… Mas o melhor de tudo é crer em Cristo! Luís Vaz de Camões (c. 1524 — 1580)

quinta-feira, 12 de janeiro de 2017

12 de janeiro de 1871 • Henry Alford, “A pousada de um viajante no seu caminho para Jerusalém”



12 de janeiro de 1871 Henry Alford, 
“A pousada de um viajante no seu caminho para Jerusalém”
Henry Alford nasceu em 7 de outubro de 1810 em Londres. Seu pai era bispo titular da igreja anglicana e sua mãe morreu no momento de o dar à luz. Era uma criança que desde muito novo mostrou uma grande aptidão nas artes e na erudição e também um grande compromisso com o Senhor. Um de seus passatempos quando era criança, era escrever livrinhos. Quando tinha apenas cinco anos escreveu um libreto de cinco páginas intitulado “As viagens de São Paulo, desde a sua conversão até à sua morte.” Antes de atingir os dez anos já escrevia poemas em latim. Aos dez anos redigiu “Olhando para Jesus, ou o apoio aos crentes sob provas e aflições.” O primeiro capítulo começava, dizendo: “Olhar para Jesus, não é o que alguns suporiam, olhá-Lo com os nossos olhos físicos, porque não podemos ver Jesus tal como faziam os apóstolos e outros homens santos, mas aqui se toma no sentido espiritual, e significa primeiro olhá-Lo com fé, depois orar-Lhe.”



Aos 22 anos graduou-se no Colégio Trinity e no ano seguinte foi ordenado como assistente de seu pai. Dois anos depois contraiu matrimónio e tornou-se membro do Colégio Trinity. Enquanto ele ali estava, começou a sua monumental edição do Novo Testamento em Grego. Este comentário bíblico clássico de quatro volumes sobre o Novo Testamento, que o ocupou de 1841 a 1861, ainda hoje se usa. Neste trabalho juntou os principais manuscritos e as pesquisas dos mais destacados estudiosos do seu tempo. Nele, Henry Alford, mais preocupado com a filologia do que com a teologia, publicou uma obra que marcou a mudança no comentário homilético, com uma pesquisa mais recente, patrística e papiral, modernizando a exegética do Novo Testamento. Em 1835 foi nomeado bispo titular de Wymesworld e aí permaneceu durante os seguintes dezoito anos.





Em setembro de 1853, Alford foi nomeado ministro da Quebec Chapel, Marylebone, em Londres, onde tinha uma grande congregação. Em março de 1857 Lorde Palmerston nomeou-o deão do capítulo da catedral de Cantuária, onde, durante 18 anos, até à sua morte, Henry Alford viveu o mesmo estilo de vida energético e diversificado de sempre. Era amigo da maioria dos seus contemporâneos eminentes, e foi muito amado pelo seu caráter amável e afável.



Alford era um artista talentoso e polifacetado. Era bom músico, um entalhador e pintor de grande habilidade. Poucas pessoas na história da Igreja se desdobraram numa tão grande produtividade artística como ele. As suas publicações incluem sermões, conferências, ensaios, poemas, hinos. Tocava e compunha música para piano e órgão.



Quando Henry Alford morreu neste dia, 12 de janeiro de 1871, todos lamentaram profundamente a morte do seu tão amado decano. O cortejo funerário foi da Catedral de Cantuária para o cemitério de São Martinho. Aí concluiu-se o serviço religioso, entoando-se uns de seus hinos:



Dez milhares de milhares

Em brilhantes vestimentas radiantes,

O exército dos Santos resgatados

Uma grande multidão rodeada de luz;

Já acabou, tudo acabou,

A sua luta com a morte e o pecado;

Pressurosos passam as amplas portas de ouro,

E vitoriosos entram ali!



Trazem consigo a Tua grande salvação,

A do Cordeiro que foi sacrificado pelos pecadores;

Enche o rolo com os Teus escolhidos,

Toma logo o Teu poder e reina;

Aparece, Desejado das Nações

Teus exilados, anseiam o lar

Mostra nos céus o Teu sinal prometido,

Vem Príncipe e Salvador, vem!



Henry Alford levou a cabo muitos trabalhos, mas não necessitava de elogios. Depois da sua morte, encontrou-se o seguinte memorando escrito por ele: “Quando eu tiver partido e seja enterrado na sepultura, que ponham lá como indicação de quem lá jaz, estas palavras e apenas estas palavras: ‘Diversorium Viatoris Hierosolymam Proficiscentis’ (‘A pousada de um viajante no seu caminho para Jerusalém’) - Henry Alford”.



Como é que tu reages quando ouves de alguém que escrevia poemas em latim antes dos dez anos e que depois de tornou um autor famoso? Deus deu a poucas pessoas tantos talentos como os que tinha Henry Alford, contudo Ele tem capacitado a cada um dos Seus filhos para que leve a cabo algo que Ele havia, desde sempre, disposto para eles.



Ora o Deus de paz, que, pelo sangue do concerto eterno, tornou a trazer dos mortos o nosso Senhor Jesus Cristo, grande pastor das ovelhas, vos aperfeiçoe em toda a boa obra, para fazerdes a sua vontade, operando em vós o que perante ele é agradável, por Cristo Jesus, ao qual seja glória para todo o sempre. Ámen.” (Hb 13:20 e 21, ARC, Pt)


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Fontes Utilizadas:
Vários “Sítios” e enciclopédias na Internet e ainda algumas obras em papel.
Respigado daqui e dali.

Carlos António da Rocha

Este texto é de livre utilização, desde que a sua ortografia seja respeitada na íntegra porque já está escrito com o Português do Novo Acordo Ortográfico e que não seja nunca publicado nem utilizado para fins comerciais; seja utilizado exclusivamente para uso e desfruto pessoal. 

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