… Mas o melhor de tudo é crer em Cristo! Luís Vaz de Camões (c. 1524 — 1580)

sexta-feira, 7 de abril de 2017

7 de abril de 1887 • Antônio Teixeira de Albuquerque, ex-padre católico e o primeiro pastor batista brasileiro



7 de abril de 1887 Antônio Teixeira de Albuquerque,

ex-padre católico e o primeiro pastor batista brasileiro
Antônio Teixeira de Albuquerque, era filho único do casal Felipe Ney de Albuquerque e Helena Maria da Conceição, nasceu na cidade de Maceió, Alagoas, no Brasil, em 15 de abril de 1840, foi um ex-padre católico e o primeiro pastor batista brasileiro.



Fez os seus estudos iniciais no Liceu de Maceió, e posteriormente ingressou no Seminário Católico de Olinda, em Pernambuco. Em 30 de novembro de 1871 foi ordenado no Seminário Diocesano de Fortaleza, no Ceará, e regressou à Província das Alagoas, onde foi designado para o exercício do sacerdócio na paróquia do povoado Limoeiro de Anadia.



Em fins de novembro de 1872, o padre Teixeira intensifica idílios amorosos com uma jovem, na candura dos seus 17 anos, chamada Senhorinha Francisca de Jesus. Embora os pais da adolescente, Manoel Quirino dos Santos e Generosa Maria da Glória, fossem contrários ao romance. Dividido entre o afeto da saia e a vocação da batina, o eclesiástico escolhe o primeiro e foge com a jovem Senhorinha, de barco, rumo a Pernambuco. No Recife, este episódio vira estopim no acirramento dos constantes insultos dirigidos ao bispado pernambucano, sobretudo através da imprensa maçónico-liberal-republicana, nos noticiários do jornal recifense “A Verdade”.



Tempos depois, efetiva-se o casamento de Teixeira e Senhorinha, que acontece num salão na rua do Imperador, no Recife, a 7 de setembro de 1878, conduzido pelo reverendo Smith, então ministro evangélico da cidade. O local escolhido para a cerimónia era onde se reuniam os membros da recém-organizada Igreja Presbiteriana de Pernambuco. Do matrimónio nasceram os sete filhos do casal.



Os esclarecimentos quanto à conversão religiosa de Teixeira são poucos, pois se desconhece a data exata. No seu testemunho sobre a conversão, publicado em 1884, no opúsculo autobiográfico “Três razões porque deixei a Igreja de Roma”, revelou que, “abalado na minha fé e na consciência, tive uma hora feliz; compenetrei-me do dever de estudar séria e cuidadosamente a Palavra de Deus, ensinos e preceitos de Jesus Cristo”. Esclareceu, no referido documento, que não foi a rigor “banido, expulso ou exautorado de padre, por bispo algum”, e a partir daquele momento não teve de “abjurar a igreja de Roma por promessa de dinheiro ou emprego nas igrejas evangélicas”. Uma leitura minuciosa desses excertos faz crer que o ex-padre discordava do Catolicismo em algumas questões pontuais. Esse seu testemunho causou indignação em muitos fiéis católicos e bastante irritação nas lideranças católicas, sobretudo pela sua prolongada experiência religiosa.



A sua ida com a família para o Rio de Janeiro no mês de março de 1879, em condições não reveladas, ocorreu possivelmente sob a proteção da maçonaria. A partir de então, filia-se com a esposa na Igreja Metodista do Catete, no Rio de Janeiro, a 9 de março de 1879, onde foi bem acolhido pelo reverendo John Ransom, que lhe ofereceu auxílio financeiro e moradia. Hábil na oratória, em julho de 1879 Teixeira foi encaminhado pelos metodistas para a cidade de Piracicaba-SP, para auxiliar no trabalho das missões locais. Nessa cidade, leciona na Escola Newman e também ministra aulas a estudantes particulares, dentre os quais estavam os filhos do político que viria a ser o Presidente do Brasil, Prudente de Moraes (um dos fundadores, em 1876, da Loja Maçónica de Piracicaba).



A sua inquietação interior com os imperativos da fé, nas perambulações pelo Presbiterianismo e pelo Metodismo, decerto despertou-lhe o convite de Cristo: “Ide e ensinai a toda criatura”. Assim, revelou-se seduzido pela fé batista, e em mais uma adesão religiosa, consegue Teixeira o batismo e a consagração ao Ministério da Palavra. Isso ocorreu a 20 de junho de 1880, na formação de um Concílio das Igrejas Batistas da Estação e de Santa Bárbara, no município de Santa Bárbara-SP. Teixeira, que mal falava inglês, foi então batizado numa Loja Maçónica pelo pastor americano Robert Thomas, um maçom que pouco versava o português. Nessa circunstância atípica e embaraçosa, estava, portanto, consagrado o primeiro pastor batista brasileiro.



Desde então, foi escalado para traçar o plano de instalar uma igreja e escola da Missão, em Piracicaba, São Paulo. Assim, buscou cercar-se de pessoas influentes da região, dada a sua versatilidade carismática, visando à expansão das atividades missionárias. Temperamental, desentendeu-se com o reverendo Elias Quillin, por razões não totalmente esclarecidas. Seja como for, o atrito entre os dois religiosos causou desgaste entre os membros batistas, uma vez que resultou na ida de Teixeira para a Bahia, em 1882. Em Salvador, o pastor Teixeira juntamente com os missionários norte-americanos William Bagby e Zachary Taylor organizaram a primeira Igreja Batista da Bahia, em 15 de outubro de 1882. Inaugurou-se, assim, uma nova fase do trabalho batista no Brasil. Nessa época, Teixeira e Taylor começam a preparar o livro sobre as “Regras de ordens e regulamentos para a Igreja”, publicado em 1883.



Entretanto, a sua influência benfazeja fez-se notar pela Igreja nos Estados Unidos. O relatório encaminhado à Junta de Richmond, escrito pela Sra. Kate Taylor -esposa do pastor Taylor-, datado de janeiro de 1883, destaca a figura notável do alagoano Teixeira: “Nosso professor, Sr. Teixeira, chamou-me a atenção nesta manhã para o facto de que é no Brasil onde a idolatria e o paganismo se excedem. É muito agradável ouvi-lo”.



Mas nem sempre houve tolerância, o que implicou, por certo, dificuldades e resistências para a inserção da nova religião no Brasil. Durante o império brasileiro (1822-1889) foi estabelecido o sistema do padroado (aliança jurídica entre a Igreja e o Estado), no qual o Catolicismo era a religião oficial e o Estado tomara para si o encargo de evangelizar e catequizar o povo. À época uma sujeição normal, mas que provocou muitos empecilhos à expansão protestante e à sua fase de consolidação. Entre outras consequências desagradáveis, destacam-se as perseguições políticas e religiosas, sobretudo com a queima de Bíblias, livros, panfletos e jornais evangélicos em praças públicas. Além disso, havia a recusa de túmulos nos cemitérios para os adeptos dos credos das minorias, ou seja, os não católicos. O regime do padroado cessou somente com o advento da República Velha, em 1889, quando foi por fim proclamada a separação legal entre a Igreja e o Estado-Decreto 119-A, de 7 de janeiro de 1890. Desde então, o país foi declarado religiosamente neutro, ou seja, laico.



Mas o coração de Teixeira clamava de amor pela sua terra natal, pela sua gente e pela paisagem que a sua memória infantil registara. Assim, em 1884, realiza uma visita missionária a Alagoas, em companhia do irmão batista Tito Alves, a pedido de um amigo, que o informara sobre ali haver interessados em constituir uma igreja, por certo considerando Maceió um território não alcançado pelas campanhas evangelizadoras. O jornal “O Orbe”, na edição de 9/11/1884, destacou ironicamente a sua presença na cidade: “vindo da Bahia, chegou a esta capital o sacerdote apóstata -Antônio Teixeira de Albuquerque-, que daqui carregará, depois da missa, uma moça, com quem casará, passando para a igreja presbiteriana”.



Definitivamente estabelecido em Maceió, com a família, Teixeira, acompanhado do pastor alagoano Melo Lins (fundador da primeira igreja batista do Recife) e do reverendo Taylor, organizou a primeira Igreja Batista de Maceió a 17 de maio de 1885. Defensor dos segmentos católicos locais, o aludido jornal “O Orbe” mantinha-se numa postura contrária à missão do pastor Teixeira, divulgando a seguinte notícia ao público leitor: “Consta-nos que este infeliz sacerdote pretendendo abrir aqui na capital umas conferências de sua seita, fora obstado pelas autoridades”.



De qualquer forma, cercados por um pequeno grupo de seguidores, dez ao todo, celebraram a Ceia do Senhor. A causa batista ampliava rapidamente o séquito de fiéis, incluindo os pais de Teixeira, necessitando de mão de obra missionária para fortalecer o doutrinamento dos recém-convertidos e intensificar as bases da formação pastoral. Nessa perspectiva, em 1887, para ampliar a coesão da ação protestante, foi inaugurada pelo reverendo Smith, na cidade sertaneja de Pão de Açúcar, uma igreja evangélica de orientação presbiteriana.



Em fevereiro de 1887, Teixeira encaminha correspondência à Igreja Batista da Bahia, declarando estar gravemente enfermo e recomendando a visita urgente de pastores. Por conselho médico, desloca-se para Rio Largo, município vizinho a Maceió. Dias antes de falecer, pediu que fosse cantado o hino “Pastor e Ovelhas”, com música de Haydn. Aos 47 anos incompletos, neste dia, 7 de abril de 1887, Antônio Teixeira de Albuquerque, o ex-padre católico e o primeiro batista brasileiro faleceu, encerrando a sua jornada terrena e partindo para as mansões celestiais.



A sua história de vida é contada no livro “Antônio Teixeira de Albuquerque: Primeiro Pastor Batista do Brasil”, incluído no livro “Centelha em Restolho Seco: Uma Contribuição para a História dos Primórdios do Trabalho Batista no Brasil” de autoria da historiadora Betty Antunes de Oliveira.


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Fontes Utilizadas:
Vários “Sítios” e enciclopédias na Internet e ainda algumas obras em papel.
Respigado daqui e dali.

Carlos António da Rocha

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