… Mas o melhor de tudo é crer em Cristo! Luís Vaz de Camões (c. 1524 — 1580)

segunda-feira, 24 de abril de 2017

24 de abril de 1622 • Martírio do frade Fidélis de Sigmaringa, pregador da Contra-Reforma na Suíça



24 de abril de 1622 Martírio do frade Fidélis de Sigmaringa,
pregador da Contra-Reforma na Suíça
Fidélis era o nome religioso de Markus Rey (algumas fontes indicam Markus Roy ou Mark Roy), nascido a 1 de outubro de 1578 em Sigmaringa, na Alemanha, filho do estalajadeiro, mais tarde presidente da Câmara de Sigmaringen (Bürgermeister), Johannes Rey e de sua esposa Genoveva Rosenberger, oriunda de Tubinga. O seu avô paterno, Mathäus, era oriundo de Antuérpia, tendo-se fixado em Sigmaringen em 1529 como parte do séquito que vindo dos Países Baixos acompanhou o conde Carlos I de Hohenzollern (1512-1576) quando este veio tomar posse do governo do Condado de Zollern (mais tarde Hohenzollern-Sigmaringen). A família adquiriu propriedades e ganhou prestígio na cidade, vivendo segundo as normas da pequena aristocracia urbana, o que explica a eleição do pai de Markus para o prestigioso cargo de Bürgermeister.



Depois de ter feito estudos preparatórios na sua cidade natal de Sigmaringen, matriculou-se na Universidade de Friburgo, na atual Suíça, onde se destacou como um aluno brilhante. Sobressaía no latim, no francês e no italiano, e em 1604, sendo muito jovem, doutorou-se em Direito Civil e Canónico, com a firme ideia de ser o defensor dos oprimidos.



Em 1604, o barão de Stotzingen encarregou-o de acompanhar como preceptor a um dos seus filhos e a outros jovens numa viagem educativa pela Europa. Durante esta viagem, Markus dá-se conta da violenta e instável situação em que se encontrava a Europa devido às intolerâncias religiosas. Havia por toda a parte um ambiente de luta, de receios, de desconforto religioso e político. Durante a viagem, que durou 6 anos, Markus Rey não deixou nem um só dia as suas práticas piedosas e caritativas, nem a participação nos sacramentos, discutia com energia e segurança com os protestantes, sem perder nunca a calma e chamando a atenção pela sua erudição.



No regresso da viagem abriu o seu escritório de advogado em Colmar, na Alsácia, onde exerceu a profissão durante alguns anos, com o otimismo da juventude, exercendo com retidão e caridade, inclinando-se sempre a defender especialmente os mais desfavorecidos, mas logo se deu conta da corrupção, dos artefatos e das armadilhas de que se valiam alguns de seus colegas para obter os seus objetivos gananciosos, o que lhe causa grande desilusão. Começa a pensar seriamente em consagrar a sua vida à causa de Deus e da Igreja (Católica). Depois de um importante tempo de discernimento, por conselho do bispo de Constança é ordenado sacerdote em 1612 e posteriormente ingressa na Ordem dos Frades Menores Capuchinhos, que nesta época estava muito difundida pela Alemanha e Suíça. Adotou então o nome religioso de Fidélis (do latim “fidelis”, “fiel”) e impôs a si mesmo viver em obediência, pobreza, humildade, com espírito de penitência, de austeridade e de sacrificada renúncia.



Logo depois de terminados os estudos de teologia, dedicou-se totalmente à predicação. Percorreu grande parte da Suíça, Áustria e o sul da Alemanha, pregando sempre com grande eloquência, suavidade e mansidão, oferecendo uma mensagem clara, direta e bem preparada, fazendo-se tão atrativo por estas qualidades, que até os protestantes o ouviam com agrado. Adicionava-se a isto um espírito sempre dedicado ao serviço dos outros, visitando os enfermos, consolando os tristes e apaziguando as discórdias. Alternou toda a sua atividade com o cargo de guardião dos conventos de Friburgo, Rheinfelden e Feldkirch.



Graças à sua dedicada atividade apostólica alcança logo grande reputação. E, no ano de 1622 o arquiduque de Áustria Leopoldo, que tinha empreendido uma cruzada contra os protestantes, subjugou o cantão dos grisões, na Suíça, e pediu ao Papa que enviasse para lá missionários (Católicos Romanos). A Suíça foi uma das nações que mais diretamente padeceram as consequências das lutas e divisões religiosas entre Cristãos protestantes e Cristãos católicos. O apelo do arquiduque teve eco em Roma, onde se acabava de fundar a Congregação para a Evangelização dos Povos (Congregatio pro Gentium Evangelizatione), um dicastério da Cúria Romana, que se ocupa das questões referentes à propagação da fé católica no mundo inteiro. E quando frei Fidélis presidia à comunidade do convento de Feldkirch foi destinado à missão de Alta Rezia, na Suíça. Assim, foi enviado um grupo de 10 frades franciscanos capuchinhos liderados por frei Fidélis. Este sabia que a missão se desenrolaria num ambiente profundamente agitado que encerrava grandes dificuldades e até poderia haver uma séria possibilidade de perder a vida. Ali iniciou um ativo trabalho de pregação, recebendo frequentemente ameaças e insultos, mas também obtendo várias conversões à fé católica, o que aumentava o ressentimento dos líderes protestantes para com ele.



Após vários incidentes, neste dia, 24 de abril de 1622 frei Fidélis pregou na igreja de Seewis (ou Sevis) sob o amparo de um destacamento de soldados. Mas apesar disso, um bando de camponeses desesperados irrompeu na igreja com disparos de espingarda e puseram em fuga a tropa. Frei Fidélis foi agredido fora da igreja em que pregara. Ante a sua recusa a fazer-se protestante foi brutalmente assassinado como resultado de feridas de espada e pauladas na cabeça, tendo o seu corpo sido esquartejado. Foi sepultado no convento de Feldkirch, onde tinha sido guardião, mas o seu crânio está no altar mor da catedral de Coira, na Suíça. Bento XIII beatificou-o em 21 de março de 1729 e Bento XIV canonizou-o, juntamente com Giuseppe da Leonessa (1556–1612), um outro frade franciscano capuchinho italiano, em 26 de junho de 1746. A sua morte impressionou até os seus mais acirrados inimigos, tendo contribuído para a pacificação religiosa da região. Passou a ser considerado como mártir do Catolicismo e figura venerada entre os opositores ao protestantismo.


****

Fontes Utilizadas:
Vários “Sítios” e enciclopédias na Internet e ainda algumas obras em papel.
Respigado daqui e dali.

Carlos António da Rocha

Este texto é de livre utilização, desde que a sua ortografia seja respeitada na íntegra porque já está escrito com o Português do Novo Acordo Ortográfico e que não seja nunca publicado nem utilizado para fins comerciais; seja utilizado exclusivamente para uso e desfruto pessoal.

Sem comentários: