vive moderadamente; se queres viver feliz, vive santamente. John Kitchin, M.A., 1660.



Versículo 40. O SENHOR os ajuda e os livra; ele defende-os dos maus e salva-os, ou noutra leitura que se aproxima mais da versão KJV, usada por Spurgeon, O SENHOR os ajudará e os livrará; ele os livrará dos ímpios e os salvará. Ele ajudará, livrará; livrará, salvará. Oh, a impressionante linguagem de Deus! Que segurança a dos santos! Que certeza há nas promessas! John Trapp.



Versículo 40. E os salvará, porquanto confiam nEle, (e noutras leituras dos originais, e salva-os, porque confiam nEle, ou, e salva-os, porque nEle se refugiam). A fé garante a segurança dos eleitos (ao escolhidos, os predestinados, os eleitos de Deus). É a marca das ovelhas, pela qual serão separadas dos bodes. Não é o mérito deles, mas a sua fé, o que os distingue. C. H. S.



Lutero termina a sua Exposição deste Salmo com as palavras: “Oh que vergonha a nossa falta de fé, a nossa desconfiança e vil incredulidade porque não cremos nas declarações tão ricas, poderosas e consoladoras de Deus, e que aceitemos com tanta credulidade qualquer coisa que os ímpios nos digam nos seus discursos perversos! Ajuda-nos. Oh Deus, que possamos alcançar a fé correta! Ámen.


Tradução de Carlos António da Rocha

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