… Mas o melhor de tudo é crer em Cristo! Luís Vaz de Camões (c. 1524 — 1580)

quarta-feira, 19 de abril de 2017

19 de abril de 1529 • Nasce a palavra “Protestante”



 19 de abril de 1529 Nasce a palavra “Protestante”

 Os evangélicos apresentam o seu protesto na dieta de Espira de 1529, por George Cattermole [The Diet of Spires, 19 April, 1529 (2nd Diet of Speyer)]
Martinho Lutero tinha sido declarado herege tanto pelo Papa como pelo Imperador, mas os seus seguidores continuavam a multiplicar-se rapidamente em grande quantidade. O Imperador Carlos V não podia acabar com os Reformadores como ele desejava, porque os turcos estavam ameaçando o seu império a partir do leste, e além disso, ele e o Papa e estavam desavindos um com o outro.



Em 1521, em Worms, na Alemanha, Carlos V assinou um documento que declarava Lutero um fora da lei. Cinco anos mais tarde, num outro conselho imperial, Carlos concordou em adiar a resolução das questões religiosas nos seus territórios germânicos. Ele concordou em que até que uma política oficial sobre religião em todo Sacro Império Romano-Germânico viesse a ser estabelecida, então cada Estado seria governado dentro das suas fronteiras como o governante pensasse que seria mais agradável a Deus. Era o “Cuius regio, eius religio”, isto é: “De quem é o comando, dele é a religião”. Era o princípio pelo qual o governante determinava a religião dos habitantes do país. Este princípio, aceito na Paz de Augsburg, em 1555, poria fim às guerras civis religiosas nos países de língua alemã. Agora, na prática, isso significava que em toda a Alemanha, nas cidades independentes, nos principados e nos eleitorados, a religião do seu príncipe ou governante local era a religião dos seus súbditos.



Em 1529 reuniu-se em Espira, na Alemanha, a cidade sede do Tribunal Supremo do Império, a Dieta ou Congresso, presidido por Fernando I de Habsburgo (Alcalá de Henares, 10 de março de 1503 — Viena, 25 de julho de 1564), irmão e sucessor do Carlos V, para considerar uma ação contra os turcos e tentar novamente chegar a um acordo com os Reformados. A Dieta proibia qualquer propagação da Reforma até que se reunisse um conselho na Alemanha, no ano seguinte. Carlos V havia declarado que iria acabar com a “heresia” luterana. Então seis príncipes e os representantes de 14 cidades livres alemãs do Sacro Império Romano-Germânico bradariam num solene protesto: “Nós não consentimos nem aderimos ao decreto proposto em todas as coisas que são contrárias a Deus, à Sua santa Palavra, à nossa boa consciência, à saúde de nossas almas.” Os príncipes alemães luteranos rejeitariam a intolerância religiosa, com a histórica declaração feita neste dia, 19 de abril de 1529, de “Protestamos diante de Deus, o Escudrinhador dos corações e o Juiz justo, assim como diante de todos os homens e de todas as criaturas, que não podemos consentir em nenhum ato ou decreto contrário a Deus, à sua Santa palavra, à salvação das almas e à boa consciência.” Este protesto escrito (que só seria publicado em julho daquele ano) era um apelo formal e legal dos partidários de Martinho Lutero contra a tentativa de Carlos V para esmagar o luteranismo, defendendo a liberdade religiosa para as minorias religiosas, como por exemplo, para aqueles que estavam envolvidos no movimento da Reforma. A partir de então, os Reformadores eram conhecidos como “Protestantes”, do latim “pro” (diante) somado a “testare” (testemunhar), no sentido de “testemunhar a sua fé”, de “afirmar pela positiva a sua fé”. (Assim um “Protestante” é aquele que sabe em Quem crê e tem a certeza da sua salvação eterna, não é um paroleiro!)



Oito anos antes, na Dieta de Worms, Martinho Lutero era um monge solitário que se apoiava na Palavra de Deus e na defesa da liberdade da sua consciência. Mas agora, em 1529, o mundo havia mudado: presentemente havia um partido organizado com seis príncipes e líderes de catorze cidades livres com a consciência vinculada pela Palavra de Deus contra a autoridade tirânica. Nem todos os Protestantes eram luteranos. O grupo dos Reformadores precisava de um nome. Do protesto e do apelo feito na Dieta de Espira de 1529, aqueles que se iam separando da Igreja Católica Romana começavam a ser chamados de “Protestantes”.



Os Protestantes de hoje são um dos três principais ramos do Cristianismo. Embora todos os três mantenham o mesmo credo fundamental, existem outras diferenças e são muitas. Talvez a principal diferença é que enquanto a Igreja Ortodoxa Oriental e a Católica Romana combinem a Escritura com a autoridade da tradição da igreja ou de um Papa, os Protestantes afirmam encontrar na Bíblia, a Palavra de Deus, a única autoridade para a sua fé. Muitos outros Cristãos também podem ser identificados e referidos como Protestantes porque aceitam o sacerdócio de todos os crentes e a doutrina da justificação pela fé.

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Fontes Utilizadas:
Vários “Sítios” e enciclopédias na Internet e ainda algumas obras em papel.
Respigado daqui e dali.

Carlos António da Rocha

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