… Mas o melhor de tudo é crer em Cristo! Luís Vaz de Camões (c. 1524 — 1580)

domingo, 23 de abril de 2017

SALMO 39


C. H. Spurgeon
O Tesouro de David
SALMO 39

DIVISÃO. O Salmista, abatido pela enfermidade e pela tristeza, vê-se arrasado por pensamentos de incredulidade, que ele decide afogar, para que não lhe venha nenhum mal por expressá-los (Versículo 1, 2). Mas o silêncio cria uma pena insuportável, que por fim exige ser expressa, e ele o consegue na oração dos versículos 3-6, que é quase uma queixa e um suspiro pela morte, ou, pelo menos, um quadro muito desanimador da vida humana. Nos versículos 7-13 o tom é mais submisso e o reconhecimento da mão divina mais distinta; a nuvem há, evidentemente, passado, e o coração dolorido é aliviado. C. H. S.



TODO O SALMO. A mais bela de todas as elegias no Saltério. H. Ewald.



Versículo 1. Disse. Tenho resolvido, decidi-me. Na sua grande perplexidade, o seu maior temor era que poderia pecar; e, por isso, busca o método que mais lhe garanta evitá-lo, e está decidido a calar-se. É excelente que um homem se confirme num bom curso ou trajetória, pelo aviso de uma resolução bem-feita e boa. C. H. S.



Versículo 1. Eu disse: guardarei os meus caminhos. Sócrates conta de um tal Pambo, um homem bom e bem intencionado que foi ver um amigo dele e pediu-lhe que lhe ensinasse um dos Salmos de David. O amigo leu-lhe este versículo. Pambo respondeu: “Este versículo é bastante se o aprender bem.” Dezanove anos mais tarde ele disse que durante todo aquele tempo apenas tinha podido aprender aquele versículo. Samuel Page.



Versículo 1. Para não pecar com a minha língua. Os pecados da língua são muito graves; como as faíscas do fogo, as palavras néscias ou vãs espargidas podem causar grande dano. Se os crentes pronunciarem palavras duras contra Deus em tempos de depressão, o maligno e os ímpios vão aproveitar isso e vão usá-las como justificação para as suas vidas pecaminosas. Se os próprios filhos de um homem murmuram ou lhe faltam ao respeito, não é de estranhar que a boca dos inimigos se ache cheia de insultos. C. H. S.



Versículo 1. Para não pecar com a minha língua. A boca do homem, embora seja só um buraco pequeno, pode conter um mundo de pecado. Porque não há nenhum pecado proibido na Lei ou no Evangelho que não seja dito pela língua, pensado no coração ou feito na vida. Não é, pois, quase tão difícil governar a língua como governar o mundo? Edward Reyner.



Versículo 1. Enfrearei a minha boca, ou Vou manter a minha boca com uma mordaça, na KJV, ou mais precisamente, com uma focinheira, ou um freio. Porei à minha boca um freio, ou mais exatamente, uma focinheira ou mordaça. A focinheira, segundo os originais, é mais efectiva que uma brida ou um freio, pois impede (completamente) totalmente de falar. David havia feito bem, resolvendo ser muito precavido nas suas palavras, mas quando tomou a decisão de guardar silêncio total, até mesmo para o bem, é que tinha evidentemente amargura na sua alma. O evitar uma falta não nos deve levar a outra. O usar a língua contra Deus é um pecado de comissão, mas não a usar a Seu favor é um pecado de omissão. As virtudes louváveis devem ser seguidas tanto como os vícios têm de ser evitados; mas para nos livrarmos de Cila não temos de cair em Caríbdis. C. H. S.



Versículo 1. Enquanto o ímpio estiver diante de mim. Isto modifica o caráter do seu silêncio e atenua a crítica, porque o homem mau vai usar mal, até mesmo, as nossas palavras mais santas, e não é bom que deitemos as nossas pérolas aos porcos. Os crentes mais firmes são provados pela incredulidade, e o diabo conseguiria uma grande vitória se publicassem as suas dúvidas e vacilações. Se eu tiver febre, não há razão para que procure contagiar o vizinho. Se houver alguém a bordo doente, terá de pôr o coração em quarentena e não permitir que ninguém desembarque no bote da fala até que tenha um atestado de saúde. C. H. S.



Versículo 1. Enquanto o ímpio estiver diante de mim. É um tormento ser obrigado a escutar tanta tagarelice impertinente neste mundo, porém, uma vantagem discernir e evitar as palavras inúteis. É surpreendente que os homens possam pôr em movimento tanto vento, e quanto mais exalam, mais pródigos são em seu fôlego e seu abuso da paciência de outros, e descuidados das suas próprias conveniências. William Struther.



Versículo 2. Emudeci. Há sete espécies de silêncio: 1) Silêncio estóico. 2) Silêncio político ou diplomático. 3) Silêncio néscio. 4) Silêncio áspero. 5) Silêncio forçado. 6) Silêncio do desânimo. 7) Silêncio santo, prudente, gracioso. —Thomas Brooks “Mute Christian.”



Verso 2. Calava-me mesmo acerca do bem, ou, Guardei silêncio e me calei. Perguntaram a um Cristão que fruto tinha obtido de Cristo, e ele respondeu: “Não é um fruto o não se sentir afetado pelas vossas recriminações?” Em casos desta natureza temos que referir tudo a Deus. Christopher Sutton, B.D.,—1629, in Disce Vicere.



Versículo 2-9. Um inválido a quem tinham ordenado que tomasse um par de pílulas, em vez de as tomar imediatamente, foi as passando suavemente pela boca com a língua para que se dissolvessem apesar de serem muito amargas. Gotthold estava presente e murmurou: “Os insultos e as calúnias dos adversários são pílulas amargas; nem todos entendem a arte de engolir sem mascar.” Para os Cristãos, de qualquer maneira, elas são saudáveis em várias formas. Recordam-lhes a sua própria culpa; põem à prova a sua mansidão e paciência; mostram-lhes do que devem guardar-se; e, finalmente, redundam em sua honra e glória à vista dAquele por quem tiveram de sofrer. Com respeito às pílulas da calúnia, todavia, assim como às outras, é aconselhável não as ir diluindo continuamente na mente, ou julgá-las segundo a carne e a opinião do mundo. Isto vai incrementar o seu sabor amargo, estendê-lo-á pela língua e encherá o coração com proporcional animosidade. A forma correta de proceder é engoli-la, guardar silêncio e esquecer. Christian Scriver.



Versículo 3. O coração ardia-me no peito! A fricção dos pensamentos internos produzia um calor intenso mental. A porta do seu coração estava fechada, e com o fogo do sofrimento ardendo dentro da estância da sua alma se esquentou de modo irresistível. O silêncio é algo terrível para o que sofre; é um método seguro para perder a razão. Na minha meditação se acendeu fogo. Enquanto o seu coração estava meditando, estava-se derretendo, posto que o tema era confuso. C. H. S.



Versículo 3. Enquanto eu meditava. Que bênção, que privilégio é a oração (além de ser um dever)! Agora, a meditação é uma ajuda à oração. Gersom chama-a o tutor da oração. A meditação é como azeite para a lâmpada; a lâmpada da oração apagar-se-á, a não ser que a meditação a sustente. A meditação e a oração são como duas pombas; se se separar uma da outra, morrem. Um pescador ardiloso observa o tempo e ocasião em que os peixes picam mais, e então coloca o anzol na água; quando o coração está aquecido pela meditação, é o melhor momento para lançar a cana da oração e pescar misericórdia. Depois que Isaac esteve meditado no campo, estava preparado para a oração quando chegou a casa. Quando o canhão é carregado com a pólvora está pronto para disparar. Assim quando a mente está cheia de bons pensamentos, o Cristão está preparado para disparar a oração, e agora envia rajada após rajada de suspiros e gemidos para o Céu.



A meditação produz um dobro benefício: verte dentro e fora; primeiro verte bons pensamentos na mente, e logo os derrama outra vez em oração; a meditação primeiro provê o material para a oração e logo prepara ao coração para orar. Thomas Watson.



Versículo 3. Enquanto eu meditava. Medita até que vejas que o teu coração se aqueceu para este dever. Se quando um homem sentir frio lhe perguntas durante quanto tempo ficará junto ao fogo, dir-te-á: até que me tenha aquecido e me sinta preparado para trabalhar. Assim, Cristão, o teu coração é frio; põe-te perto do fogo da meditação até que sintas os teus afetos quentes e preparados para o serviço espiritual. Thomas Watson.



Versículo 3. Enquanto eu meditava. Quando os oficiais entram de noite numa casa suspeita, a primeira pergunta que fazem é: “Quantos e os quais são os que estão aqui?” Assim, quando Deus entra no nosso coração escuro, a pergunta é: Que pensamentos há aqui? Por que surgem estes pensamentos na tua mente? “Não vos fizestes juízes de maus pensamentos?” (Lc 24:38; Tg 2:4). Faithful Teat



Versículo 3. Proferi com a minha língua. A língua amordaçada rompe as travas. Vai sair miséria em abundância. Podes fazer emudecer o louvor, mas a angústia clama e vocifera. Resolução ou não, precaução ou não, pecado ou não, a corrente avassaladora força e arrasta tudo à sua passagem. C. H. S.



Versículo 4. SENHOR, dá-me a conhecer o meu fim. O Salmista quer saber mais da brevidade da sua vida para poder aguentar os seus males passageiros, e até aqui podemos ajoelhar-nos com ele, pronunciando a mesma petição. Mas que não haja limite para a sua miséria é um verdadeiro inferno; mas que haja um fim à aflição da vida é a esperança de todos os que têm esperança além da sepultura. Deus é o melhor mestre da filosofia divina, que olha para um fim esperado. Os que vêem a morte através do cristal do SENHOR vêem uma vista formosa, que os faz esquecer o mal da vida ao prever o fim da vida. C. H. S.



Versículo 4. E a medida dos meus dias qual é, para que eu sinta quanto sou frágil. Isto é, quando vou deixar de ser. Ai!, pobre natureza humana, querida como a vida, o homem alterca com Deus de modo que antes deseja deixar de ser que aguentar o atribuído pelo SENHOR. Que mesquinhez num santo! Mas esperemos um pouco até que nos achemos numa posição semelhante à sua, e não obraremos muito melhor. O navio no molho surpreende-se de que apareça uma via de água na barca, mas quando ele se lança no alto mar assombra-se de que os madeiros resistam a tais tempestades sem se rachar. O caso de David não se regista para que o imitemos, mas, sim, para que aprendamos. C. H. S.



Versículo 4. Entre Walsall e Fretsy, em Cheshire, há uma casa que é uma taberna, edificada no ano de 1636, com armação de carvalho, e com enchimento de tijolo. Sobre o dintel de uma das janelas pode ler-se, gravada no carvalho, uma inscrição em latim que diz: “Chorarias se soubesse que só te resta um mês de vida; mas ris, sem saber que quiçá te resta um dia.” Que triste é a ideia de que com este mentor silencioso, este sermão veraz ante os olhos, tenham sido milhares os que, entrando nela, embebedaram-se para a destruição da sua alma. E, contudo, isto é uma semelhança do que vemos constantemente em nós mesmos.



Versículo 5. O tempo da minha vida é como nada diante de Ti. Tão curto que não é quase nada. Pensa na eternidade, e num anjo recém-nascido, o mundo novo e reluzente, o sol como uma faísca que saltou do fogo, e o homem inexistente. Ante o Eterno, a idade do homem é como um tic-tac de relógio. C. H. S.



Versículo 5.nada. Se um homem é tão minúsculo comparado com a fábrica do grande mundo, e o mundo em si tão pequeno que não pode conter ao SENHOR, tão pequeno e ligeiro que Ele não sente o peso do mesmo na ponta de seu dedo, pode-se muito bem dizer do homem que não é “nada” colocado ante o SENHOR. Edmund Layfielde.



Versículo 5. Certamente é como um sopro todo homem que vive, ou todo ser humano, seja quem for, não passa de um breve sopro. Isto é uma grande verdade, e não há nada mais certo que isso. Considera um homem, o melhor, e não é um homem mais que um sopro, insustancial como o vento. A sua perseverança é a inconstância. A sua vaidade é a única verdade; o melhor nele é que é vão, só vaidade. C. H. S.



Versículo 5. Selah. Esta expressão menciona-se setenta e quatro vezes na Escritura: setenta e uma vezes no livro dos Salmos e três no livro do profeta Habacuc, que foi escrito em forma de Salmo. E. Layfielde



Versículo 6. Sim, como uma sombra que passa é o homem. Os homens no mundo andam como um viajante que tem uma miragem: enganados, confundidos e, logo, cheios de desengano e desespero. C. H. S.



Versículo 6. Na verdade, em vão se inquieta. Lê bem este texto e logo escuta o clamor do mercado, o rumor da bolsa, o estrondo das ruas da cidade, e recorda que todo este ruído, esta interrupção da quietude, é algo insustancial, vaidades passageiras. O descanso interrompido, o temor ansioso, o cérebro sobrecarregado, a mente que se derruba, a loucura, todos eles são passos no processo da inquietação e do desassossego de muitos, e todos se inquietam em excesso para ser ricos, ou seja, para encher-se até transbordar de argila; argila que logo vão deixar, depois de tudo. C. H. S.



Versículo 6. Na verdade, em vão se inquieta. Todo homem carnal anda numa feira de vaidade e, apesar de tudo, como se envaidece da sua feira de vaidade! Inquieta-se em vão, e é só vaidade o que o inquieta. Trabalha toda a sua vida pela ganância das riquezas, e, contudo, na morte, as suas riquezas não lhe aproveitarão. Aquele que olhe a um boi que pasta num prado viçoso, chega à conclusão de que o preparam para a matança. William Secker.



Versículo 6. Amontoa riquezas, e não sabe quem as recolherá. Os homens levantam-se cedo e deitam-se tarde para edificar uma casa, e logo um estranho se passeia pelos seus corredores, ri-se nos seus aposentos, e nem se lembra de quem a edificou e a chama propriamente sua. Este é um dos males sob o sol para o qual não há remédio prescrito. C. H. S.





Versículo 6. A trindade do mundo consiste em: 1. Honras infrutíferas; as que vos parecem honras substanciais são apenas uma vã ostentação. 2. Cuidados desnecessários. Eles estão inquietos em vão. Cuidados imaginários são substituídos por reais. 3 Riquezas inúteis; que não lhes dão satisfação permanente nem a eles nem aos seus descendentes que as recebem. Mrs. Rogers, in “The Shepherd King.”



Versículo 7



Amanhã, amanhã, e de novo amanhã,

Que vem passo a passo, um após o outro,

E assim até ao fim do tempo registado;

E cada ontem foi acompanhando a néscios

No seu caminho para o pó. Basta já, débil vela!

A vida é uma sombra que se move;

Um pobre ator que se passeia um momento

De cima abaixo pela cena, e logo

Se vai e não volta já para aparecer; é um relato

Contado por um néscio, bem repleto

De gritos e de gestos, mas sem significado.

—William Shakespeare.



Versículo 8. Livra me de todas as minhas transgressões. É um bom sinal quando o Salmista já não insiste sobre as suas aflições, mas, sim, pede para ser livrado dos seus pecados. O que é a pena quando a comparamos com o pecado? Que o veneno do pecado seja tirado da taça, e não temos por que temer a sua amargura, porque o amargo cura. Ninguém pode livrar a um homem da sua trasgressão, mais que Aquele bendito a quem chamamos Jesus, porque Ele salva o Seu povo dos seus pecados. C. H. S.



Versículo 8. Não me ponhas por escárnio do insensato. Pelos prazeres carnais de uns poucos dias alguns trocam a sua jóia eterna! Por uns grãos de terra amarela perdem a cidade empedrada de ouro e de portas de pérolas! Oh necedade sem medida! Oh loucura inconcebível! Verdadeiramente, temos que orar com toda a sinceridade: “Não me ponhas por escárnio do insensato”, ou noutra leitura sos originais, “Não me exponhas às zombarias dos insensatos.” Origenes, citado por J. M. Neale



Versículo 9. Emudeci; não abro a minha boca, porquanto Tu o fizeste. Deus está ensinando aos Seus filhos aqui. Este é o verdadeiro caráter dos Seus relacionamentos com eles. A educação dos Seus santos é o objeto que tem à vista. É um treinamento para o reino; é uma educação para a eternidade. É a disciplina do amor. Cada passado do mesmo é bondade. Não há ira nem vingança em parte alguma do processo. A disciplina da escola pode ser severo e rígida, mas a da família é amor. C. H. S.



Versículo 9. Emudeci; não abro a minha boca, porquanto Tu o fizeste. O santo ancião estava na prisão “pela Palavra de Deus e pelo testemunho de Jesus Cristo.” Os seus perseguidores implacáveis levaram-lhe numa bandeja a cabeça sangrenta do seu filho martirizado, Richard Cameron, e perguntaram-lhe com ironia se a conhecia. “Conheço-a, conheço-a” disse o pai, e beijou a fronte do filho; “é a de meu filho, do meu próprio filho querido! É o SENHOR! Boa é a vontade do SENHOR, que não me pode fazer dano a mim ou aos meus, mas, sim, tem feito que a bondade e a misericórdia nos sigam todos os dias da vida.” Horatius Bonar, in “The Night of Weeping, “1847.



Versículo 9. Porquanto Tu o fizeste. Se o Rei de reis põe a Sua mão sobre o nosso ombro, queridos, ponhamos a nossa sobre a boca. Nicholas Estwick, B.D., 1644.



Versículo 9. Uma menina, na providência de Deus, nasceu surda-muda. Foi aceita e ensinada numa instituição estabelecida para os que padecem desta enfermidade. Um dia, um visitante fazia pergunta a estes meninos privados dos gozos comuns da infância. Fez várias perguntas, que foram rapidamente respondidas mediante papel e lápis. Finalmente, o visitante escreveu: “Por que nasceu surda-muda?” Um olhar de angústia nublou por um momento o rosto da menina, porém, rapidamente desapareceu e, tomando o papel e o lápis, ela escreveu: “Está bem, Pai, porque assim agrado à Tua vista.” Mrs. Rogers, in “The Shepherd King.”



Versículo 10. Estou desfalecido pelo golpe da Tua mão. Podemos fundar os nossos rogos na nossa debilidade e aflição. É bom mostrar ao nosso Pai as feridas que resultam dos Seus açoites, se por acaso a Sua compaixão paternal lhe alivia a mão, e a move para nos consolar em Seu peito. Não é para nos consumir que Ele dirige a Sua disciplina, mas para consumir os nossos pecados. C. H. S.



Versículo 11. Castigando os seus pecados, corriges o homem. Deus não brinca com a Sua vara; usa-a por causa do pecado, e com vista a sovar-nos com ela; daí que Ele quer que sintamos os golpes, e seriamente os sentimos. C. H. S.



Versículo 11. E desfaz como traça toda a sua beleza. Como a traça estraga o tecido, e com isso a sua beleza, furando-a e deixando-a imprestável, assim também os castigos de Deus descobrem em nós a nossa loucura e debilidade e nos fazem sentir como vestidos velhos, gastos e inúteis. A beleza tem de ser muito pouca coisa quando uma traça pode consumi-la e uma repreensão deitá-la a perder. C. H. S.



Versículo 11. Como traça. As traças do Oriente são muito grandes e bonitas, mas de curta vida. Depois de umas chuvadas, estes esplêndidos insetos vêem-se a revoar na brisa, mas o tempo seco e os seus numerosos inimigos logo os eliminam. Do mesmo modo, a formosura do homem consome-se como a deste formoso inseto, vestido em suas roupas de púrpura, escarlate e verde. John Kitto



Versículo 11. Algumas mariposas só vivem umas vinte e quatro horas. Que tragédia para a que nasce num dia chuvoso! Anónimo



Versículo 11. De sorte que todo o homem é vaidade. O que é a grandeza? Podemos atribui-la ao homem, independentemente das suas qualidades como ser imortal? Ou das suas ações, independentemente dos seus princípios e motivos? Assim pois, o reluzir da nobreza não é superior à plumagem de um pavão, nem o valor de um Alexandre à fúria de um tigre, nem os deleites sensuais de Epicuro aos do animal que ronda pelo bosque. Ebenezer Porter, D.D., in Lectures on Homiletics, 1834.



Versículo 12. Ouve, SENHOR, a minha oração. Agora, nesta oração de David achamos três coisas, que são três qualificações para as orações aceitáveis. A primeira é a humildade. A segunda são o ardor e a insistência. A terceira é a fé. “Aquele que se aproxima de Deus creia que ele existe, e que é galardoador dos que o buscam.” (Hb 11:6). E, certamente, como o que vai a Deus tem de crer nisto, o que o crê, não pode senão ir a Deus. Condensed from Robert Leighton.



Versículo 12. Não te cales perante as minhas lágrimas. As lágrimas falam com mais eloquência do que dez mil línguas; atuam como chaves nos departamentos dos corações ternos, e a compaixão não lhes nega nada se através delas o que chora olha para as gotas do sangue de Jesus. C. H. S.



Versículo 12. Porquanto, perante Ti, sou um estrangeiro. Não para Ti, mas junto de Ti. Como Tu, meu SENHOR, um estranho entre os filhos dos homens, um estranho para os filhos de minha mãe. Deus fez o mundo, sustenta-o, possui-o, e, contudo, os homens O tratam como se Ele fora um intruso e estranho; e como tratam ao SENHOR, assim tratam aos Seus servos. “Não é surpreendente que sejamos desconhecidos.” Estas palavras podem também significar: “Eu compartilho a hospitalidade de Deus” como um estranho hospedado por um anfitrião generoso. C. H. S.



Versículo 12. Sou para Contigo como um estranho, um peregrino Por mais que estejam bem estabelecidos, este é a têmpera dos santos sobre a terra: o de se considerarem a si mesmos como estranhos. Todos os homens são, de facto, estranhos e forasteiros, mas os santos discernem isso melhor e o reconhecem de modo mais franco. Os homens maus não têm morada permanente na Terra, mas isto vai contra as suas intenções; o seu pensamento e os seus desejos internos são que possam viver para sempre. São estranhos contra a sua vontade; a sua habitação no mundo é incerta; e não o podem evitar. Thomas Manton.



Versículo 13. Poupa-me, até que tome alento, antes que me vá, e não seja mais. O homem no seu estado corrupto é como Nabucodonosor: tem um coração de besta que somente anela a satisfação do seu apetite sensual; mas quando é renovado pela graça, então recupera o entendimento. David, até aqui, não se recuperou ainda daquele pecado que o pôs num nível tão baixo como podemos perceber nos versículos 10 e 11 deste Salmo. E o homem bom não pode pensar em morrer, aceitando o facto, até que o seu coração está numa condição mais santa; e para a paz do evangelho, serenidade da consciência e gozo interno, cada falta de santidade é como veneno para os espíritos que o bebem. William Gurnall.

Tradução de Carlos António da Rocha

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