… Mas o melhor de tudo é crer em Cristo! Luís Vaz de Camões (c. 1524 — 1580)

terça-feira, 10 de janeiro de 2017

10 de janeiro de 1866 • O barco virou em direção a Plymouth



10 de janeiro de 1866 O barco virou em direção a Plymouth

O "London" afunda-se (Da Wikipédia)

Daniel James Draper, um metodista inglês, foi como missionário para o sul da Austrália, tendo chegado a Sidney em 0 de abril de 1836. Ali foi testemunha da construção de trinta novas Igrejas e sob a sua liderança viu os seus membros aumentar dez vezes.



Draper e a sua esposa fizeram a sua primeira pausa no trabalho missionário para virem a Inglaterra 29 anos depois. Em 5 de janeiro de 1866, saíram do porto de Plymouth, na Inglaterra, para regressar à Austrália, a bordo do navio London. Quando zarparam à meia noite desse dia, o céu e o mar estavam calmos. Dois dias depois o vento aumentou, mas não o suficiente para impedir que o senhor Draper celebrasse um culto de adoração no salão do navio. Ao cabo de 24 horas, o vento aumentou tanto de tal maneira que muitos dos arranjos da embarcação foram arrastados borda fora pela força do ciclone. As rajadas do vento eram tão violentas, que não se puderam retirar os destroços dos mastros, fazendo com que a embarcação balançasse muito mais, causando ainda mais graves danificações na nave. Os ventos continuaram a soprar até que se tornaram num furacão medonho. Às três da tarde, na quarta-feira, neste dia, 10 de janeiro de 1866, o navio virou o rumo, fazendo meia volta, em direção ao porto Plymouth, navegando o mais rapidamente que podia com as avarias que tinha, tentando regressar a salvo a um porto de abrigo.



Às dez e meia da noite um vagalhão descomunal, como uma montanha de água, precipitou-ae sobre a coberta principal, arrancou com violência o motor e arrastou-o por uma clarabóia, alagando completamente a sala das máquinas e extinguindo o fogo da caldeira. os homens esforçavam-se trabalhando furiosamente para reparar o dano, mas a natureza não mostrava misericórdia alguma. Finalmente o capitão Martin, disse aos seus homens que orassem, porque o navio estava condenado.



A escuridão total dessa noite era um presságio sobrenatural das trevas ainda mais profundas que muito em breve os envolveria. À meia noite, Draper iniciou uma reunião de oração no salão. Todos os passageiros e a tripulação que não estava de turno nesse momento, congregaram-se. Draper exortava as pessoas para que se aproximassem de Cristo para obterem a salvação. Muitos trouxeram as suas Bíblias e leram-nas com toda a sinceridade. Os sobreviventes mais tarde contaram, que as mães choravam enquanto sustinham os seus filhos perplexos e os amigos abraçavam-se despedindo-se, mas não havia histeria.



Ao amanhecer do dia seguinte, o capitão Martin com calma informou os passageiros e a tripulação que tudo estava perdido. Draper rompeu o sombrio silêncio que seguiu à comunicação do capitão que o navio estava prestes a afundar-se, ficando de pé e dirigindo-se à multidão uma vez mais. Com lágrimas rodando sobre suas faces, disse em voz clara e forte: “O capitão diz-nos que não há esperança, que todos vamos perecer. Mas eu lhes digo: há esperança, esperança para todos nós. Embora devamos morrer e nunca mais veremos terra, todos podemos atracar no porto celestial.”



Os sobreviventes informaram que desde o começo da reunião de oração à meia noite, até que a embarcação se afundou, às duas da tarde do dia seguinte, Draper esteve orando incansavelmente, admoestando e convidando as pessoas para virem a Jesus. Umas das suas últimas palavras foram: “Em uns poucos momentos todos teremos de comparecer ante o nosso Grande Juiz. Preparemo-nos para O encontrar.”



Um sobrevivente disse que enquanto ele abandonava a embarcação, ainda escutava as pessoas a entoar o Hino “Rock Of Ages”, em português “Rocha Eterna” de Augustus Montagne Toplady (1740-1778)



Rocha eterna, meu Jesus,

Que, por mim, na amarga cruz,

Foste morto eu meu lugar,

Morto para me salvar;

Em Ti quero me esconder,

Só Tu podes me valer.



Minhas obras, eu bem sei,

Nada valem ante a lei;

Se eu chorasse sem cessar.

Trabalhasse sem cansar,

Tudo inútil, tudo em vão!

Só em Ti há salvação.



Nada trago a Ti, Senhor!

‘Spero só em Teu amor!

Todo indigno e imundo sou,

Eis, sem Ti, perdido estou!

No Teu sangue, ó Salvador,

Lava um pobre pecador.



Quando a morte me chamar,

E ante Ti me apresentar,

Rocha eterna, meu Jesus,

Que por mim, na amarga cruz,

Foste morto em meu lugar,

Quero em Ti só me abrigar.



A única preocupação de Daniel James Draper (28 de agosto de 1810-11 de janeiro de 1866), enquanto a embarcação se afundava era assegurar-se que todos conhecessem o caminho de salvação. Que farias tu se te encontrasses numa embarcação que estivesse naufragando?



“Deus, que nos reconciliou consigo mesmo, por Jesus Cristo, e nos deu o ministério da reconciliação; Isto é, Deus estava em Cristo, reconciliando consigo o mundo, não lhes imputando os seus pecados, e pôs em nós a palavra da reconciliação.” (2Co 5:18 e 19, ARC, Pt)

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Fontes Utilizadas:
Vários “Sítios” e enciclopédias na Internet e ainda algumas obras em papel.
Respigado daqui e dali.

Carlos António da Rocha

Este texto é de livre utilização, desde que a sua ortografia seja respeitada na íntegra porque já está escrito com o Português do Novo Acordo Ortográfico e que não seja nunca publicado nem utilizado para fins comerciais; seja utilizado exclusivamente para uso e desfruto pessoal.

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