… Mas o melhor de tudo é crer em Cristo! Luís Vaz de Camões (c. 1524 — 1580)

sexta-feira, 14 de abril de 2017

14 de abril de 1950 • Mitsuo Fuchida: “Do ‘Catecismo de Guerra’ para a Bíblia”



14 de abril de 1950 Mitsuo Fuchida: 
“Do ‘Catecismo de Guerra’ para a Bíblia”

Mitsuo Fuchida (Nara, 3 de dezembro de 1902 – Kashiwara, 30 de maio de 1976) foi um piloto e oficial da Marinha Imperial Japonesa, famoso na história da II Guerra Mundial por ter coordenado e comandado as esquadrilhas japonesas no ataque a Pearl Harbor, iniciando a Guerra do Pacífico.



Eis o seu testemunho: “O meu nome é Mitsuo Fuchida. Sou japonês e nasci em 1902, dois anos antes da Guerra Russo-Japonesa. Ainda jovem, tornei-me piloto da marinha de guerra. O meu grande ídolo naquela época era o almirante Heihachiro Togo, que, aos 57 anos, comandou a esquadra japonesa que destroçou a esquadra russa na batalha de Tsushima em 1905.



Uma semana depois da rendição do Japão, encerrei a minha carreira militar e fixei residência em Kashiwara, perto de Osaka. Estava com 43 anos. Fui trabalhar numa fazenda. Por haver passado 25 anos na marinha, tive muita dificuldade de me adaptar à vida civil. Tornei-me cada vez mais infeliz, especialmente quando começaram a investigar e montar tribunais para julgar crimes de guerra. Embora eu nunca tenha sido acusado, o general Douglas MacArtur chamou-me várias vezes para depor. Até então não me importava com a religião. Mas, tendo entrado em contato íntimo com a terra, comecei a pensar num Deus criador. Nunca fui ateu, mas cresci num ambiente não religioso. A minha ideologia era o “Catecismo de Guerra”.



Uma coisa que me impressionava sempre era o fato de eu estar vivo. Dos setenta oficiais que decolaram do porta-aviões Akagi naquela manhã de domingo para atacar Pearl Harbor, eu era o único que sobrevivera à guerra. Então comecei a escrever um livro cujo título seria “Chega de Pearl Harbor!” Descobri que, para não haver mais guerra na face da terra, o amor deveria tomar o lugar do ódio. O problema era saber quem poderia realizar tamanha transformação.



Nesse estado de espírito, fui a Tóquio para mais um interrogatório. Foi neste dia, 14 de abril de 1950, cinco anos depois do término da II Guerra Mundial. Quando desci na estação de Shibuya, alguém me deu um folheto com o sugestivo título “Eu fui prisioneiro no Japão.” Era a história da conversão de um piloto norte-americano que fora obrigado a saltar de pára-quedas, oito anos antes, numa área ocupada por japoneses. Preso até ao final da guerra, esse homem, chamado Jake Deshazer, teve tempo suficiente para ler a Bíblia. Veio a experimentar uma profunda transformação espiritual, manifestada especialmente na mudança do ódio pelo amor aos japoneses. Com a libertação, Deshazer teve um período de treinamento nos Estados Unidos e voltou ao Japão, dessa vez como missionário.



Essa mensagem viva, poderosa e humana, citando situações e nomes que eu conhecia tão bem, levou-me progressivamente ao mesmo Jesus Cristo de Deshazer. O drama da crucificação de Jesus e uma de suas palavras na cruz, aquela que diz: “Pai, perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem” (Lc 23.34), foram decisivos para mim.



Senti-me como um daqueles por quem Jesus havia orado. As muitas pessoas que haviam morrido por causa de mim foram imoladas em nome do patriotismo, pois não entendiam o amor que Cristo queria implantar em cada coração. Foi aí que me encontrei com Jesus pela primeira vez. Percebi o significado da Sua morte substitutiva e então tive a coragem de orar confessando os meus pecados e pedindo que Ele mudasse a minha vida. De um amargo e desiludido ex-piloto de guerra, eu queria tornar-me um cristão equilibrado e com propósito na vida.



Encontrei muita dificuldade e oposição. Alguns amigos da minha família não conseguiram entender nem aceitar a minha nova vida. Velhos companheiros de guerra tentaram persuadir-me a esquecer aquela “ideia louca”. Não faltou quem me acusasse de oportunismo, alegando que eu havia abraçado o cristianismo somente para impressionar “os nossos vitoriosos norte-americanos”.



A princípio, escondi dos outros a minha conversão. Um belo dia, porém, numa das ruas mais movimentadas de Osaka, presenciei uma reunião ao ar livre. O grupo, equipado com um sistema de alto-falantes, estava pregando o Evangelho. Não me contive. Pedi a palavra e comecei a contar sobre a minha conversão. Declarei à multidão ali reunida que eu era Mitsuo Fuchida, o homem que havia comandado o ataque aéreo a Pearl Harbor, e que me havia convertido a Jesus Cristo. No dia seguinte, os jornais divulgaram a notícia. Um deles estampou a manchete: “Do Catecismo de Guerra para a Bíblia.” As reações variavam da censura ao aplauso.



A partir daí tornei-me um ousado pregador do Evangelho no Japão, em outros países da Ásia e até mesmo no Ocidente. Mais tarde fui ordenado pastor presbiteriano.



Há poucos dias, numa entrevista para uma revista norte-americana, declarei: “Aqueles que dirigem o Japão — e todas as outras nações — não devem ignorar a mensagem de Jesus Cristo nas décadas que hão de vir. A juventude deve se conscientizar de que Ele é a única esperança para este mundo atribulado.”


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Fontes Utilizadas:
Vários “Sítios” e enciclopédias na Internet e ainda algumas obras em papel.
Respigado daqui e dali.

Carlos António da Rocha

Este texto é de livre utilização, desde que a sua ortografia seja respeitada na íntegra porque já está escrito com o Português do Novo Acordo Ortográfico e que não seja nunca publicado nem utilizado para fins comerciais; seja utilizado exclusivamente para uso e desfruto pessoal.

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