… Mas o melhor de tudo é crer em Cristo! Luís Vaz de Camões (c. 1524 — 1580)

quinta-feira, 13 de abril de 2017

13 de abril de 1685 • As duas Margaridas


13 de abril de 1685 As duas Margaridas
 O afogamento de Margarida MacLachlan e Margarida Wilson

Margarida MacLachlan e Margarida Wilson, assinantes do pacto em Wingtown, na Escócia, foram julgadas por causa da sua fé neste dia, 13 de abril de 1865, por se recusarem a pronunciar o juramento de abjuração, o qual declarava que a Igreja de Deus é um departamento do estado.



Sendo culpadas de rebelião, de assistir a reuniões no campo e de adorar em lugares diferentes da igreja, foi-lhes ordenado que recebessem a sentença de joelhos. Quando se negaram a ajoelhar-se ante qualquer pessoa com exceção de Deus, foram forçadas a fazê-lo e foram sentenciadas a morrer afogadas.



Margarida MacLachlan era uma viúva de setenta anos, altamente respeitada pelos seus irmãos cristãos por causa da sua fé incomparável e vida piedosa. Encontrava-se adorando de joelhos juntamente com a sua família quando foi presa. Enquanto permaneceu na prisão esperando pelo julgamento, sofreu muito com a falta de alimentos, por estar presa no meio da escuridão e sem um lugar onde poder recostar-se.



Por sua vez, Margarida Wilson era uma jovem criada de dezoito anos, que juntamente com o seu irmão e irmã tinham fugido para as montanhas para escapar da perseguição já que eram seguidores de James Renwick (15 de fevereiro de 1662 – 17 de fevereiro de 1688), um assinante do pacto. Os seus pais sofreram muito por causa das convicções piedosas dos seus filhos. Agnes, a irmã de Margarida de treze anos, foi presa na mesma ocasião que ela, mas seu pai pôde pagar a multa que lhe foi imposta a ela naquele momento. Entretanto, era muito tarde para poder resgatar a Margarida.



Em 11 de maio de 1865, as duas fiéis Margaridas foram atadas cada uma a um poste que foi preso no fundo do mar, enquanto a maré subia. A mais anciã das duas estava mais distante, e a jovem mais perto da praia. Deram-lhes muitas oportunidades para que se retratassem das suas crenças, mas ambas permaneceram firmes e resolvidas.



Margarida MacLachlan permaneceu em silêncio com os seus olhos fechados durante toda a sua execução, orando a Cristo até à sua morte. Quando as ondas a cobriram, e o seu corpo sem vida, finalmente, flutuou flácido, os soldados disseram a Margarida, a jovem, “O que pensas agora dela?”



A jovem replicou: “Penso que vejo Cristo lutando aqui! O que estamos sofrendo? Não! Porque Cristo está em nós!”



Conforme a maré subia, Margarida, a jovem, começou a cantar uma versão musicalizada do Salmo 25:7 composta pelos assinantes do pacto:



Dos pecados da minha juventude,

E das minhas rebeliões, não te lembres;

Conforme à Tua misericórdia lembra-Te de mim,

Por Tua bondade, Ó SENHOR DEUS!



Ela tinha a sua Bíblia e leu em Romanos 8:37-39: “Mas, em todas estas coisas, somos mais do que vencedores, por aquele que nos amou. Porque estou certo de que, nem a morte, nem a vida, nem os anjos, nem os principados, nem as potestades, nem o presente, nem o porvir, nem a altura, nem a profundidade, nem alguma outra criatura nos poderá separar do amor de Deus, que está em Cristo Jesus, nosso Senhor.”



Depois das ondas cobrirem a sua cabeça, os soldados tiraram-na da água, pela última vez, e rogaram-lhe: “Ora pelo rei!” Ela orou, mas a sua oração foi: “Senhor, dá-lhe arrependimento, concede-lhe perdão e salvação, se é Tua Santa vontade.” Os soldados irados cravaram a estaca novamente no fundo do mar e quando a água acabou por cobri-la, a jovem uniu-se com Margarida MacLachlan ante o trono divino.



As duas mulheres compartilharam o mesmo nome, a mesma fé e a mesma morte. Talvez nós nunca tenhamos que enfrentar a maré, mas as águas profundas dos problemas e perdas podem ser igualmente entristecedoras. Como reage você quando sente que está a ponto de afogar-se nos seus próprios problemas?



Mas agora, assim diz o Senhor que te criou, ó Jacob, e que te formou, ó Israel: Não temas, porque eu te remi: chamei-te pelo teu nome, tu és meu. Quando passares pelas águas, estarei contigo, e quando pelos rios, eles não te submergirão, quando passares pelo fogo, não te queimarás, nem a chama arderá em ti.” (Isaías 43:1 e 2)


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Fontes Utilizadas:
Vários “Sítios” e enciclopédias na Internet e ainda algumas obras em papel.
Respigado daqui e dali.

Carlos António da Rocha

Este texto é de livre utilização, desde que a sua ortografia seja respeitada na íntegra porque já está escrito com o Português do Novo Acordo Ortográfico e que não seja nunca publicado nem utilizado para fins comerciais; seja utilizado exclusivamente para uso e desfruto pessoal.

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