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terça-feira, 11 de abril de 2017

11 de abril de 1721 • David Zeisberger missionário morávio entre os índios norte-americanos



11 de abril de 1721 David Zeisberger missionário morávio entre os índios norte-americanos
Zeisberger evangelizando os Delaware.“Poder do evangelio”, óleo de Charles Schussele, 1862.
David Zeisberger, missionário morávio entre os índios norte americanos, nasceu em Zauchenthal, na Morávia (atualmente Suchdol nad Odrou, na República Checa), neste dia, 11 de abril de 1721. Em 1727, quando tinha quase sete anos, os seus pais fugiram para Herrnhut em busca de refúgio espiritual, e aí, iniciou a sua educação. Contudo, quando a sua família emigrou para a recente colónia inglesa estabelecida na Georgia, na Nova Inglaterra, Zeisberger permaneceu na Europa para completar os seus estudos entre os morávios de Herrendyk, na Holanda. Mas lá, a disciplina era tão severa que Zeisberger sentindo-se cerceado na sua liberdade pessoal, escapou-se para Inglaterra (não consegui a informação se terá acabado os estudos), aonde o governador da Georgia, James Edward Oglethorpe, o ajudou na viagem transatlântica para a Georgia, onde ele se juntaria aos seus pais, e à Comunidade Morávia implantada em Savannah, lá na Georgia, na Nova Inglaterra. Juntamente com outros morávios deixou a Georgia em 1740, sendo um dos que fundou as comunidades morávias de Nazareth e de Bethlehem, na Pensilvânia. Em 1743 foi designado como membro da comitiva que acompanharia o conde Zinzendorf na sua viagem de regresso a Herrnhut após a visita missionária que este líder fizera às comunidades morávias da Nova Inglaterra. Mas, por qualquer razão que nos é desconhecida, David Zeisberger, precisamente no momento em que o navio que transportava o conde Zinzendorf levantava ferro, não quis embarcar nele e ficou em terra. Depois disto resolveu dedicar a sua vida à evangelização dos índios autóctones. E desde 1745 a 1807 trabalhou incessantemente nessa causa. Primeiro aprendeu a língua dos Delaware e depois a língua Onondaga e posteriormente a dos mohicanos, a dos monsey e a dos chippewa. A sua obra missionária inicialmente foi desenvolvida em Shamokin, na Pensilvânia, depois em Onondaga (perto da atual Syracuse), e mais tarde. em Nova Iorque, entre os anos de 1745 e de 1750. E depois de uma visita que Zeisberger fez à Europa, possivelmente à sua comunidade mãe de Herrnhut em busca de apoios para a sua missão, regressou a Onondaga em 1751, embora se visse depois obrigado a voltar a Bethlehem por causa do rebentamento da guerra entre os franceses e os índios. Quando evangelizava em Onondaga foi adotado como membro da tribo monsey, encarregando-se de conservar os registros das Seis Nações índias. Entre os anos de 1755 a 1762 esteve em missão entre os índios Connecticut. E durante a guerra com os Pontiac esteve com os índios morávios, isto é os índios cristãos, a quem acompanhou a Wyalusing, na Pensilvânia, até quando acabaram as hostilidades. Estabeleceu uma missão entre os índios monsey, nas margens do rio Alleghany em 1767 e em 1770 começou a edificar a missão de Friedenstadt nas margens do rio Beaver. Em 1772 fundou uma missão nas margens do rio Muskingum, no Ohio. Durante a Revolução Americana (designada como Guerra da Independência dos Estados Unidos, também conhecida como Guerra da Revolução Americana ou ainda como Revolução Americana de 1776) os Delaware mantiveram-se do lado britânico, principalmente pela influência de Zeisberger. Os wyandottes, por vingança, destruíram a missão de Zeisberger em 1781 e ele e seus companheiros missionários foram tratados e julgados como espiões em Detroit, embora fossem absolvidos. No ano seguinte quase um centenar de índios cristãos foram massacrados por colonos em Gnadenhutten, uma das muitas missões que Zeisberger tinha fundado, tendo guiado o remanescente até ao rio Clinton, Michigan, e dali para New Salem, em Ontário no ano de 1787 e para o seu novo assentamento de Fairfield, no Ontário, no ano de 1791. Em 1789 conseguiu que ao menos uma parte dos índios cristãos regressassem ao vale dos tusca-rawas, no Ohio, onde o Congresso dos Estados Unidos lhes concedeu uma grande extensão de terras, fundando aí o seu último assentamento, Goshen, onde passou o resto da sua vida e onde morreu em 17 de novembro de 1808, aos 87 anos. De entre todos os missionários protestantes que trabalharam na pregação do Evangelho aos índios norte-americanos, David Zeisberger (1721-1808) merece um lugar especial. Foi o mais famoso missionário morávio que trabalhou na evangelização dos índios norte-americanos. Embora quase nenhum dos assentamentos fundados por ele lhe tenha sobrevivido, e se bem que os resultados imediatos da sua obra missionária fossem pequenos, todavia a sua devoção à sua causa missionária foi total e a sua influência sobre os índios não terminou com a sua morte. Ele trabalhou entre os índios creek da Geórgia a partir de 1740 e entre os iroqueses de 1743 a 1808. Zeisberger passou um período de 62 anos, exceto alguns curtos intervalos, como missionário entre os índios da Nova Inglaterra. Foi um autor prolífero. Escreveu um diário, o “Diary of David Zeisberger”, onde fez o registo do seu trabalho missionário até 31 de dezembro de 1782, data em que fez o seu último registo. E deixou dicionários e gramáticas das línguas dos autóctones: “Zeisberger's Indian Dictionary”, e “Essay of an Onondaga Grammar” e um relato histórico acerca dos índios: “David Zeisberger's History of Northern American Indians”. E uma tradução dos quatro Evangelhos na língua dos Delaware: “The History of our Lord and Saviour Jesus Christ” que só por si só, seria suficiente para tornar honrosa a memória deste ínclito missionário morávio.

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Fontes Utilizadas:
Vários “Sítios” e enciclopédias na Internet e ainda algumas obras em papel.
Respigado daqui e dali.

Carlos António da Rocha

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