… Mas o melhor de tudo é crer em Cristo! Luís Vaz de Camões (c. 1524 — 1580)

sexta-feira, 17 de março de 2017

17 de março de 1789 • “Just as I am” (Tal como sou, e/ou, Tal qual estou)” assim Jesus encontrou Charlotte Elliott



17 de março de 1789 Just as I am” (Tal como sou, e/ou, Tal qual estou)” assim Jesus encontrou Charlotte Elliott
 
Nascida neste dia, 17 de março de 1789, Charlotte Elliott cresceu num lar culto e espiritual da Inglaterra. Seu avô foi o famoso pregador Henry Venn, e seu pai e irmão também foram ministros do santo Evangelho de nosso Senhor Jesus Cristo.



Em 1821, quando Charlotte andava pelos trinta anos, sofreu uma grave doença que a deixou muito enferma  e com grande sofrimento para o resto da sua vida. Charlotte ficaria inválida para o resto da sua vida. Então, os sentimentos de debilidade e de impotência derivados deste seu grave problema de saúde, deram lugar a uma luta contra a depressão durante toda a sua vida. No início da sua doença, foi rebelde para com Deus. Queixou-se certa vez: “Se Deus me amasse, não me teria tratado desta maneira.” Contudo, uma visita do ilustre pastor suíço, e músico sacro protestante, César Malan [Henri Abraham César Malan (Genebra, 7 de julho de 1787-Vandoeuvres, 18 de maio de 1864)], iria mudar-lhe a sua vida.



Num dia em 1822, quando Charlotte estava especialmente deprimida e irritável, o doutor César Malan, um velho amigo da família, questionou-a acerca da fé dela. O Pastor perguntou a Charlotte se ela realmente tinha aceitado a Cristo. Ela ressentiu-se com esta pergunta. Incomodou-se e sentiu-se ofendida, mas as palavras do pastor Malan importunavam-na no seu coração. Malan, prudentemente, não insistiu, mas disse: ”Não insisto em falar nisso, mas orarei para que você entregue o seu coração a Cristo e que se torne uma grande obreira na causa dEle.”



Dias mais tarde, quando Charlotte se estava sentindo melhor, procurou o doutor Malan e pediu-lhe ajuda, confessando-lhe a sua situação de descrente, de estar separada de Deus. Falou-lhe das suas frustrações e dos seus sentimentos.

- “Desejo ser salva. Desejo aproximar-me de Jesus, mas não sei como. Que devo fazer para ser crente?”, perguntou tristemente ao amigo.

- ”Deve-se entregar a Cristo, tal qual está”, foi a resposta dele, muito simplesmente.

- “Será que Deus me recebe, tal qual estou?”, perguntou Charlotte, pensando na sua rebeldia, nos seus temores e no seu rancor.

- “Sim, tal qual está”, replicou-lhe sinceramente o Dr. Malan.



Charlotte chegou-se a Jesus pela fé nesse dia, e a paz encheu o seu coração pela primeira vez. As palavras do pastor Malan provinham do Senhor e falaram a Charlotte poderosamente. Ela, posteriormente, continuou lutando com a depressão, conforme os seus problemas de saúde a atormentavam, mas agora tinha a Jesus para que a ajudasse nas suas dificuldades.



Seguiu-se um dia de provação muito dolorosa para Charlotte. Em 1834, o irmão de Charlotte, aquele que era pastor, procurava organizar uma escola para as filhas de pastores pobres e sem recursos. Todos ao seu redor se empenhavam em o ajudar. Charlotte também queria ajudar, mas, muito doente como estava, era-lhe impossível. Sentia-se uma inválida. Não pôde ir a um evento na igreja, ao qual realmente desejava estar presente, devido ao seu estado de debilidade e de estar a sofrer dores muito intensas. Estava profundamente deprimida, sentindo que não podia fazer nada para servir ao Senhor, sentia-se como uma inválida, presa à sua cama e confinada à sua casa. Então na sua triste miséria achou uma pluma e um papel para escrever e derramou nele os seus sentimentos. Conforme escrevia, as palavras do irmão Malan voltavam para a sua mente, e sentiu que era libertada de um grande peso, e isto foi o que escreveu:



Just as I am - without one plea,

(Tal como sou, uma pecadora)

But that Thy blood was shed for me,

(Sem ter mais confiança que o Teu amor)

And that Thou bidst me come to Thee,

(Já que me chamas, eu venho a Ti,)

-O Lamb of God, I come!

(Ó Cordeiro de Deus, eis-me aqui!)



Deus pôs-lhe no seu coração este hino “Just as I am.” (Tal como sou, e/ou, Tal qual estou) Escreveu, inicialmente, seis estrofes. Expressou as grandes certezas, não das suas emoções, mas da sua salvação, do seu Senhor, do Seu poder, das Suas promessas. Por fim, a venda do seu hino angariaria mais recursos para a escola das filhas de pastores pobres do que os esforços de todos os outros.



Charlotte Elliott publicou o hino anonimamente num pequeno jornalito cristão. Sem que soubesse, com o passado do tempo o hino ganhou popularidade e foi compartilhado em igrejas e revistas cristãs. Uma senhora cristã rica sentiu-se tão comovida e abençoada com a mensagem da sua letra, que o fez publicar numa folha volante e distribuiu-o por toda a Inglaterra. Um dia o médico de Charlotte entregou-lhe uma destas folhas volantes, pensando que o poema poder-lhe-ia ser uma ajuda. Imagine a surpresa de ambos, quando ela reconheceu suas próprias palavras! Charlotte estava assombrada ao inteirar-se de quantas pessoas tinham sido tocadas pelo seu hino. Deu-se conta que escrever não só era uma fonte de consolo para ela, mas também podia levar consolo a outros. Tinha encontrado o seu ministério! Continuou escrevendo hinos ao longo dos anos, e se bem que vivia com muitas dores, os seus hinos de maneira consistente demonstravam gentileza, paciência e fortaleza espiritual.



Anos mais tarde, quando “Just as I am” (Tal como sou, e/ou, Tal qual estou)” já era conhecido em toda a Inglaterra, o seu irmão pastor, comentou com ela que decerto este seu hino dera mais fruto espiritual que todo o seu trabalho ministerial.



Ao longo dos anos, este hino tornou-se num dos hinos favoritos que se canta nas igrejas evangélicas de todo o mundo cristão, no momento em que se convidam os pecadores para que se aproximem para receber a Cristo como seu Senhor e Salvador.



Ao todo Charlotte Elliott escreveu 150 hinos, que refletiam o seu amor pela poesia e pela música. Escreveu muitos hinos procurando ajudar especialmente todas as pessoas que sofriam. Foram publicados em alguns hinários da época. As poesias de Charlotte Elliott são caracterizadas pela ternura de sentimentos, pela simplicidade, pela melancolia, pela devoção profunda e ritmo perfeito. Para as pessoas sofrendo enfermidades e tristezas, ela unguenta como poucos.



O doutor Malan nunca imaginou que a sua simples resposta à pergunta de Charlotte seria repetida uma e outra vez por incontáveis Cristãos em todo mundo. Nós nunca saberemos como as nossas palavras podem impactar a outros. Ore para que Deus as use para este propósito.



A minha palavra e a minha pregação não consistiram em palavras persuasivas de sabedoria humana, mas em demonstração do Espírito e de poder; Para que a vossa fé não se apoiasse em sabedoria dos homens, mas no poder de Deus.” (1Co 2:4-5, ARC, Pt)


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Fontes Utilizadas:
Vários “Sítios” e enciclopédias na Internet e ainda algumas obras em papel.
Respigado daqui e dali.

Carlos António da Rocha

Este texto é de livre utilização, desde que a sua ortografia seja respeitada na íntegra porque já está escrito com o Português do Novo Acordo Ortográfico e que não seja nunca publicado nem utilizado para fins comerciais; seja utilizado exclusivamente para uso e desfruto pessoal.

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