… Mas o melhor de tudo é crer em Cristo! Luís Vaz de Camões (c. 1524 — 1580)

sexta-feira, 31 de março de 2017

31 de março de 1879 • (Gipsy) Smith, o evangelista cigano

31 de março de 1879 (Gipsy) Smith, o evangelista cigano
(Gipsy) Smith, o evangelista cigano, quando Capitão do Exército de Salvação



Neste dia, 31 de março de 1860, nasce um ciganito em Epping Forest, a menos de dez quilómetros de Londres. Era o quarto filho do casal de ciganos, Cornelius e Polly Smith. O garoto recebeu o nome de Rodney Smith e não demorou muito a ficar órfão de mãe.



A família vegetava vendendo cestas e molas de roupa. E, de vez em quando, o pai alcoólico passava alguns dias no xelindró por cometer algum delito. Numa dessas ocasiões, deu ouvidos ao Evangelho pregado pelo capelão que assistia a prisão e nasceu de novo. E, com o tempo, o mesmo foi acontecendo com outros familiares, e até o próprio Rodney já era crente aos 16 anos. O que o levou à fé foi o testemunho do seu pai, as campanhas evangelísticas do cantor americano Ira Sankey (1840--1908) e uma visita que ele fez à cabana de John Bunyan, o famoso crente batista, autor do “Peregrino”.



Rodney foi um autodidata, aprendeu sozinho a ler e a escrever. Uma Bíblia, um dicionário de Inglês e um dicionário bíblico, que ele sempre levava com ele, “foram os instrumentos para o seu progresso incerto em direção à aptidão literária”. Na sua autobiografia, Smith revelou as suas dificuldades com os estudos, pois a leitura de um texto, durante os cultos, era-lhe extremamente difícil. “Eu lia devagar e cuidadosamente até encontrar uma palavra comprida. Aí, eu parava e fazia um comentário.” Ele, então, começava a ler novamente, pulando o “palavrão”! Dizem que D. L. Moody, que também sofria visivelmente de falta de instrução escolar formal, usava, às vezes, estratégia similar, pelo menos no início de seu ministério.



Ele se converteu em 1876 e, no ano seguinte, foi convidado pelo “General” William Booth a juntar-se a ele como evangelista no Exército de Salvação, no trabalho evangelístico, em Londres. E quando ele tinha 17 anos, já pequenas multidões se reuniam, em diversas cidadezinhas, nas campanhas do Cigano, para o ouvir pregar o Evangelho de nosso Senhor Jesus Cristo!



Em 17 de dezembro de 1879, aos 19 anos casou-se com Annie Pennock, uma das pessoas convertidas por meio do seu trabalho. Tiveram três filhos: Rodney Albany, o mais velho, nascido em 31 de dezembro de 1880, e Alfred Hanley, nascido 5 de agosto de 1882; e uma filha, Rhoda Zillah, nascido 1 de fevereiro de 1884. Um dos seus filhos, Rodney Albany, o mais velho, conhecido como Gipsy Smith Jr., seguiu as pegadas do pai e tornou-se um bem-sucedido evangelista nos Estados Unidos durante quarenta anos.



Foi oficial do Exército da Salvação até 1882. Depois foi evangelista itinerante cooperando com uma grande variedade de organizações em todo o mundo, mas particularmente na Grã-Bretanha ena América.



Ele realizou cruzadas evangelísticas em todo o mundo. Mesmo sendo um evangelista muito ocupado, não se cansava de visitar acampamentos ciganos sempre que podia em ambos os lados do Atlântico.



Gipsy nunca escreveu um sermão. Pregava de improviso. Escreveu vários livros e cantava tão bem quanto pregava. Às vezes, ele interrompia o seu sermão e começava a cantar. Vários desses hinos foram gravados pela Columbia Records. Embora fosse um cristão Metodista, ministros de todas as denominações o amavam. Diz-se que ele nunca pregou o Evangelho e que não houvesse conversões.



Durante a Primeira Guerra Mundial, ele pregou o Evangelho, sob os auspícios da YMCA às tropas britânicas na França, e muitas vezes foi fazê-lo na linhas de frente. O rei George VI do Reino Unido, por causa do seu empenho na pregação do Evangelho ao exército beligerante britânico, condecorou-o e fê-lo membro da Ordem do Império Britânico.



Rodney (Gipsy) Smith é um dos grandes evangelistas dos tempos modernos. A sua pregação era caracterizada pela ênfase no amor. Alexander Maclaren descreve Smith assim: “Ele não é um orador, nem um académico, nem um teólogo. Ele não é um génio. Mas, apesar de lhe faltar estas qualidades, ele é capaz de alcançar o coração das pessoas e levá-las da escuridão para a luz, e o faz de um modo que muitos de nós não conseguimos”.  Smith alcançava mesmo as multidões! Ele viajou pelos cinco continentes, e também cantou a mensagem do evangelho com uma voz tão cativante que “partia os corações dos pecadores mais intransigentes”. Ele não usava métodos nem mensagens sensacionalistas. Conta-se que durante sua campanha de sete meses na Austrália, durante 1926, onze mil pessoas por mês se entregavam a Cristo.



Depois da morte da sua esposa em 1937, ele casou-se novamente, no ano seguinte. A sua união com uma mulher 50 anos mais jovem do que ele causou escândalo em alguns meios. A sua esposa, no entanto, cuidou carinhosamente dele e, sem dúvida nenhuma, isto prolongou o seu ministério, que terminou a 4 de agosto de 1947, quando Smith sofreu um ataque cardíaco a bordo do navio Queen Mary exatamente quanto este se aproximava do porto de Nova Iorque.



Rodney Smith foi sepultado em Epping Forest, perto do lugar onde havia nascido 87 anos antes. Uma lápide enorme serve-lhe de memorial, com a seguinte inscrição, que é parte de um todo: A obra missionária de Rodney (Gipsy) Smith foi “O QUE DEUS REALIZOU.”



Rodney é o famoso Gipsy Smith (o cigano Smith), o mais notável pregador do Evangelho de etnia cigana.


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Fontes Utilizadas:
Vários “Sítios” e enciclopédias na Internet e ainda algumas obras em papel.
Respigado daqui e dali.

Carlos António da Rocha

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