… Mas o melhor de tudo é crer em Cristo! Luís Vaz de Camões (c. 1524 — 1580)

quarta-feira, 26 de abril de 2017

26 de abril de 1396 • Estêvão de Perm, um missionário “incendiário”



26 de abril de 1396 Estêvão de Perm, um missionário “incendiário”


“Estêvão de Perm a caminho de Moscovo”, ilustração medieval russa.

Desde os primeiros tempos da sua conversão, os russos haviam enviado missionários aos mongóis e aos finlandeses. No século XIV renovou-se o seu zelo missionário e a sua principal figura missionária foi o bispo Estêvão de Perm. Nasceu em 1340 na cidade russa de Velikiy Ustyug, na zona dos Montes Urais, numa região habitada pelo povo zyrjani (ou permyak), ainda pagãos na sua maioria. A sua família, de origem russa, era cristã: seu pai era corista na cidade de Ustiug. Ainda pequeno aprendeu a língua húngaro-finlandesa dos zyrjani. Dotado de uma brilhante inteligência, quis dedicar-se a difundir o Evangelho. Foi monge no mosteiro de São Gregório Nazianzeno em Rostov, onde esteve 13 anos, aprendendo o grego, aperfeiçoando o conhecimento das Sagradas Escrituras e dos ofícios eclesiásticos.



Por volta de 1370, foi evangelizar os zyrjani ou permiaks na zona de Perm. Os métodos missionários de Estêvão recordavam os dos seus mestres Cirilo e Metódio. Em vez de impor o latim ou o eslavo eclesiástico à população pagã indígena, como o faziam o resto das missões suas contemporâneas, Estêvão aprendeu a sua linguagem e tradições, e trabalhou na elaboração de um sistema de escrita distintivo para seu uso. Segundo o seu biógrafo, Estêvão estava convencido de que cada povo devia adorar a Deus na sua própria língua, posto que de Deus era a origem de todos os idiomas. Por isso, uma das primeiras coisas que fez foi traduzir o essencial da liturgia e muitas passagens da Sagrada Escritura para o idioma dos zyrjani. Tão convencido estava de que cada povo tem algo com que contribuir para o cristianismo, que nem sequer ensinava aos seus convertidos os caracteres russos, mas sim inventou um alfabeto especial, apoiado nos desenhos dos bordados e gravuras da região. Também estabeleceu escolas para ensinar esse alfabeto. Como outros missionários russos, Estêvão empregava a celebração pública dos ofícios litúrgicos, como um meio inicial de atrair aos pagãos com sua impressionante beleza e solenidade.



Em 1383, em reconhecimento da sua grande obra missionária, foi nomeado primeiro bispo de Perm. Aí fez frente, com a pregação e a pluma, às doutrinas dos primeiros hereges da Rússia, os strigolniks, cujos ensinos se assemelhavam às dos lolardos e às dos hussitas. Também fundou escolas para ensinar a língua e seminários para a preparação de missionários.



Várias vezes partiu para Moscou e durante uma destas visitas morreu neste dia, 26 de abril de 1396. Recebeu digna sepultura no mosteiro da Transfiguração. Desgraçadamente o seu trabalho com a língua zyrjan não teve muito êxito e o seu alfabeto não sobreviveu senão numas poucas inscrições. Também fracassou no seu intento de evitar a homologação e a hegemonia da cultura russa ao desenvolver a liturgia e cultura nativas. De todas as formas, Estêvão de Perm, este missionário “incendiário” com o seu alto ideal de santidade, e obra missionária feita ainda hoje permanece na história cristã como um dos mais esforçados missionários russos. Estêvão passou à história sob uma ampla variedade de facetas: tradutor, apóstolo, professor, evangelista e mártir.



Estêvão de Perm (1340–1396) foi o missionário russo que fundou a escrita komi. A língua komi é a língua falada na República de Komi, na federação russa, muito relacionado com a língua komi-permyak

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Fontes Utilizadas:
Vários “Sítios” e enciclopédias na Internet e ainda algumas obras em papel.
Respigado daqui e dali.

Carlos António da Rocha

Este texto é de livre utilização, desde que a sua ortografia seja respeitada na íntegra porque já está escrito com o Português do Novo Acordo Ortográfico e que não seja nunca publicado nem utilizado para fins comerciais; seja utilizado exclusivamente para uso e desfruto pessoal.

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