… Mas o melhor de tudo é crer em Cristo! Luís Vaz de Camões (c. 1524 — 1580)

quarta-feira, 11 de janeiro de 2017

11 de janeiro de 1641 • Franciscus Gomarus, o líder dos opositores a Arminius



11 de janeiro de 1641 Franciscus Gomarus,
 o líder dos opositores a Arminius

Franciscus Gomarus nasceu em Bruges, na Bélgica em 30 de janeiro de 1563. Seus pais, tendo abraçado os princípios da Reforma, emigraram para o Palatinato em 1578, para respirarem os ventos da liberdade e poderem professar a sua nova fé. Franciscus Gomarus estudou em Estrasburgo, Neustadt, Oxford e Cambridge antes de completar o seu doutoramento em Heidelberg, em 1594. Foi aluno de Johann Sturm, Zacharias Ursinus, Hieronymus Zanchius, Daniel Tossanus, John Rainolds e William Whitaker.



Em 1586 tornou-se pastor da comunidade holandesa em Frankfurt, e em 1594 foi nomeado catedrático de teologia em Leiden. Ali, destacou-se como um forte defensor da ortodoxia calvinista. Ele ensinou tranquilamente em Leiden até 1603, quando Jacobus Arminius veio a ser um dos seus colegas da faculdade de teologia, e começou a ensinar aquilo que Gomarus considerou ser essencialmente como as doutrinas de Pelágio quando houve uma controvérsia entre eles. A questão principal entre Gomarus e Arminius era esta: Arminius sustentava que, na obra da salvação, o homem coopera com Deus em certo sentido, ao passo que Gomarus sustentava que nesta obra, Deus, e somente Deus, está ativo.



Por ocasião da morte de Arminius pouco depois dessa época, quando Conrad Vorstius, pró-arminiano, foi nomeado para suceder como professor a Arminius em 1610, apesar da oposição de Gomarus e dos seus amigos, Gomarus ficou ofendido com a derrota, renunciou ao seu lugar de professor, e foi para Middelburg em 1611, onde se tornou ministro da congregação reformada daquela cidade. De 1614 a 1618 ensinou no seminário protestante francês em Saumur e de 1618 até à sua morte, ocorrida no dia de hoje, 11 de janeiro de 1641, lecionou em Groningen teologia e hebraico.



Gomarus tornou-se então o líder dos opositores a Arminius, e os seus seguidores foram chamados gomaristas.



Em 1610, o grupo arminiano publicou “A Remonstrancia”, um manifesto que expunha o seu ponto de vista teológico. Imediatamente, os gomaristas replicaram com uma “Contra-Remonstrancia.” Esta controvérsia foi-se arrastando até 1618, quando o Sínodo de Dort ou de Dordrecht foi convocado para resolver a disputa. Este sínodo pronunciou-se contra os arminianos e asseverou nos seus decretos os chamados cinco pontos do calvinismo, a saber: a eleição incondicional, a expiação limitada, a depravação total, a graça irresistível e a perseverança final dos santos. Mas Gomarus, que desempenhou um papel preponderante no Sínodo de Dordrecht (1618-19), não conseguiu convencer o sendo a endossar o seu supralapsarianismo, isto é, a ideia de que o decreto divino da eleição antecedeu a queda do homem e contemplava o estado caído do homem como parte do plano divino da predestinação.



Gomarus era uma pessoa hábil, entusiasta e erudita, um considerável erudito das línguas bíblicas. Ele tomou parte na equipa de revisão da tradução holandesa do Velho Testamento em 1633, e depois da sua morte, um livro de sua autoria, chamado “Lyra Davidis”, foi publicado, o qual procurava explicar os princípios da métrica hebraica, e a qual criou alguma controvérsia na época, tendo sido criticada por Louis Cappel (1585-1658). As suas obras foram reunidas e publicadas num único volume folio, em Amsterdão, em 1645. Em Groningen, ele foi sucedido pelo seu aluno Samuel Maresius (1599-1673).


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Fontes Utilizadas:
Vários “Sítios” e enciclopédias na Internet e ainda algumas obras em papel.
Respigado daqui e dali.

Carlos António da Rocha

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