… Mas o melhor de tudo é crer em Cristo! Luís Vaz de Camões (c. 1524 — 1580)

sábado, 8 de abril de 2017

8 de abril de 1530 • Da Dieta de Ausburgo à Confissão de Ausburgo



8 de abril de 1530 Da Dieta de Ausburgo à Confissão de Ausburgo
Carlos V recebe a Confessio Augustana ou Confissão de Augsburgo na sessão de 25 de junho de 1530.

O Imperador Carlos V sentia o perigo de um ataque dos otomanos. Encontrava-se na Itália, na cidade de Bolonha. Para ter um exército capaz de vencer os turcos ele precisava dos príncipes protestante alemães. Era 21 de janeiro de 1530, e ele decide convocar uma Dieta imperial na Alemanha. Carlos V envia cartas, convidando os príncipes e os representantes das cidades livres do Império a participar. Seria discutido as diferenças religiosas, na esperança de as superar e de restaurar a unidade religiosa do seu Império. A cidade que acolheria os trabalhos da Dieta seria Ausburgo e o início dar-se-ia neste dia, 8 de abril de 1530.

Embora o convite do Imperador estivesse redigido em linguagem muito pacífica, foi recebido com suspeita por alguns príncipes evangélicos alemães. O Landgrave de Hesse estava receoso de assistir à Dieta, mas o Eleitor João da Saxónia, que recebeu o convite a 11 de março, participou a 14 de março a Lutero, a Justo Jonas, a Bugenhagen e Melanchthon para se encontrarem com ele em Torgau, onde ele estava e preparassem um resumo da fé protestante, para ser apresentado ao Imperador na Dieta. Este resumo da fé protestante receberia depois o nome de “Artigos de Torgau”.


De acordo com o convite, o Eleitor da Saxónia pediu aos seus teólogos em Wittenberg que preparassem um documento sobre as crenças e práticas nas igrejas nos seus domínios. Já que uma exposição das doutrinas, conhecida como “Artigos de Schwabach”, tinha sido preparada no verão de 1529, tudo o que parecia ser necessário agora era uma exposição adicional acerca das mudanças práticas introduzidas nas igrejas da Saxónia. Tal exposição foi, por isso, preparada pelos teólogos de Wittenberg e, visto que foi aprovada num encontro em Torgau (Saxónia), promovido pelo Eleitor da Saxónia nos finais de março de 1530, é chamada comumente de “Artigos de Torgau”.



A 3 de abril o Eleitor e os reformadores partiram de Torgau e chegaram a Coburgo a 23 de abril. Ali ficou Lutero porque estava proscrito pelas leis do Império.



O restante grupo chegou a Ausburgo a 2 de maio. Durante a viagem Melâncton trabalhou numa “apologia”, usando os “Artigos de Torgau”, e enviou um rascunho desta sua “apologia” a Lutero a Coburgo em 11 de maio, que a revisou e lha remeteu. E, Melâncton em encontros e reuniões com Justo Jonas, com o chanceler da Saxónia Brück, com o conciliador bispo Stadion de Ausburgo, e com o secretário imperial Alfonso de Valdés recebeu deles contributos pelo que fez várias modificações à sua “apologia” até que a completou.



Os “Artigos de Schwabach” tornaram-se a base para a primeira parte do que veio a ser chamado de “Confissão de Ausburgo”, e os “Artigos de Torgau” tornaram-se a sua segunda parte.



Em 23 de junho foi apresentada a “Confissão de Augsburgo”. A redação final do texto da “Confissão de Augsburgo” foi ratificada pelo Eleitor João da Saxónia, pelo Landgrave Filipe de Hesse, pelo Margrave Jorge de Brandenburgo, pelos Duques Ernesto e Francisco de Luneburgo, pelos representantes das cidades de Nuremberga e de Reutlingen e por outros conselheiros, além de doze teólogos.



Depois da leitura da “Confissão de Augsburgo” e da sua aprovação, ela foi assinada pelo Eleitor João da Saxónia, pelo Margrave Jorge de Brandeburgo, pelo Duque Ernesto do Luneburgo, pelo Landgrave Filipe de Hesse, pelo príncipe Wolfgang de Anhalt, pelos representantes das cidades de Nuremberga e de Reutlingen e, provavelmente também, pelo príncipe Eleitor João Federico e pelo Duque Francisco de Luneburgo. Durante a Dieta as cidades de Weissenburg, de Heilbronn, de Kempten e de Windesheim também expressaram o seu acordo com a “Confissão”.



O Imperador tinha ordenado que a “Confissão” lhe fosse apresentada na sessão seguinte, a 24 de junho, mas quando os príncipes evangélicos pediram que fosse lida em público, a sua petição foi rechaçada e o Imperador envidou todos os esforços para impedir a leitura pública do documento. Entretanto, os príncipes evangélicos firmes, declararam que não sairiam dali até que se permitisse a leitura pública da “Confissão”. Fixou-se o dia 25 de junho para a sua leitura e apresentação. Para excluir o povo da sua audição foi escolhida a pequena capela do palácio episcopal, em vez do espaçoso salão da câmara, onde as reuniões da Dieta se realizaram.



Os dois chanceleres da Saxónia, Brück e Beyer, um, com a cópia latina, e o outro com a alemã, puseram-se no meio da assembleia e contra o desejo do Imperador o texto alemão foi lido. A leitura durou duas horas e de um modo tão claro que cada palavra podia ser escutada no exterior. Depois da leitura, as cópias foram entregues ao Imperador. A alemã deu-a ele ao chanceler imperial, o Eleitor de Mainz, e a latina ficou o Imperador com ela. Nenhuma das cópias originais da “Confissão de Ausburgo” existe na atualidade.



Dois dias após a apresentação da “Confissão de Ausburgo”, os representantes católicos resolveram preparar uma refutação ao documento luterano, a “Confutatio Pontificia” (“Confutação Pontifícia”), a qual foi lida na Dieta, em 3 de agosto. O Imperador exigiu que os luteranos admitissem que a sua Confissão havia sido refutada. A reação luterana surgiu na forma da “Apologia da Confissão de Augsburgo”, que estava pronta para ser apresentada em 22 de setembro, mas foi rejeitada pelo Imperador.



A “Apologia” foi publicada por Filipe Melâncton no fim de maio de 1531. Tornou-se a confissão de fé oficial quando foi assinada, juntamente com a “Confissão de Ausburgo”, em Esmalcalda, no ano de 1537.



Ao assinarem a ”Confissão”, os sete príncipes deram-lhe força de documento real. Com isso, a “Confissão” não podia ser questionada no território governado pelos príncipes, mesmo sendo contra os princípios do Catolicismo Romano.



A “Confissão de Ausburgo”, em latim “Confessio Augustana”, é um documento central na Reforma de Lutero, que foi uma reação à Igreja Católica. Assim vimos, ainda que muito a correr como da Dieta de Ausburgo pensada e convocada pelo Imperador Carlos V se chegou à “Confissão de Ausburgo”, como esta foi tecida e apresentada.



Muito ganharíamos espiritualmente se gastássemos 2 horas a lê-la em português. E ricos seríamos espiritualmente se gastássemos outras 2 horas a meditar nela.


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Fontes Utilizadas:
Vários “Sítios” e enciclopédias na Internet e ainda algumas obras em papel.
Respigado daqui e dali.

Carlos António da Rocha

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