… Mas o melhor de tudo é crer em Cristo! Luís Vaz de Camões (c. 1524 — 1580)

segunda-feira, 1 de maio de 2017

1 de maio de 1552 • A Câmara Ardente


1 de maio de 1552 A Câmara Ardente
Na França, Henrique II determinou pelo Édito de Fontainebleau, de 1540, que se executasse a qualquer dos hereges. A Câmara Ardente (a Chambre ardente), instituída por ele, um tribunal sinistro criado especialmente para julgar os huguenotes, proferiu mais de 500 condenações. Pelo Édito de Compiège, assinado por Francisco II, em 1557, renovou-se o castigo de morte para as heresias, impulsionando novas perseguições, o que levou o reino à sua primeira guerra religiosa (1561).



Câmara Ardente foi, em diferentes épocas, na França, um tribunal extraordinário que pronunciava sentenças muito severas, geralmente a morte na fogueira. Era chamado “Câmara Ardente” porque os processos tinham lugar numa sala negra, iluminada por tochas ou velas. Foi criado em 8 de outubro de 1547 durante o reinado de Henrique II, para julgar os processos contra os hereges. O apelativo não pôde ser mais apropriado. Desde princípios de dezembro de 1547 até ao dia 10 de janeiro de 1550 condenou à morte a um centenar de pessoas pelo menos, na sua maioria da classe humilde, entre tendeiros e artesãos, e conta que ficou só circunscrita a um distrito da França. Idênticas atividades demonstraram os parlamentos provinciais, especialmente os de Ruão, Tolosa, e Aix-en-Provence. O zelo dos tribunais eclesiásticos contribuíram para que lhes atribuíssem o direito exclusivo de julgar os crimes de heresia em virtude de um decreto datado de 19 de novembro, ficando temporalmente suprimida a Câmara Ardente; mas como os tribunais eclesiásticos continuaram a demonstrar frouxidão então no dia 27 de junho de 1551 foi promulgado um novo decreto em Chateaubriand que fez passar aos tribunais civis o conhecimento dos delitos heréticos que envolvessem escândalo ou perturbação pública, oferecendo aos delatores uma terça parte das propriedades do acusado. As novas execuções levadas a cabo em diversas partes da França demonstraram que a severidade dos juízes era maior que a dos bispos.



Em março de 1553 foi restaurada a Câmara Ardente e pouco depois teve lugar em Lião uma execução que impressionou profundamente as pessoas. Tratou-se da execução de cinco estudantes de Lausana. Oriundos de distintos lugares do sudoeste da França, dirigiram-se a Lausana para se preparar por meio do estudo para a obra de evangelização. Um deles tinha residido em companhia de Teodoro de Beza e outro na de Pierre Viret. Ao voltarem para suas casas, foram presos em Lião neste dia, 1 de maio de 1552 e condenados à morte pelo delito de heresia, pelo juiz eclesiástico. Como apelaram para o Parlamento de Paris, continuaram presos durante um ano inteiro esperando a decisão. Em vão Teodoro de Beza, Pierre Viret e os cantões de Zurique e Berna intercederam perante o rei francês e o cardeal de Tournon. Não foram encontrados culpados de outro crime que o de professar opiniões heréticas; não tinham cometido ato algum que pudesse ser tido como perigoso para a paz pública ou para a religião católica. A sua execução produziu uma impressão enorme. A história da mesma ocupa considerável espaço no “Le Livre des Martyrs” de Crespin, que veio a lume no ano seguinte (1554), obra que passou imediatamente a figurar ao lado da Bíblia e do Saltério, como manancial de inspiração e valor nos dias da perseguição.


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Fontes Utilizadas:
Vários “Sítios” e enciclopédias na Internet e ainda algumas obras em papel.
Respigado daqui e dali.

Carlos António da Rocha

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