… Mas o melhor de tudo é crer em Cristo! Luís Vaz de Camões (c. 1524 — 1580)

quinta-feira, 6 de abril de 2017

6 de abril de 885 • Metódio, Bispo, Padroeiro da Europa



6 de abril de 885 Metódio, Bispo, Padroeiro da Europa


Cristo e os dois apóstolos dos eslavos, Cirilo e Metódio.
Fresco em São Clemente, Roma, do século IX
Metódio não era Metódio de batismo. Era Miguel. E Cirilo não era Cirilo. Era Constantino. Quando se tornaram monges é que os dois irmãos mudaram de nome. Havia o curioso hábito de adotar na nova vida um novo nome começado pela mesma letra do anterior. Terá vindo daí o gosto deles pela linguística?



Metódio e Cirilo nasceram na Macedónia e foram irmãos unidos pelo sangue, pela fé e pela vocação apostólica. Metódio nasceu em 815 e Cirilo em 826. Metódio, ainda jovem, foi nomeado governador da província da Macedónia Inferior, onde estavam estabelecidos os eslavos. Cirilo, também ainda jovem, foi estudar em Constantinopla, capital do então Império Bizantino, onde se formou. Mais tarde, lecionou filosofia e foi diplomata junto dos árabes.



Com trinta e oito anos, Metódio abandonou a carreira política e tornou-se monge no mosteiro de Bósforo. Poucos anos depois seu irmão Cirilo também entrou para a vida monástica. A missão apostólica dos dois monges irmãos começou em 861, quando foram enviados numa missão para a conversão dos povos eslavos, de quem ambos tinham aprendido a língua e os costumes. A sua evangelização dos povos eslavos, na Morávia, atuais repúblicas Checa e Eslovaca, e na Panónia, atual Croácia, gerou muitos frutos porque ensinaram o povo a orar, a cantar e a ler, tudo isto, na sua própria língua.



Os dois irmãos, enquanto missionários dos povos eslavos, foram inventores do alfabeto cirílico (talvez mais o segundo e mais novo deles, que era mais intelectual, chegou a ser bibliotecário e ganhou o cognome de “o filósofo”), que hoje é usado por uns 300 milhões de pessoas, incluindo uma etnia chinesa.



Criado o novo alfabeto eslavo traduziram a Bíblia e os livros litúrgicos! A parelha de adelfos Metódio e Cirilo, também conhecidos como os “Apóstolos dos eslavos” andaram muito à frente dos Reformadores, já que foram os percursores e desbravaram o caminho para as traduções vernáculas das Sagradas Escrituras!



Na época, os textos sagrados só existiam em grego ou latim, não podiam ser traduzidos. A iniciativa dos irmãos monges Métódio e Cirilo gerou conflito com outros monges. Muitos religiosos ficaram contra o trabalho deles. Os dois foram então chamados a Roma, onde conseguiram o apoio do Papa Adriano II, que abençoou pessoalmente os livros litúrgicos escritos em língua eslava.



Cirilo seria ordenado bispo, mas na viagem de volta de Roma acabou falecendo. O ano era 869 e Cirilo tinha apenas 42 anos de idade. Foi sepultado a 14 de fevereiro na Igreja de São Clemente, perto do Coliseu.



Metódio voltou para a missão e foi nomeado arcebispo de Panónia, com sede em Sírmio. Numa segunda viagem a Roma, em 885, quando teve de defender pessoalmente outra vez o seu trabalho de “adaptação da Fé à cultura local”, acabou morrendo neste dia 6 de abril.



João Paulo II proclamou Metódio e Cirilo, estes cristãos bizantinos pré-cisma, co padroeiros da Europa, com S. Bento, em 1980.



Metódio e Cirilo partiram para meio dos eslavos, apesar das dificuldades das viagens e, sobretudo, do problema que era evangelizar povos que não pertenciam à cultura grega e latina. Estes irmãos missionários foram verdadeiramente pioneiros naquilo que hoje se chama a “inculturação”, isto é, em traduzir a fé para a cultura dos povos a evangelizar, sem querer impor a própria cultura. Traduziram a Bíblia e os textos litúrgicos para eslavo. Esse atrevimento valeu-lhes ser denunciados em Roma pelos missionários latinos. Tiveram que rumar à cidade eterna, e explicar-se às autoridades. Felizmente foram compreendidos pelo Papa Adriano II, que aprovou o seu método missionário.



Portanto, dai a cada um o que deveis … a quem honra, honra!” (Rm 13:7)


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Fontes Utilizadas:
Vários “Sítios” e enciclopédias na Internet e ainda algumas obras em papel.
Respigado daqui e dali.

Carlos António da Rocha

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