… Mas o melhor de tudo é crer em Cristo! Luís Vaz de Camões (c. 1524 — 1580)

segunda-feira, 27 de março de 2017

27 de março de 196 a. C. • A pedra que falava egípcio



27 de março de 196 a. C. A pedra que falava egípcio

Possível reconstrução da estela em seu estado original.
O que poderá uma pedra ensinar-nos sobre os tempos bíblicos?




A Bíblia relata muitos acontecimentos que tiveram lugar entre as nações ao redor de Israel. Na verdade, podemos entender melhor a Bíblia quando entendemos os vizinhos de Israel. A chave para a escrita de um desses vizinhos, o Egito, veio-nos das mãos de Pierre-François Bouchard, que a 15 (ou a 19, segundo outras fontes) de julho de 1799, durante a campanha de Napoleão Bonaparte no Egipto, quando estava reconstruindo Fort Julien descobre na cidade de Roseta, cerca de 56 quilómetros ao norte de Alexandria, um bloco de pedra basáltico negro gravado com uma escrita antiga, que ficou conhecido na História como a Pedra de Roseta. Trata-se de um fragmento negro de uma estela de granodiorito do Egito Antigo, com uma inscrição bilíngue (grego e egípcio), em três formas de escrita: hieroglífica, demótica (itálico) e grego uncial (em maiúsculas).



Bouchard imediatamente reconheceu o seu grande valor. Embora os europeus soubessem bem grego, eles não sabiam como interpretar os hieróglifos egípcios. Bouchard supôs que, comparando os hieróglifos com os sinais gregos, os estudiosos seriam capazes de decifrar a antiga escrita hieroglífica egípcia. E estava certo.



Durante 23 anos a Pedra de Roseta permaneceu indecifrável. Thomas Young fez alguns progressos na decifração inicial dos hieróglifos da estela. Porém, foi o egiptólogo francês Jean-François Champollion (1790-1832) que finalmente decifrou os hieróglifos.



Ele descobriu que a Pedra de Roseta era um decreto do rei Ptolomeu V de 196 a. C. Nele se relata que o faraó Ptolomeu V Epifânio (ca. 210 a.C. — 181 a.C.) havia concedido ao povo a isenção de uma série de impostos. Em sinal de agradecimento, os sacerdotes ergueram uma estátua de Ptolomeu V em cada templo e organizaram festividades anuais em sua honra. Para deixar registada para sempre tal decisão, gravaram-na em várias estelas comemorativas e colocaram uma delas em cada templo importante da época. Os soldados de Napoleão Bonaparte encontraram uma dessas pedras. Apesar de estar mutilada, foi possível reconstituir a totalidade do texto original da estela, graças a outras cópias do decreto que foram encontradas.



A estela foi erguida após a coroação do rei Ptolomeu V, e foi inscrita com um decreto que estabelecia o culto divino do novo soberano. O decreto foi proclamado por um congresso de sacerdotes reunidos em Mênfis, em “4 de Xandico”, no antigo calendário macedónico, e “18 de Meshir” no calendário egípcio, que corresponde à data deste dia de hoje, 27 de março de 196. O ano é citado como o nono ano do reinado de Ptolomeu V (equivalente a 197/196 a.C.), o que é confirmado através da citação de quatro sacerdotes que foram nomeados para o cargo no mesmo ano; Aeto, filho de Aeto foi sacerdote dos cultos divinos de Alexandre, o Grande e de cinco Ptolomeus, inclusive o próprio Ptolomeu V; seus três colegas, também citados nominalmente na inscrição, iniciaram o culto a Berenice Evérgeta (esposa de Ptolomeu III), Arsínoe Filadélfia (esposa e irmã de Ptolomeu II) e Arsínoe Filopator, mãe de Ptolomeu V.



Os hieróglifos usavam figuras para representar os objectos, sons e grupos de sons. Assim que as inscrições da Pedra de Roseta foram traduzidas, a linguagem e a cultura do Antigo Egipto foram repentinamente abertas aos cientistas como nunca antes.



Foi dado um passo gigante para a compreensão dos hieroglíficos em todos os túmulos e monumentos egípcios. Muito do que sabemos sobre os faraós e da história egípcia decorre da descoberta acidental de Bouchard e da análise de Young e Champollion. A Pedra de Roseta é considerada, na atualidade, como a chave da tradução dos hieróglifos egípcios e permitiu, além disso, conhecer o mundo bíblico. Por causa da Pedra de Roseta, os estudiosos bíblicos têm sido capazes de aprender muito sobre a religião do antigo Egito e da história. Isto permitiu-lhes fazer suposições sobre assuntos de importância para a história da Bíblia, como qual teria sido o faraó que governava no Egito na época do Êxodo.

****

Fontes Utilizadas:
Vários “Sítios” e enciclopédias na Internet e ainda algumas obras em papel.
Respigado daqui e dali.

Carlos António da Rocha

Este texto é de livre utilização, desde que a sua ortografia seja respeitada na íntegra porque já está escrito com o Português do Novo Acordo Ortográfico e que não seja nunca publicado nem utilizado para fins comerciais; seja utilizado exclusivamente para uso e desfruto pessoal.

Sem comentários: