… Mas o melhor de tudo é crer em Cristo! Luís Vaz de Camões (c. 1524 — 1580)

terça-feira, 28 de março de 2017

28 de março de 1288 • Bar Sauma presente em Roma para as cerimónias religiosas da Páscoa



28 de março de 1288 Bar Sauma presente em Roma para as cerimónias religiosas da Páscoa
 Viagem de Rabban Bar Sauma desde Pequim, na China, até Roma.

Páscoa ou Domingo da Ressurreição é a festividade religiosa que celebra a ressurreição do Senhor Jesus Cristo ocorrida três dias depois da Sua crucificação no Calvário, conforme o relato do Novo Testamento. É a principal celebração do ano litúrgico cristão e também a mais antiga e importante festa cristã. A data da Páscoa determina todas as demais datas das festas móveis cristãs, exceto as relacionadas com o Advento. O domingo de Páscoa marca o ápice da Paixão de Cristo.



Este dia 28 de março de 1288, era dia de Páscoa. Como seria de esperar, Roma era o centro do cristianismo ocidental, e estava vibrante com a sua importância. A Páscoa sempre foi o dia mais importante do calendário da Igreja, o dia em que Cristo ressuscita em triunfo do sepulcro. O domingo de Páscoa tem celebrações especiais, principalmente, em Roma.



Mas aquele dia de Páscoa era ainda mais especial porque tinha acabado de haver uma eleição papal. Era a primeira vez que Girolamo Masei de Ascoli celebrava a Páscoa como Papa. Ele tinha acabado de ser eleito a 22 de fevereiro de 1288 como Nicolau IV. Mas para dar ainda mais importância à ocasião havia a presença de Rabban Bar Sauma (c. 1220–1294), um monge nestoriano.



Bar Sauma era membro de uma antiga seita dos cristãos orientais. Nascido perto de Pequim, sendo muito religioso, ele viajou para o ocidente para visitar Jerusalém logo após Marco Polo ter chegado ao Oriente. No Oriente Médio, Bar Sauma foi nomeado como embaixador do recém-eleito Patriarca Mar Yabahalla III. Em seguida, ele viajou para Roma mas era tarde demais para encontrar o Papa Honório IV, uma vez que ele tinha morrido pouco antes. Portanto, Bar Sauma teve uma série de encontros com os cardeais e visitou a Basílica de São Pedro. Mas, como não havia papa em Roma, as negociações de que fora incumbido não puderam ser concluídas. Então, Bar Sauma aproveitou a oportunidade para visitara a França onde passou um mês na companhia do rei Filipe IV, e possivelmente, a Inglaterra. Há um registo parcial das suas viagens que chegou até nós.



De volta a Roma, o embaixador encontrou Nicolau IV, agora instalado como Papa. Nicolau IV recebeu-o de braços abertos. Ele permitiu que Bar Sauma celebrasse a Eucaristia. E quando os espectadores viram as suas ações, alegraram-se e disseram: “A linguagem é diferente, mas o uso é o mesmo.”



No Domingo de Ramos, o papa deu a Eucaristia a Bar Sauma à frente de uma multidão de dezenas de milhares de assistentes, que rugindo nos seus améns, de modo até que o chão de Roma tremeu. “E Bar Sauma alegrou-se ao receber o mistério eucarístico da mão do Papa. E recebeu-o com lágrimas e soluços, dando graças a Deus e meditando sobre as misericórdias que tinham sido derramadas sobre ele.”



Agora no dia de Páscoa o serviço religioso era quase um anti-clímax. “E no dia de domingo da Ressurreição, o Papa dirigiu-se para a Igreja de Santa Maria. E ele e os cardeais, e os metropolitas, e os bispos, e os membros da congregação saudaram-se uns aos outros com um ósculo, e ele celebrou os santos mistérios, e eles receberam o mistério eucarístico, e depois Bar Sauma voltou para sua cela. E depois o Papa fez um grande banquete e houve uma alegria infinita.“ Bar Sauma participou de todas as celebrações da Páscoa e fez um relato preciso disto no seu diário. Obviamente, Bar Sauma foi considerado como um sacerdote cristão ortodoxo e  como bispo.



Logo depois, Bar Sauma pediu permissão para voltar para o seu próprio povo. O papa queria retê-lo, mas Bar Sauma lembrou-lhe que ele tinha obrigações para com aqueles que o enviaram. Então o Papa ofereceu-lhe algumas relíquias para ele levar: um fragmento de tecido de um lenço de Maria, bem como pequenos pedaços de corpos dos santos. O Papa Nicolau também lhe deu ouro para a viagem.



Bar Sauma voltou para a Pérsia, e lá com a ajuda do rei, construiu uma igreja para alojar as relíquias trazidas de Roma. Quando ele morreu, o seu corpo foi enterrado ao lado dessa igreja.



Mas todo o esforço de Rabban Sauma para fazer uma aliança com líderes cristãos ocidentais falharam. Arghoun enviou no ano seguinte outra embaixada para a Europa para tentar novamente convencer os reis cristãos ocidentais. Mas nada ajudou. A tomada de Acre pelos mamelucos em 1291 pôs fim à era do Cruzadas.

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Fontes Utilizadas:
Vários “Sítios” e enciclopédias na Internet e ainda algumas obras em papel.
Respigado daqui e dali.

Carlos António da Rocha

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